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20 novembro 2010

Seat Ibiza GTi Kit Car - J. Puras - C. Del Barrio (Rali de Monte Carlo de 1996)



Esta miniatura pertence à colecção Rallye Monte-Carlo - Os Carros Míticos – Fasc. nº 44.
O terceiro lugar no Rali de Monte Carlo conquistado pela Seat em 1977 já ia muito longe quando em 1995 a marca espanhola regressou aos ralis do campeonato do mundo. Neste seu regresso a Seat utilizou o modelo Ibiza 1.8 de 19 válvulas para disputar a categoria de duas rodas motrizes. Como a temporada foi bastante positiva, no ano seguinte a Seat apostou na nova categoria, os Kit Car.
Muito resumidamente, a categoria dos Kit Car estava reservada apenas a carros de 2 litros de duas rodas motrizes. Foi com base no modelo Ibiza que a Seat desenvolveu a sua versão para disputar a nova categoria. Assim o Seat Ibiza GTi Kit Car, baseado na plataforma do VW Polo, dispunha de um motor de 4 cilindros em linha de 1984 cc, com uma potência de 250 cv às 7800 rpm. O motor, que era proveniente do Golf, estava colocado na frente em posição transversal e a transmissão era dianteira e dispunha de uma caixa sequencial de seis velocidades.
Apesar de revelar alguns problemas durante este ano de 1996, a Seat conseguiu vencer o campeonato destinado aos Kit Car. No ano seguinte alguns desses problemas foram resolvidos, melhorando o Ibiza, o que permitiu a conquista de mais dois títulos, o que quer dizer que a Seat venceu 3 títulos consecutivos nesta categoria (1996 a 1998).
Durante estes anos em que disputou a categoria dos Kit Car, o Ibiza teve como principais adversários o Peugeot 306 Maxi, o Skoda Felicia e o Renault Megane Maxi.
A miniatura de hoje representa o Seat Ibiza GTi Kit Car de Jesús Puras no Rali de Monte Carlo de 1996. Esta foi a prova de estreia do Ibiza GTi Kit Car em competição. A equipa era composta pelos pilotos Erwin Weber (alemão) e Jesús Puras (espanhol). Contudo a estreia do Ibiza não foi totalmente feliz: Jesús Puras esteve muito pouco tempo em prova visto que o motor do seu Ibiza apenas aguentou 11 km. Por outro lado, Erwin Weber conseguiu levar o seu Ibiza até à terceira posição entre os Kit Car. Ainda chegou a ocupar a segunda posição mas uma má escolha de pneus deixou-o no terceiro posto. Apesar de não ter iniciado da melhor forma o campeonato, a Seat haveria de vencer nesse ano o primeiro dos três títulos consecutivos. De referir que esta edição do Rali de Monte Carlo não contou para o Campeonato do Mundo de Ralis dos carros de tracção integral, como tal não estiveram presente os grandes nomes e marcas do WRC. A prova foi vencida pelo francês Patrick Bernardini num Ford Escort RS Cosworth, seguido de Francois Delecour (francês) em Peugeot 306 Maxi.

28 outubro 2008

Citroen Xsara WRC - J. Puras - M. Marti (Volta à Córsega de 2001)


Esta miniatura pertence à colecção 100 Anos de Desporto Automóvel.
Num post anterior falei no Citroen Xsara Kit Car e hoje vou falar um pouco no Citroen Xsara WRC.
Este modelo da Citroen, tal como o nome indica, nada mais é do que uma evolução do Xsara Kit Car. Essa evolução aconteceu porque em 1999 os regulamentos dos Kit Car foram alterados em virtude destes carros estarem a dar sinais de se tornarem ameaças aos WRC, principalmente o Citroen Xsara Kit Car que obteve duas vitórias nesse ano (Catalunha e Córsega). Assim, a Citroen optou por fazer evoluir o Xsara para o WRC. O Citroen Xsara foi adaptado aos regulamentos do WRC e os primeiros ensaios decorreram em Maio de 1999. A primeira vitória do Citroen Xsara WRC aconteceu em 2001 no Rali da Córsega, com o piloto espanhol Jesús Puras. Foi a primeira vitória do carro que viria a dominar o panorama internacional dos ralis durante vários anos. O sucesso do Citroen Xsara WRC foi enorme e está intimamente ligado a um nome: Sebastian Loeb, piloto francês, que em breve falarei.
Jesús Puras é um piloto espanhol, que nasceu a 16 de Março de 1963. É o segundo piloto espanhol, a seguir a Carlos Sainz, a vencer um rali do mundial. Começou a competir nos ralis em 1982 com um Renault 5, tendo passado por várias marcas ao longo dos anos. Jesús Puras venceu por 8 vezes o campeonato espanhol: 1990 (Lancia), 1992 (Lancia), 1995, 1997, 1998, 1999, 2000 e 2002 (sempre na Citroen). Em 1991 estreou-se no Mundial de Ralis com um Mazda. Em 1994 sagrou-se Campeão do Mundo do Grupo N com um Ford Escort. E em 2001 venceu a sua única prova do WRC com o Citroen Xsara WRC.
Deste modo, a miniatura de hoje é o Citroen Xsara WRC que Jesús Puras utilizou no Rali da Córsega de 2001, onde obteve a sua primeira e única vitória no WRC.
Continuação do Campeonato do Mundo de Ralis de 2001
O Rali da Córsega, tal como o anterior, foi uma prova para os especialistas no asfalto em que os protagonistas voltaram a ser os mesmos: os pilotos da Citroen e os da Peugeot. No entanto desta vez foi a equipa da Citroen que saiu da ilha da Córsega com a vitória na bagagem. O piloto espanhol Jesús Puras, da Citroen, soube defender-se muito bem dos ataques de Didier Auriol e de Gilles Panizi, ambos da Peugeot. Puras ficou muito cedo sozinho a lutar contra os dois pilotos da Peugeot, já que Peter Bugalski (Citroen) abandonou muito cedo o rali, mas conseguiu obter a sua primeira vitória no mundial e a primeira do Citroen Xsara WRC. Os dois pilotos da Peugeot classificaram-se logo a seguir ao Citroen de Puras, sendo Panizzi segundo e Auriol terceiro. Richard Burns (inglês) ao conseguir classificar o seu Subaru em quarto lugar beneficiou das más prestações dos seus adversários na luta pelo título: Makinen (Mitsubishi) e Sainz (Ford) abandonaram e McRae (escocês) não pontuou.
A duas provas do fim do campeonato haveríamos de assistir ao regresso do campeão em título, Marcus Gronholm (finlandês), às vitórias, que em muito contribuíram para a renovação do título de marcas pela Peugeot. Mais uma vez, no Rali da Austrália, jogou-se na táctica porque o piloto que sai-se na frente iria “limpar” a estrada para os que se seguiam. Mcrae, que era um dos candidatos à conquista do título, iria ser o primeiro a sair mas a Ford ordenou que François Delecour (francês), no terceiro Ford Focus, penaliza-se para que o francês o primeiro a sair para a estrada em vez do escocês. No entanto o francês acabou por sair de estrada e a estratégia da Ford não resultou. McRae acabou por cair para a 5ª posição no final do rali. A vitória foi de Gronholm, como disse em cima, Burns ficou em segundo lugar e Auriol repetiu o terceiro lugar, que vinha obtendo à dois ralis atrás. Com o segundo lugar, Burns partia para o RAC, última etapa do campeonato, a dois pontos de Makinen que era o primeiro da classificação, e a um ponto de McRae. No RAC esperava-se uma luta intensa entre estes três pilotos que ambicionavam a conquista do título, sendo que no caso de Burns seria o primeiro. O primeiro a ficar de fora foi Makinen, que ainda no inicio da prova, no segundo troço, viu a suspensão do seu carro ceder. Logo de seguida foi a vez de McRae, que se encarregou de se auto-eliminar, quando destruiu o seu Focu com um capotamento. Deste modo e com a concorrência directa fora de prova, Burns soube gerir da melhor forma a conquista dos pontos necessários para chegar ao título. Gronholm foi o vencedor, Rovampera ficou em segundo, ambos da Peugeot e Burns com o terceiro lugar conquista o seu primeiro, e único, título de Campeão do Mundo de Ralis. A Peugeot com os excelentes resultados obtidos, principalmente nos últimos quatro ralis, renovava o título de marcas. Contudo para tal também beneficiou das más prestações da Ford que não obteve nenhum pódio nas 4 últimas provas.
Richard Burns sagrou-se campeão com 44 pontos e uma única vitória, McRae foi o segundo com 42 pontos (3 vitórias). A Peugeot conquistou o título de marcas com 101 pontos (6 vitórias) e a Ford ficou em segundo lugar com 86 pontos (3 vitórias).