12 fevereiro 2007

Ferrari D246 - Mike Hawthorn (1958)

Esta miniatura é da marca Brumm. Representa o Ferrari D246 no GP da Grã-Bretanha de 1958, conduzido pelo inglês Mike Hawthorn. Contudo há alguns pormenores na miniatura que não correspondem à realidade. Neste GP, o pára-brisas do Ferrari D246 não tem esta forma, embora este estilo tivesse sido utilizado durante o ano de 1958. Outro pormenor, que no meu entender está errado, são as jantes que nesta miniatura são pretas e que na realidade não o eram.
O Ferrari D246, que substituiu o Lancia-Ferrari D50 de 1957, também era conhecido por Dino 246, que era o nome do filho de Enzo Ferrari. Este carro seguia ainda a regra comum na época que era a utilização do motor dianteiro. No entanto já no ano anterior, em 1957, se tinha assistido à introdução do motor traseiro na Formula 1 embora sem resultados práticos. A esse nível, a revolução na Formula 1 estava a um passo de acontecer...

O campeonato de 1958 começou com o GP da Argentina e o destaque foi todo para Stirling Moss (inglês) e o seu Cooper. Efectivamente, Moss (Cooper) consegue a vitória com um carro de motor central traseiro, batendo os dois Ferrari D246 de Luigi Musso (segundo classificado) e de Mike Hawthorn (terceiro classificado). Esta foi a primeira vitória na Formula 1 de um carro com motor central traseiro. Estava feita história e a Formula 1 nunca mais seria a mesma. No GP seguinte, no Mónaco, confirmou-se o feito histórico alcançado por Moss e o Cooper no GP anterior. Nova vitória de um Cooper desta vez pela mão do francês Maurice Trintignant. No GP da Holanda, Moss volta a vencer desta vez com um Vanwall. Entretanto correu-se nas 500 Milhas de Indianápolis, que apenas pertence ao calendário para o campeonato adquirir o estatuto de mundial. Nesta prova não participam os pilotos da Formula 1.
No GP da Bélgica confirma-se a supremacia das equipas britânicas, Tony Brooks (inglês) vence ao volante de um Vanwall. Mike Hawthorn (Ferrari) fica em segundo lugar. No GP da França, Hawthorn (Ferrari) consegue quebrar a senda vitoriosa dos carros britânicos. Esta foi a única vitória de Hawthorn em 1958. A tragédia aconteceu quando Luigi Musso morre devido ao despiste do seu Ferrari. Este foi também o último GP do penta campeão do mundo Juan Manuel Fangio (argentino). Fangio desiludido com o rumo que a Formula 1 estava a tomar e com a falta de competitividade do Maserati 250F resolve terminar a carreira aos 47 anos. Terminou o GP da França na quarta posição.
No GP da Grã-Bretanha a Ferrari volta a vencer colocando dois carros nas primeiras posições, Peter Collins (inglês) é primeiro e Mike Hawthorn é segundo classificado. No GP da Alemanha, Tony Brooks (Vanwall) volta a vencer mas o GP está novamente envolto em tragédia. Peter Collins (Ferrari) tem um acidente e é cuspido do seu carro, vindo a falecer em consequência de danos cerebrais sofridos com o embate numa árvore. Na sequência da morte do seu amigo e colega de equipa, Hawthorn tomou a decisão de abandonar a Formula 1 no final do ano.
No GP de Portugal, Stirling Moss (Vanwall) termina na primeira posição e Hawthorn (Ferrari) fica em segundo lugar. Tony Brooks (Vanwall) vence a terceira prova da época no GP de Itália. Mike Hawthorn (Ferrari) continuava a coleccionar segundos lugares. O último GP do ano, em Marrocos, foi vencido por Stirling Moss (Vanwall) e Mike Hawthorn termina novamente no segundo lugar. O campeonato acabou com Mike Hawthorn campeão mundial com 42 pontos (uma vitória) e Stirling Moss vice campeão com 41 pontos (quatro vitórias). Mike Hawthorn foi o campeão mas houve vários factores que poderiam ter favorecido Moss, por exemplo, no GP de Portugal, Hawthorn despistou-se e ficou com o carro no sentido contrário ao da corrida o que fez com que tivesse de andar contra o sentido da corrida. Em consequência disso foi desclassificado. Hawthorn recorreu da decisão e Moss testemunhou em seu favor dizendo que viu Hawthorn a andar em sentido contrário ao da corrida mas fora da pista o que não ia contra as regras. E assim Hawthorn recuperou o segundo lugar conseguido em Portugal graças ao testemunho leal e desportivo de Moss, coisa rara nos dias de hoje. Também no GP de Portugal, Moss recebeu indicação da box para não atacar a melhor volta da corrida. Nessa época a melhor volta da corrida valia um ponto para o campeonato. O certo é que Moss podia facilmente ter feito a melhor volta da corrida conseguindo assim mais um ponto e vencer o campeonato, assim foi Hawthorn que conquistou esse ponto extra. Mike Hawthorn beneficiou destes factos e também do jogo de equipa que foi feito nos GP de Itália e de Marrocos. Em Itália o americano Phil Hill (Ferrari) recebeu ordens para não ultrapassar Hawthorn e em Marrocos Phil Hill cedeu a segunda posição a Hawthorn. Assim Mike Hawthorn tornou-se no primeiro campeão britânico da Formula 1 e abandonou a Formula 1. Infelizmente passados 3 meses de se ter tornado campeão morreu num acidente de viação.

Nesse ano de 1958 os pilotos do Ferrari D246 foram: Mike Hawthorn, Luigi Musso, Peter Collins, Wolfgang Von Trips, Olivier Gendenbien e Phill Hil.
Vitórias: 2 (M. Hawthorn: 1; P. Collins:1)
Pole-position: 4 (M. Hawthorn: 4)
Melhor volta : 6 (M. Hawthorn: 5; P. Hill: 1)

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