
Esta miniatura pertence à colecção 100 Anos de Desporto Automóvel.
O Alpine-Renault A110 é, na minha opinião, um dos mais belos carros de ralis tendo sido dos primeiros carros a ser concebido a pensar na competição automobilística. A Alpine era uma empresa privada que se dedicava a alterar, com sucesso, alguns modelos da Renault para as competições. Em 1962 deu-se a associação definitiva entre a Alpine e a Renault. Esta associação durou mais de três décadas. O primeiro modelo que saiu da associação entre a Renault e a Alpine foi precisamente o Alpine Renault A110 com 956cc e 51 cv de potência. Desde o seu lançamento, em 1962 e ao longo dos anos que esteve em produção houve algumas evoluções mas as melhorias mais significativas deram-se ao nível da potência. Em 1974, o Alpine-Renault A110 tinha 1800cc e 180cv de potência. O Alpine-Renault A110 foi conduzido ao longo dos anos por pilotos de elevada qualidade, tais como, Jean-Claude Andruet, Jean-Luc Thérier, Ove Andersson, Jean-Pierre Nicolas e Bernard Darniche, entre outros. O Alpine-Renault obteve várias vitórias: em 1970 J.-L.Thérie venceu os ralis de San Remo e da Acrópolis, a Alpine-Renault termina o campeonato em segundo lugar com 26 pontos atrás da Porsche que é campeã com 28 pontos; em 1971 é campeã com 36 pontos, vencendo quatro ralis, sempre com O. Andersson: Monte Carlo, San Remo, os Alpes Austríacos e Acrópolis; o ano de 1972 é negro para a Alpine-Renault que fica em 17º lugar apenas com 7 pontos.

A temporada de 1973 foi a primeira do Campeonato do Mundo de Ralis para marcas. Para o efeito foram incluídos mais ralis: Portugal, Polónia, Finlândia e Córsega. O campeonato de 1973 foi disputado ao longo de 13 ralis. No entanto apenas uma equipa, a Alpine-Renault, manifestou a intenção de participar em todas as provas, talvez para tentar “apagar” o mau ano de 1972. As outras marcas resolveram participar apenas nos ralis que mais convinham aos seus modelos. Assim não é de estranhar que a Alpine-Renault tenha conquistado o campeonato de 1973 perante os reduzidos programas das outras equipas. No final do campeonato, a Alpine-Renault sagrou-se, merecidamente, campeã com 147 pontos (6 vitórias) à frente da Fiat com 84 pontos (1 vitória). As restantes vitórias ficaram assim distribuídas: 2 vitórias para a Ford; a Saab, a Datsun, a BMW e a Toyota venceram, cada uma, um rali.
A miniatura do Alpine-Renault A110 que apresento é do Rali de Monte Carlo de 1973 com o qual Jean-Claude Andruet (francês) venceu o primeiro rali do primeiro Campeonato do Mundo de Ralis.

Para o Rali de Monte Carlo de 1973, a Alpine-Renault preparou uma equipa quase imbatível, de tal maneira que a vitória foi decidida entre os pilotos da Alpine-Reanult, dos seis primeiros classificados 5 eram Alpine-Renault apenas o quarto classificado era um Ford Escort. A Alpine-Renault venceria ainda o Rali de Portugal (J.-L. Thérier), o Rali de Marrocos (B. Darniche), o Rali Acrópolis (J.-L. Thérier), o Rali de San Remo (J.-L. Thérier) e a Volta à Córsega (J.-P. Nicolas). Se nesse ano já existisse o campeonato mundial para pilotos, o vencedor teria sido J.-L. Thérier.
Jean-Claude Andruet (francês) começou a sua carreira na década de 60 e ainda vai participando em algumas provas. Venceu vários ralis ao longo da sua carreira: Volta à Córsega (1968, 1972 e 1975), Rali de Monte Carlo (1973) e o Rali de San Remo (1977). Foi campeão francês de ralis com o Alpine-Renault A 110 em 1968 e 1970 e campeão europeu de ralis de 1970 também com o Alpine-Renault A110. Ao longo da sua carreira guiou para várias equipas: Alpine-Renault, Alfa Romeo, Lancia, Fiat, Ferrari e Citroen.