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07 abril 2011

Ferrari 308 GTB - J.-C. Andruet - "Biche" (Rali de Monte Carlo de 1982)

Esta miniatura pertence à colecção Rallye Monte-Carlo – Os Carros Míticos (fasc. nº 61). A Ferrari, um dos maiores nomes do desporto automóvel, pouca expressão tem no mundo dos ralis. Contudo e embora já há muito tempo que não esteja presente num rali, a Ferrari também causou sensação com a sua presença na história dos ralis. E ao que julgo, terá sido sempre pela “mão” de pilotos privados que a Ferrari se apresentou na competição dos ralis, principalmente em provas de asfalto. O sucesso alcançado nos ralis foi limitado, o que se compreende pelo facto de os carros da Ferrari não serem concebidos para estradas de terra ou em mau estado. Na minha opinião, assistir à participação de um Ferrari numa prova do Campeonato do Mundo de Ralis deverá ter sido inesquecível. O Ferrari 308 GTB foi lançado em 1975 no Salão de Paris, substituindo o Dino 308 GT4; o 308 GTB foi desenhado por Pininfarina, vinha equipado com o motor do Dino, um V8 de 3 litros com 255 cv de potência. Posteriormente, este modelo veio dar origem ao Ferrari 288 GTO de 1984. A estética do 308 GTB ainda hoje é cobiçada pelos coleccionadores, sendo considerado um dos mais bonitos Ferrari de sempre. Pininfarina utilizou os materiais de fibra de vidro na carroçaria, sendo o capot a única parte em metal (alumínio). Com um peso de apenas 1290 kg e excelentes performances, Giulano Michelotto viu no 308 GTB um magnífico ponto de partida para uma preparação para os ralis. Como a Ferrari tinha o modelo homologado para a competição, Michelotto partiu daí para desenvolver o 308 GTB no Grupo 4 dos ralis. Após a preparação de Michelotto, o Ferrari 308 GTB a pesar apenas 1020 kg e a desenvolver uma potência de 315 cv às 8000 rpm. Segundo o fascículo que acompanha a miniatura, a primeira prova do 308 GTB nos ralis terá sido no Targa Florio de 1978, com o italiano Roberto Liviero. Nas provas do mundial de ralis, o piloto que mais destaque terá tido com o Ferrari 308 GTB foi o francês Jean-Claude Andruet, que se fazia acompanhar da sua co-piloto e mulher Michèle Petit “Biche”. Vencedor de alguns ralis do mundial, Jean-Claude Andruet participou em vários ralis com o 308 GTB (duas desistências na Volta à Córsega de 1981 e no Monte Carlo de 1982 e um segundo lugar na Volta à Córsega de 1982). Mas foi sobretudo em campeonatos nacionais que o 308 GTB venceu provas e campeonatos, como exemplo cito a vitória de António Zanini no campeonato de Espanha em 1984.
A miniatura que hoje vos apresento é o Ferrari 308 GTB de Jean-Claude Andruet no Rali de Monte Carlo de 1982. O piloto francês não terminou a prova devido a uma saída de estrada num gancho durante a 6ª especial. Contudo, como disse em cima, foi nesse ano que Andruet alcançou o segundo lugar na Volta à Córsega. Ainda em 1982 o piloto italiano Tonino Tognana triunfou na Targa Florio e noutros dois ralis vencendo o campeonato italiano de ralis com um 308 GTB do Jolly Club.
Quando em 1983 surgiram os Lancia 037, o Ferrari 308 GTB deixou de ser utilizado a nível do mundial de ralis mas ainda houve equipas privadas, tanto italianas como norte-americanas que o continuaram a utilizar. In fascículo nº 61 da colecção Rallye Monte-Carlo – Os Carros Míticos.

02 outubro 2010

Lancia Stratos - J.-C. Andruet - "Biche" (Volta à Córsega de 1974)



Esta miniatura pertence à colecção Rally Collection – Fasc. nº 21.
O Lancia Stratos venceu 17 ralis do mundial de ralis ao longo de vários anos em competição. A sua primeira vitória no mundial aconteceu no Rali de Sanremo de 1974 por Sandro Munari (italiano) e a última foi na Volta à Córsega de 1981 por Bernard Darniche (francês). Com o Stratos a Lancia venceu 3 Campeonatos do Mundo de construtores: 1974, 1975 e 1976.
As suas 17 vitórias estão assim distribuídas:
- 3 Vitórias em 1974 (Sanremo e Rideau Lakes por Sandro Munari e Volta à Córsega por Jean-Claude Andruet);
- 4 Vitórias em 1975 (Monte Carlo por Sandro Munari, Suécia e Sanremo por Bjorn Waldegaard e Volta à Córsega por Bernard Darniche);
- 4 Vitórias em 1976 (Monte Carlo, Portugal e Volta à Córsega por Sandro Munari, e Sanremo por Bjorn Waldegaard);
- 1 Vitória em 1977 (Monte Carlo por Sandro Munari);
- 1 Vitória em 1978 (Sanremo por Markku Alén);
- 3 Vitória em 1979 (Monte Carlo e Volta à Córsega por Bernard Darniche, e Sanremo por Tony Fassina);
- 1 Vitória em 1981 (Volta à Córsega por Bernard Darniche).
É assim fácil verificar que o piloto que venceu mais vezes com o Stratos foi Sandro Munari, com 7 vitórias. Houve dois ralis em que o Stratos se notabilizou: venceu 5 vezes na Volta à Córsega e no Sanremo. O Rali de Monte Carlo também ocupa um lugar de destaque no palmarés do Stratos com 4 vitórias, realçando que 3 delas foram consecutivas: 1975 a 1977 por Sandro Munari.
Baseado num protótipo de Nuccio Bertone o Lancia Stratos de linha futuristas explorou o conceito em cunha, ideia que já vinha sendo aplicada na F1 no início da década de setenta pelo Lotus 72. Nesse aspecto do conceito em cunha posso, de alguma maneira, dizer que o Lancia Stratos está para os ralis assim como o Lotus 72 está para a F1. Para exemplificar melhor aqui fica uma fotografia do Lancia Stratos e do Lotus 72:

O Lancia Stratos de Andruet frente a frente com o Lotus 72D de Fittipaldi

O Lancia Stratos de 1974 dispunha de um motor Ferrari V6 65º Dino de 6 cilindros em linha, colocado em posição transversal/central. Inicialmente não estava prevista a utilização deste motor mas sim o motor do Fulvia. A cilindrada era de 2418 cm3 com 16 válvulas que permitia obter uma potência a rondar os 250 cv às 7200 rpm. Segundo o fascículo que acompanha a miniatura, a útlima versão do Stratos “debitava 295 cv com um motor de 24 válvulas”. Refere também que chegou “a existir uma versão de 32 válvulas e 310 cv”.
A miniatura representa o Lancia Stratos de Jean-Claude Andruet (francês) na Volta à Córsega de 1974. Nesta edição da Volta à Córsega, Jean-Claude Andruet mostrou toda a sua mestria no duelo que travou contra os pilotos da Alpine-Renault. A vitória de Andruet na Córsega permitiu à Lancia a conquista do título mundial de construtores. Atrás do Lancia Stratos de Andruet ficaram 4 Alpine-Renault.
Na minha colecção de miniaturas esta é a quarta do Lancia Stratos, aqui estão as outras três com os respectivos links:

02 junho 2007

Citroen BX 4TC - J.-C. Andruet - A. Peuvergne (Rali de Monte Carlo de 1986)

Esta miniatura pertence à colecção RallyCar Collection.
O Citroen BX 4TC representou o projecto da marca francesa para competir no Grupo B do Mundial de Ralis. O BX 4TC vinha substituir o Visa 1000 Pistes.
O Citroen BX foi lançado no mercado em 1982 e foi com base nele que Guy Verrier, director do departamento de competição da Citroen, criou o BX 4TC para ser utilizado em 1986 no Grupo B. O BX 4TC estava equipado com um motor de 2141 cc, sobrealimentado com uma potência de 360 cv. Para homologação foram construídas as 200 unidades necessárias mas apenas 86 foram vendidas. As restantes, com excepção de 20 unidades com destino à competição, foram destruídas conforme era regra na Citroen.
Vário factores foram determinantes na curta carreira desportiva deste carro: um orçamento limitado, aliado aos vários acidentes mortais em alguns ralis de 1986, que determinaram o fim do Grupo B no final de 1986, fizeram com que o Citroen BX 4TC fosse um projecto sem futuro para o qual já não havia tempo para que fosse desenvolvido. A Citroen estreou dois BX 4TC no Rali de Monte Carlo (Janeiro de 1986) conduzidos pelos pilotos franceses Jean-Claud Andruet e Philippe Wambergue. Ambos desistiram. O Citroen BX 4TC apenas voltaria a participar em mais dois ralis: Suécia, onde alcançou um sexto lugar e na Acrópole, onde desistiu. Cinco meses depois da estreia a Citroen retirou o carro dos ralis.
Esta é a miniatura do Citroen BX 4TC que estreou no Rali de Monte Carlo de 1986 conduzido pelo francês Jean-Claud Andruet.


O Mundial de Ralis de 1986 prometia muita emoção num campeonato em que sete marcas estavam envolvidas directamente com carros do Grupo B. Para além da Peugeot, Audi, Lancia e Austin Rover que já tinham os seus carros de Grupo B, também a Ford e a Citroen vinham desenvolvendo os seus carros para 1986, e a Porsche também aparecia agora interessada oficialmente nos ralis tendo mesmo criado o Porsche 959 para participar no Grupo B. Que acabou por não vir a acontecer, como já referir no post sobre o Porsche 959.
E o campeonato iniciou em Monte Carlo, com a Citroen a estrear o BX 4TC. A Ford não conseguiu ter o RS 200 pronto para o início do campeonato. As várias marcas presentes tinham nas suas equipas pilotos de grande qualidade. Assim: na Peugeot o finlandês Timo Salonen (campeão de 1985), Juha Kankkunen (finlandês contratado à Toyota), Bruno Saby (francês) e Michelle Mouton (francesa); na Audi estavam Walter Rorhl (alemão) e Hannu Mikkola (finlandês); na Lancia os finlandeses Markku Alen e Henri Toivonen e Massimo Biasion (italiano); na Austin Rover os ingleses Tony Pond e Malcolm Wilson; e na Citroen os franceses Jean-Claud Andruet e Philippe Wambergue.
O Rali de Monte Carlo foi disputado com pouca neve, o que tornou a escolha dos pneus muito mais difícil. Os pneus Pirelli adaptaram-se melhor do que os Michelin. A luta pela vitória foi reduzida à Lancia e à Peugeot. Henri Toivonen dominou o rali e ainda teve um contratempo que lhe destruiu a frente do Lancia Delta S4. Mas os mecânicos reconstruíram o carro a tempo de recuperar a liderança e vencer o rali. Timo Salonen, segundo classificado, nada conseguiu fazer para impedir a vitória de Toivonen. A Audi ficou em terceiro e quarto lugar, com Mikkola e Rohrl, por esta ordem. Kankkunen (Peugeot) foi quinto e Saby (Peugeot) foi o sexto. Os Citroen BX 4TC desistiram. E os MG Metro 6R4 também não terminaram.
(continua)

04 maio 2007

Citroen Visa 1000 Pistes - J.-C. Andruet - A. Peuvergne (Rali de Monte Carlo de 1985)

Esta miniatura é da marca IXO.
Antes de atingir o recente sucesso nos ralis, a Citroen foi participando com relativa regularidade no mundial de ralis. Já foram abordados aqui, no Quatro Rodinhas, outros modelos da Citroen, que conseguiram algumas vitórias nos ralis, tais como o Citroen ID20 e o Citroen DS21, modelos que fazem parte da história da Citroen nos ralis. Este modelo da Citroen, que hoje apresento, embora não tenha conseguido nenhuma vitória no mundial de ralis é um carro com algum interesse histórico nos ralis.
A história deste modelo começa quando a Citroen tenta, com base no Visa Chrono, criar um carro de ralis de baixo custo para que os pilotos amadores pudessem participar nos ralis com um carro do Grupo B. O Visa Chrono foi todo alterado, a chaparia em aço foi substituída por plástico! para se evitar a utilização de materiais mais caros e, mesmo, os vidros laterais foram trocados por plástico. No motor de 1360 cc foram colocados dois enormes carburadores conseguindo assim atingir os 145 cavalos de potência para um carro que pesava cerca de 850 kg. Para completar, o Visa Chrono foi dotado de quatro rodas motrizes. Estava criado o Citroen Visa 1000 Pistes. Foi sem dúvida uma interessante e criativa maneira da Citroen criar um carro do Grupo B por um custo muito inferior ao das outras marcas. Como é óbvio, julgo que a Citroen não esperava grandes resultados desportivos.
O Citroen Visa 1000 Pistes estreou-se no Safari de 1984 e conseguiu no Rali de Monte Carlo de 1985 uma das melhores classificações no mundial de ralis. Em 1987 um Citroen Visa 1000 Pistes conseguiu ficar na sexta posição no Rali de Monte Carlo mas como era um carro do Grupo B, que tinha sido abolido no final de 1986, a sua classificação não contou para o campeonato.
Esta é a miniatura do Citroen Visa 1000 Pistes com o qual o francês Jean-Claude Andruet obteve a oitava posição no Monte Carlo de 1985.

(continuação)
No Rali da Suécia, Ari Vatanen (finlandês) somou outra vitória e aumentou para cinco, as vitórias consecutivas ao volante do Peugeot 205 Turbo 16. Vatanen dominou o rali sueco, nem Rohrl (alemão) nem Blomqvist (sueco), ambos da Audi, conseguiram oferecer resistência ao Peugeot do finlandês. Rorhl abandonou e Blomqvist o melhor que conseguiu foi ficar em segundo lugar. Timo Salonen (finlandês), que estava a aproveitar a oportunidade que a Peugeot lhe deu para relançar a sua carreira, obteve a terceira posição repetindo assim a classificação conseguida no Rali de Monte Carlo. Vatenen liderava o mundial com 40 pontos e Salonen era segundo com 24 pontos. Estavam decorridas duas provas do campeonato e a próxima era o Rali de Portugal.
(continua)

11 novembro 2006

Alpine-Renault A110 - J.C. Andruet - "Biche" (Rali de Monte Carlo de 1973)

Esta miniatura pertence à colecção 100 Anos de Desporto Automóvel.
O Alpine-Renault A110 é, na minha opinião, um dos mais belos carros de ralis tendo sido dos primeiros carros a ser concebido a pensar na competição automobilística. A Alpine era uma empresa privada que se dedicava a alterar, com sucesso, alguns modelos da Renault para as competições. Em 1962 deu-se a associação definitiva entre a Alpine e a Renault. Esta associação durou mais de três décadas. O primeiro modelo que saiu da associação entre a Renault e a Alpine foi precisamente o Alpine Renault A110 com 956cc e 51 cv de potência. Desde o seu lançamento, em 1962 e ao longo dos anos que esteve em produção houve algumas evoluções mas as melhorias mais significativas deram-se ao nível da potência. Em 1974, o Alpine-Renault A110 tinha 1800cc e 180cv de potência. O Alpine-Renault A110 foi conduzido ao longo dos anos por pilotos de elevada qualidade, tais como, Jean-Claude Andruet, Jean-Luc Thérier, Ove Andersson, Jean-Pierre Nicolas e Bernard Darniche, entre outros. O Alpine-Renault obteve várias vitórias: em 1970 J.-L.Thérie venceu os ralis de San Remo e da Acrópolis, a Alpine-Renault termina o campeonato em segundo lugar com 26 pontos atrás da Porsche que é campeã com 28 pontos; em 1971 é campeã com 36 pontos, vencendo quatro ralis, sempre com O. Andersson: Monte Carlo, San Remo, os Alpes Austríacos e Acrópolis; o ano de 1972 é negro para a Alpine-Renault que fica em 17º lugar apenas com 7 pontos.
A temporada de 1973 foi a primeira do Campeonato do Mundo de Ralis para marcas. Para o efeito foram incluídos mais ralis: Portugal, Polónia, Finlândia e Córsega. O campeonato de 1973 foi disputado ao longo de 13 ralis. No entanto apenas uma equipa, a Alpine-Renault, manifestou a intenção de participar em todas as provas, talvez para tentar “apagar” o mau ano de 1972. As outras marcas resolveram participar apenas nos ralis que mais convinham aos seus modelos. Assim não é de estranhar que a Alpine-Renault tenha conquistado o campeonato de 1973 perante os reduzidos programas das outras equipas. No final do campeonato, a Alpine-Renault sagrou-se, merecidamente, campeã com 147 pontos (6 vitórias) à frente da Fiat com 84 pontos (1 vitória). As restantes vitórias ficaram assim distribuídas: 2 vitórias para a Ford; a Saab, a Datsun, a BMW e a Toyota venceram, cada uma, um rali.
A miniatura do Alpine-Renault A110 que apresento é do Rali de Monte Carlo de 1973 com o qual Jean-Claude Andruet (francês) venceu o primeiro rali do primeiro Campeonato do Mundo de Ralis.
Para o Rali de Monte Carlo de 1973, a Alpine-Renault preparou uma equipa quase imbatível, de tal maneira que a vitória foi decidida entre os pilotos da Alpine-Reanult, dos seis primeiros classificados 5 eram Alpine-Renault apenas o quarto classificado era um Ford Escort. A Alpine-Renault venceria ainda o Rali de Portugal (J.-L. Thérier), o Rali de Marrocos (B. Darniche), o Rali Acrópolis (J.-L. Thérier), o Rali de San Remo (J.-L. Thérier) e a Volta à Córsega (J.-P. Nicolas). Se nesse ano já existisse o campeonato mundial para pilotos, o vencedor teria sido J.-L. Thérier.
Jean-Claude Andruet (francês) começou a sua carreira na década de 60 e ainda vai participando em algumas provas. Venceu vários ralis ao longo da sua carreira: Volta à Córsega (1968, 1972 e 1975), Rali de Monte Carlo (1973) e o Rali de San Remo (1977). Foi campeão francês de ralis com o Alpine-Renault A 110 em 1968 e 1970 e campeão europeu de ralis de 1970 também com o Alpine-Renault A110. Ao longo da sua carreira guiou para várias equipas: Alpine-Renault, Alfa Romeo, Lancia, Fiat, Ferrari e Citroen.