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20 agosto 2023

Brabham BT52B - Nelson Piquet (1983)

Esta miniatura pertence à colecção da Altaya “Lendas Brasileiras do Automobilismo” (Fasc. Nº 15).
O Brabham BT52B de 1983 estreou no GP da Grã-Bretanha, a nona prova do campeonato. Na verdade era uma evolução do BT52, modelo que tinha sido utilizado pelos pilotos da Brabham, o brasileiro Nelson Piquet e o italiano Riccardo Patrese, nas oito primeiras provas do campeonato de 1983 e tendo vencido apenas o GP do Brasil, conseguindo dois segundos lugares e dois quartos lugares, sempre com Piquet, já que Patrese desistiu sempre nessas 8 primeira provas do ano. O BT52 não conseguiu nenhuma pole-position contudo alcançou 3 melhores voltas: duas com Piquet e uma com Patrese. No final do campeonato de 1982, com todos os incidentes e mortes envolvidas nesse ano, a FIA optou por proibir os ditos carros "asa" que vinham beneficiando do efeito solo com os pontões laterais dos carros que geravam um efeito de "sucção" do carro na pista. Com esta alteração dos regulamentos todas as equipa tiveram que alterar os seu projectos por completo. A Brabham, que já tinha o carro pronto para 1983 segundo as regras de 1982, teve que recomeçar do zero e num prazo recorde conseguiu desevolver um modelo novo segundo os novos regulamentos para o campeonato de 1983.
 
Assim, seguindo as novas regras e aproveitando o facto de os carros poderem ser reabastecidos durante as provas, Gordon Murray, o engenheiro sul africano da Brabham, desenvolveu o Brabham BT52 em tempo recorde para o inicio do campeonato de F1 de 1983.
Com esses princípios em mente o novo BT52 utilizava um potente motor turbo da BMW e como estava previsto o reabastecimento durante as provas o tanque de combustível era menor logo o peso do carro também era menor o que permitia a utilização dos pneus mais macios e aderentes da Michelin. O brasileiro Nelson Piquet, campeão em 1981, voltava a ter um monolugar com condições de lutar contras as poderosas equipas da Ferrari e Renault. Sensivelmente a meio do campeonato surgiu a evolução do Brabham BT52 que se designava por BT52B com melhorias a nível mecânico e aerodinâmico, sendo que as mudanças mais visíveis eram a troca das cores azul e branca: onde era azul no BT52 passava a branco no BT52B e onde era branco no BT52 passava a azul no BT52B; e na asa traseira do monolugar que agora era maior com umas pequenas "orelhas".

A miniatura que hoje apresento é o Brabham BT52B com o qual Nelson Piquet venceu o GP da Europa de 1983, penúltima prova do campeonato disputada no circuito de Brands Hatch (Inglaterra). Com esta vitória Nelson Piquet ficava apenas a dois pontos do lider do campeonato, o francês Alain Prost (Renault), ficando a faltar uma corrida para o fim do campeonato.
Nelson Piquet nasceu no Rio de Janeiro, Brasil, a 17 de Agosto de 1952. Com 14 anos começa a participar em provas de kart com um nome falso para não ter problemas com a família. No início da década de 70 surgem os primeiros títulos de kart e em 1976 sagra-se campeão na
Formula Super Vê brasileira. Com as portas abertas nos campeonatos europeus, alcança em 1978 o título de campeão na Formula 3 britânica. Ainda nesse ano de 1978, Nelson Piquet conseguiu efectuar a estreia na F1 na equipa Ensign, no GP da Alemanha. Imediatamente a seguir, Piquet passa para a McLaren onde efectua 3 provas (Austria, Holanda e Italia). Ainda em 1978, Nelson Piquet assina pela Brabham, aonde passaria vários anos, tendo uma relação de sucesso com a equipa de Bernie Ecclestone. Em 1979 faz equipa com Niki Lauda
(áustriaco) na Brabham e passa a primeiro piloto da equipa quando áustriaco resolve abandonar a F1 no GP do Canada. Nesse ano o melhor resultado foi um quarto lugar no GP da Itália, os seus primeiros pontos da carreira na F1. No ano seguinte, 1980, a Brabham já com motores Ford Cosworth (os motores Alfa Romeo foram substituídos a duas provas do fim do campeonato de 1979), começa a obter resultados bastante superiores e Nelson Piquet alcança a sua primeira vitória na F1 no GP dos EUA West. Mais duas vitorias se seguiram nesse ano para Piquet que luta pelo título praticamente atá ao final do campeonato mas fica em segundo lugar atrás do campeão Alan Jones (australiano) em Williams. Em 1981 chega a consagração de Nelson Piquet que se sagra campeão do Mundo com 3 vitórias batendo o argentino da Williams (Carlos Reutmann) por um ponto. O ano de 1982 é um ano de transição na Brabham uma vez que as equipas estavam à procura de fornecedor de
motor turbo e no caso da Brabham a escolha recaiu sobre a BMW. Assim Nelson Piquet apenas conseguiu um vitória e ficou pela 11ª posição no campeonato. Em 1983 Nelson Piquet com a equipa Brabham já bem preparada com o motor BMW Turbo torna-se no primeiro piloto a vencer o campeonato de F1 com um carro equipado com motor turbo (3 vitórias). Os dois anos seguintes, 1984 e 1985, a Brabham começa a perder competitividade e com a grande eficácia que a McLaren começou a apresentar, Nelson Piquet não teve mais hipóteses de lutar pelo título. De tal modo que Nelson Piquet deixa a Brabham, ao fim de 7 anos de parceria, e assina pela Williams para os anos de 1986 e 1987. A Williams nesses dois anos já eram a melhor equipa na F1 e Piquet (4 vitórias) perde o título de 1986, para Alain Prost (francês) da McLaren devido às lutas internas com o seu colega de equipa Nigel Mansell (inglês) terminando o campeonato em terceiro lugar a 3 pontos de Prost. Contudo no ano de 1987, Nelson Piquet (3 vitórias) não deu qualquer hipóteses à concorrência e sagrou-se campeão pela terceira vez na F1. Descontente com o tratamento que
recebia na Williams, Piquet deixa a equipa e assina pela Lotus onde passa dois anos (1988 e 1989). No entanto a Lotus era já uma sombra da equipa de sucesso que foram uns anos antes. Piquet passa na Lotus dois anos penosos, julgando-se mesmo que estaria a um passo de terminar a sua carreira na F1. Em 1988 apenas consegue 3 quartos lugares e em 1989 não consegue podio algum, terminando os campeonatos em 6ª e 8ª lugares respectivamente. Contudo Nelson Piquet demonstrou que ainda tinha motivação para continuar na F1 e assina pela Benetton onde em dois anos (1990 e 1991) ainda conseguiu voltar às vitórias no gp's. Em 1990 vence por duas vezes e termina o campeonato em terceiro lugar. No seu último ano na F1, em 1991 obtêm uma vitória e termina o ano em sexto lugar. Ao fim de 14 temporadas, Nelson Piquet, aos 39 anos, encerra a sua carreira na F1 no final do campeonato de 1991 tendo participado em 204 gp's, venceu 23 gp's, alcançou 24 pole position e 24 melhores voltas. Obteve 60 pódios e 485,5 pontos. Sagrou-se 3 vezes campeão do mundo: 1981 (Brabham-Ford), 1983 (Brabham-BMW Turbo) e 1987 (Williams- Honda Turbo).

O campeonato de 1983 começava sob a influência do fim dos carros asas (efeito solo) e com uma divisão clara entre as equipas cujos carros utilizavam motores turbo (as principais: Renault, Ferrari e Brabham-BMW) e os que utilizavam motores aspirados (as principais: Lotus, Williams, McLaren, Tyrrell). No entanto para algumas equipas foi uma temporada de transição, como por exemplo, a McLaren (iria ter motor Porsche Turbo), a Lotus (iria ter motor Renault Turbo) e a Williams (iria ter
motor Honda Turbo). Contudo no início do campeonato utilizaram os motores Ford Cosworth DFY, enquanto não dispunham dos respetivos motores turbo.
No início do campeonato, no GP do Brasil, o brasileiro Nelson Piquet (Brabham) mostrou que iria lutar pelo título. Efectua a melhor volta da corrida e vence a prova. Foi a sua primeira vitória no Brasil. Keke Rosberg, que fez a pole-position, liderou as primeiras voltas mas depois foi ultrapassado por Piquet, que ganhou tempo suficiente para ir às boxes abastecer e trocar de pneus e ainda regressar na liderança. Rosberg teve problemas, quando parou na box, devido a um incêndio. Rosberg saiu do carro e voltou a entrar quando o incêndio foi extinto. Ainda recuperou para terminar na segunda posição mas depois da prova foi desclassificado porque foi empurrado na box. O segundo lugar de Rosberg não contou para a classificação. O austríaco Niki Lauda (McLaren) terminou na terceira posição.
No GP de Long Beach (EUA), realizado num circuito citadino, a McLaren consegue uma dobradinha. O
irlandês John Watson e Niki Lauda efetuaram uma recuperação brilhante. Partiram da 22ª e 23ª posição da grelha de partida e terminaram nos dois primeiros lugares! Julgo que seja a maior recuperação da história da Formula 1. Foi o ponto alto da McLaren no ano que não voltou a vencer. Apenas mais dois terceiros lugares ao longo do ano. René Arnoux (francês), agora na Ferrari, terminou em terceiro lugar.
No GP da França, Alian Prost (Renault), correndo em “casa”, aproveita para dominar a prova: pole-position, melhor volta e vitória. Piquet (Brabham) termina em segundo lugar e Eddie Cheever (americano) leva o segundo Renault ao terceiro lugar.
No GP de San Marino, a Ferrari vence pela primeira vez este ano. Patrick Tambay (francês) vence o seu segundo e último GP da sua carreira. Prost (Renault) termina em segundo lugar e Arnoux é terceiro no outro Ferrari.
No GP do Mónaco, visto que na véspera da corrida tinha chovido, a pista estava molhada e as equipas dividiram-se na decisão de utilizar pneus para chuva ou “slicks”. Rosberg (Williams) optou pelo “slicks”, decisão que se veio a revelar a mais acertada. Keke efectua um excelente arranque e passa de 5º para 1º ainda na primeira volta, afastando-se de Prost que tinha feito a pole-postion. Jacques Laffite (francês), que também iniciou de “slicks”, aproveitou a paragem nas boxes dos adversários (para mudança de pneus) e coloca-se em segundo lugar. Durante várias voltas os dois Williams ocuparam os dois primeiros lugares. Rosberg vence a prova, Laffite teve que abandonar com problemas na caixa de velocidades e Piquet (Brabham) fica com o segundo lugar. Prost terminou na terceira posição. A McLaren não conseguiu qualificar nenhum carro para a corrida!
Após cinco provas, Piquet liderava o campeonato com 21 pontos seguido de Prost com 19. A Ferrari era líder, nas marcas, com 25 pontos e a Renault esta em segundo lugar com 23 pontos.
No GP da Bélgica, o francês Alain Prost (Renault) consegue um bom resultado. Faz a pole-position e vence a corrida. Nelson Piquet (brasileiro), seu directo adversário no campeonato, não consegue melhor que um 4º lugar com o Brabham. Patrick Tambay (Ferrari) é segundo e Eddie Cheever (Renault) é o terceiro.
Em Detroit, o segundo GP dos EUA no campeonato, Michele Alboreto vence, com o Tyrrell aspirado, contra a concorrência dos turbos. Keke Rosberg (Williams) e John Watson (McLaren) foram o segundo e terceiro classificados, respectivamente. Também com carros equipado com o motor Ford Cosworth. Foi a 155ª e última vitória do motor Ford Cosworth (DFV e DFY), que esteve em actividade durante 19 anos (1967 a 1985)!
No GP do Canadá, René Arnoux (francês) vence com o Ferrari e o seu colega de equipa, Patrick Tambay (francês), fica em terceiro lugar. Eddie Cheever (americano) fica em segundo lugar. Prost é apenas quinto e Piquet não pontua.
Na Grã-Bretanha, Prost (Renault) vence, Piquet (Brabham) é segundo e Tambay (Ferrari) é o terceiro. Os três primeiros passaram pela liderança mas no fim foi Prost quem acabou por vencer.
No GP da Alemanha, a Ferrari, em boa forma, domina a prova. Arnoux faz a melhor volta e vence, Tambay faz a pole-position mas abandona na corrida. O italiano, Andrea de Cesaris, da Alfa Romeo faz uma boa corrida e termina em segundo lugar. Riccardo Patrese (Brabham) foi o terceiro.
Nesta altura, com 10 corridas efectuadas, Prost liderava nos pilotos com uma vantagem de 9 pontos sobre Piquet. A Ferrari, que era líder nas marcas, tinha mais 2 pontos que a Renault.
No GP da Áustria, foi Alain Prost (francês) que acabou por levar a melhor depois dos outros candidatos ao título (Arnoux, Piquet e Tambay) também terem liderado a prova. Prost (Renault) foi o primeiro, Arnoux (Ferrari) o segundo e Piquet (Brabham) o terceiro.
No GP da Holanda, Eddie Cheever (americano) realiza uma fantástica partida. Saindo da 11ª posição da grelha, Cheever (Renault) consegue, na largada, chegar à segunda posição logo atrás de Piquet que fez a pole-postion. Piquet liderou durante 40 voltas sendo seguido de Prost, até que o francês se envolve num acidente com o brasileiro. Os dois tiveram que abandonar. A Ferrari foi a mais beneficiada porque colocou os dois pilotos nas duas primeiras posições. Arnoux vence e Tambay é segundo. Foi a primeira e única dobradinha da Ferrari nesse ano. Aliás, além da Ferrari, só a McLaren já tinha conseguido uma dobradinha nesse ano, no GP de Long Beach. Foram as únicas dobradinhas desse ano. A McLaren
estreou na Holanda o novo motor Porsche turbo.
No GP de Itália, Alain Prost, que era o líder no campeonato, volta a não pontuar devido a problemas no turbo e Piquet aproveita para reduzir a distância no campeonato. Piquet lidera praticamente desde o início e vence a prova italiana seguido de Arnoux e de Cheever.
No GP da Europa, em Brands Hatch, Nelson Piquet volta a vencer Alain Prost, que foi o segundo, reduzindo para 2 pontos a distância no campeonato. Nigel Mansell (inglês), com o Lotus, consegue um excelente terceiro lugar, o melhor resultado da Lotus nesse ano.
No último GP do ano, na Africa do Sul, com dois pontos de atraso em relação a Prost, se Piquet vencesse era campeão independentemente do resultado do francês. Arnoux ainda tinha (poucas) hipóteses de vencer mas estava já a 8 pontos de Prost. Neste final de campeonato, a Brabham e Piquet estavam em excelente forma. Piquet largou da segunda posição e logo ganhou a liderança da corrida sendo seguido por Patrese (Brabham). Prost ainda chegou ao terceiro lugar mas a Renault falhou no momento decisivo. Na 35ª volta o turbo do Renault de Prost falhou e Piquet sem o seu adversário em pista começou a gerir o esforço do Brabham. Piquet deixou Patrese passar para a liderança e a pensar mais no título terminou a corrida em terceiro lugar, conquistando os pontos suficientes para ser campeão. Patrese venceu a corrida e Andrea de Cesaris (italiano) levou o Alfa Romeo ao segundo lugar. Niki Lauda (austríaco) estava em segundo lugar, quando a 6 voltas do fim, teve que abandonar com problemas eléctricos no seu McLaren Tag Porsche. Seria um prenúncio para a temporada de 1984? Novas alterações estavam anunciadas para 1984: proibição dos reabastecimentos, combustível limitado aos 220 litros e peso mínimo de 540 kg.
Nelson Piquet sagrou-se campeão com 3 vitórias e 59 pontos, Prost foi o vice campeão com 4 vitórias e 57 pontos. A Ferrari foi novamente campeã com 4 vitórias e 89 pontos e a Renault, também aqui perdeu o título, ficou em segundo com 4 vitórias e 79 pontos. A Brabham terminou em terceiro lugar com 4 vitórias e 72 pontos.

Os pilotos do Brabham BT52B em 1983 foram: #5 Nelson Piquet e #6 Riccardo Patrese.
Vitórias: 3 (N. Piquet: 2; R. Patrese: 1)
*Piquet ganhou mais 1 GP com BT52
Pole-Postion: 2 (N. Piquet: 1; R. Patrese: 1)
Melhores voltas: 2 (N. Piquet: 2)
* Piquet conseguiu mais 2 MV com o BT52 e Patrese conseguiu 1 MV com o BT52

06 outubro 2007

Williams FW11 - Nelson Piquet (1986)

Esta miniatura é da marca Minichamps. Belíssima miniatura do Williams FW11 que Nelson Piquet utilizou no campeonato de 1986.
A Williams terminou o ano de 1985 em grande forma ao vencer os três últimos GP’s da temporada. Julgo que para a opinião geral era mesmo a grande favorita para 1986.
Aproveitando a alteração imposta para 1986, que foi a redução do consumo de combustível de 220 litros para 195 litros por GP, a Williams e a Honda (fornecedora de motores à equipa de Frank Williams), trabalharam em conjunto para construir um carro com um centro de gravidade mais baixo. Os japoneses construíram um novo motor que com menos combustível era mais potente que o do ano transacto. Outra alteração na equipa foi a entrada do piloto brasileiro Nelson Piquet, que vinha da Brabham, e a saída do finlandês Keke Rosberg para a McLaren. O britânico Nigel Mansell manteve-se na equipa.
Antes do início da época, Frank Williams sofre um grave acidente de viação que o deixou tetraplégico e cuja recuperação o afastou da equipa durante o ano todo. Patrick Head assumiu as funções da Frank Williams enquanto este recuperava. Muitos especialistas consideram que se Frank Williams não tivesse tido o acidente que o afastou da liderança da equipa, a Williams não teria perdido o campeonato de pilotos. Na minha opinião, a Williams perde o campeonato de pilotos quando no GP da Áustria nenhum dos seus carros termina a corrida.
O chassis do Williams FW11 era um monobloco em fibra de carbono e kevlar, com uma caixa de 6 velocidades. O motor era o Honda RA 166E de 1496 cc com uma potência média de 900 cavalos.
O Williams FW11 veio elevar ainda mais os níveis de eficácia que o McLaren MP4-2 demonstrara em 1984 e o MP4-2B em 1985. Este facto não deixa se ser surpreendente se tivermos em consideração que 1984 eram permitidos 250 litros de combustível por corrida que depois passou para 220 litros em 1985 e 195 litros para 1986 mas mesmo assim os recordes continuaram a ser batidos...


1986 – O Campeonato
No primeiro GP do ano, no Brasil, Nelson Piquet teve o melhor início de campeonato que poderia desejar. Consegue a vitória em frente ao seu público. O Brasil vibrou ainda mais com o segundo lugar do brasileiro Ayrton Senna (Lotus). Pela segunda vez na história do GP do Brasil dois brasileiros ocupavam os dois primeiros lugares do pódio. Piquet ainda beneficiou das desistências de Mansell (Williams) e Alain Prost (McLaren).
No regresso da Formula 1 a Espanha, após 4 anos de ausência, assistiu-se a um duelo espectacular entre Ayrton Senna (Lotus) e Nigel Mansell (Williams). Foi uma reedição do GP da Áustria de 1982, no qual Elio de Angelis, num Lotus, venceu Keke Rosberg, num Williams, por menos de 1 segundo. E a Williams voltou a perder. Nelson Piquet abandonou a meio da corrida. Por outro lado, Senna esteve fantástico e a sua estratégia resultou da melhor forma. A corrida só foi decidida nos últimos instantes. Quando Mansell chegou à liderança, depois de ultrapassar Senna, começou a sentir problemas de aderência. Isso obrigou o britânico a uma paragem nas boxes para mudar de pneus. De regresso à pista, Mansell lançou-se numa espectacular perseguição ao Lotus de Senna. Ainda perdeu alguns segundos para passar o francês Alain Prost (McLaren), esses segundos perdidos revelaram-se fatais no final. Senna conseguiu resistir aos ataques de Mansell nas últimas voltas e bateu o britânico na linha da meta por uns escassos 14 milésimos de segundo. Senna vencia assim o seu terceiro GP da carreira. E de que maneira...
Depois de abandonar no Brasil e de ter sido terceiro em Espanha, Alain Prost chegou ao GP de San Marino sob alguma pressão. Caso tivesse um resultado negativo via os seus mais directos adversários afastarem ainda mais no campeonato. Aliado a isto, o GP de San Marino não trazia boas recordações para o francês... no ano anterior venceu mas foi posteriormente desclassificado porque o seu McLaren pesava menos do que era permitido. E já se sabia que San Marino era um GP crítico do ponto de vista do consumo.
Piquet (Williams) liderou as primeiras 28 voltas mas um problema de embraiagem dificultou-lhe o resto da corrida. Keke Rosberg (McLaren) ultrapassou Piquet e assumiu a liderança seguido de Prost (McLaren). Quatro voltas depois, foi Prost quem assume o primeiro lugar ao passar Rosberg. A duas voltas do fim Rosberg abandona com falta de combustível e na volta final Prost é obrigado a ziguezaguear para que o escasso combustível não falte. Só assim consegue cortar a linha de chegada em primeiro. Piquet foi o segundo e o austríaco Gerhard Berger (Benetton) foi o terceiro.
Quinze dias depois de San Marino chegamos ao Mónaco. Após as duas primeiras corridas do ano, com fracas prestações do seu McLaren, Alain Prost, de certo, não esperaria sair do Mónaco na liderança do campeonato. Mas foi isso que aconteceu.
No GP do Mónaco, a McLaren demonstrou à Williams que tinham que contar com a oposição da equipa de Ron Dennis. De facto, a Williams era a favorita mas Alain Prost dominou praticamente a corrida toda. À pole-position conquistada juntou-lhe a vitória e a melhor volta da corrida. E Keke Rosberg completou o “ramalhete” para a McLaren ao ficar em segundo lugar e assim dar à equipa a única dobradinha do ano. Ayrton Senna, que ainda liderou 7 voltas, foi o terceiro.
Após 4 GP’s, Prost era o primeiro com 22 pontos e Senna o segundo com 19 pontos. A McLaren liderava com 33 pontos e a Williams era segunda com 24 pontos.

(continua)

Os pilotos do Williams FW11 em 1986 foram: Nelson Piquet e Nigel Mansell.
Vitórias: 9 (N. Piquet: 4; N. Mansell: 5)
Pole-position: 4 (N. Piquet: 2; N. Mansell: 2)
Melhor volta : 11 (N. Piquet: 7; N. Mansell: 4)

13 julho 2007

Brabham BT52 - Nelson Piquet (1983)

Esta miniatura pertence à colecção Grand Prix Mitos da Formula 1.
O brilhante Brabham BMW BT52, concebido pelo genial Gordon Murray (sul africano), foi o último carro da Brabham a conquistar um título mundial na Formula 1 tendo Nelson Piquet (brasileiro) se sagrado campeão do mundo, o primeiro com um carro equipa com motor turbo.
Quando se decidiu a proibição do efeito solo para a temporada de 1983, Gordon Murray já tinha o Brabham BT51 preparado e melhorado e pronto para esse ano. Os novos regulamentos vieram deitar todo esse trabalho por terra e Murray viu-se na contingência de ter de criar um novo modelo. E assim, seguindo os novos regulamentos técnicos, nascia o Brabham BT52 equipado com motor BMW turbo. Com a obrigatoriedade do fundo plano que acabava com o efeito solo, os pontões laterais ficavam bastante recuados e a forma do aileron dianteiro fazia com que o Brabham BT52 se assemelhasse a uma flecha. Outra das características do BT52 era o depósito de combustível de reduzidas dimensões porque Murray tinha estudado, como estratégia da corrida, a paragem durante a corrida para reabastecimento. Isto permitia que o carro estivesse mais leve durante a corrida e a utilização de pneus de compostos mais aderentes e macios.
No meio da temporada de 1983 (no GP da Grã-Bretanha), o BT52 foi ainda melhorado passando a designar-se BT52B, que obteve melhores resultados. As diferenças não era visíveis externamente sendo a distinção feita pelas cores que era invertidas no BT52B, isto é, onde era azul no BT52 passava a branco no BT52B e onde era branco no BT52 passava a azul no BT52B.
Contudo, a Brabham, na parte final do campeonato que coincidiu com a sua melhor forma, esteve envolvida numa polémica relacionada com os combustíveis que utilizou sendo acusada de ultrapassar os limites permitidos de octanas.
“A BMW trabalhou em conjunto com a Wintershall, filiada à BASF, e produziu um combustível notável que literalmente varreu a concorrência no final de 1983. A FISA declarou que o combustível estava dentro das regulamentações. Anos depois, foi revelado que o combustível utilizado naquele Outono era na realidade bem semelhante a combustível para foguetes.” In revista Formula 1 50 Anos Dourados.

(continuação)
No GP da Áustria, foi Alain Prost (francês) que acabou por levar a melhor depois dos outros candidatos ao título (Arnoux, Piquet e Tambay) também terem liderado a prova.
Prost (Renault) foi o primeiro, Arnoux (Ferrari) o segundo e Piquet (Brabham) o terceiro.
No GP da Holanda, Eddie Cheever (americano) realiza uma fantástica partida. Saindo da 11ª posição da grelha, Cheever (Renault) consegue, na largada, chegar à segunda posição logo atrás de Piquet que fez a pole-postion. Piquet liderou durante 40 voltas sendo seguido de Prost, até que o francês se envolve num acidente com o brasileiro. Os dois tiveram que abandonar. A Ferrari foi a mais beneficiada porque colocou os dois pilotos nas duas primeiras posições. Arnoux vence e Tambay é segundo. Foi a primeira e única dobradinha da Ferrari nesse ano. Aliás, além da Ferrari, só a McLaren já tinha conseguido uma dobradinha nesse ano, no GP de Long Beach. Foram as únicas dobradinhas desse ano. A McLaren estreou na Holanda o novo motor Porsche turbo.
No GP de Itália, Alain Prost, que era o líder no campeonato, volta a não pontuar devido a problemas no turbo e Piquet aproveita para reduzir a distância no campeonato. Piquet lidera praticamente desde o início e vence a prova italiana seguido de Arnoux e de Cheever.
No GP da Europa, em Brands Hatch, Nelson Piquet volta a vencer Alain Prost, que foi o segundo, reduzindo para 2 pontos a distância no campeonato. Nigel Mansell (inglês), com o Lotus, consegue um excelente terceiro lugar, o melhor resultado da Lotus nesse ano.
No último GP do ano, na Africa do Sul, com dois pontos de atraso em relação a Prost, se Piquet vencesse era campeão independentemente do resultado do francês. Arnoux ainda tinha (poucas) hipóteses de vencer mas estava já a 8 pontos de Prost. Neste final de campeonato, a Brabham e Piquet estavam em excelente forma. Piquet largou da segunda posição e logo ganhou a liderança da corrida sendo seguido por Patrese (Brabham). Prost ainda chegou ao terceiro lugar mas o Renault falhou no momento decisivo. Na 35ª volta o turbo do Renault de Prost falhou e Piquet sem o seu adversário em pista começou a gerir o esforço do Brabham. Piquet deixou Patrese passar para a liderança e a pensar mais no título terminou a corrida em terceiro lugar, conquistando os pontos suficientes para ser campeão. Patrese venceu a corrida e Andrea de Cesaris (italiano) levou o Alfa Romeo ao segundo lugar. Niki Lauda (austríaco) estava em segundo lugar, quando a 6 voltas do fim, teve que abandonar com problemas eléctricos no seu McLaren Tag Porsche. Seria um prenúncio para a temporada de 1984? Novas alterações estavam anunciadas para 1984: proibição dos reabastecimentos, combustível limitado aos 220 litros e peso mínimo de 540 kg.
Nelson Piquet sagrou-se campeão com 3 vitórias e 59 pontos, Prost foi o vice campeão com 4 vitórias e 57 pontos. A Ferrari foi novamente campeã com 4 vitórias e 89 pontos e a Renault, também aqui perdeu o título, ficou em segundo com 4 vitórias e 79 pontos. A Brabham terminou em terceiro lugar com 4 vitórias e 72 pontos.

Os pilotos do Brabham BT52 em 1983 foram: Nelson Piquet e Ricardo Patrese.
Vitórias: 1 (N. Piquet: 1) + 3 vitórias do BT52B
Pole-position: 0 + 2 poles do BT52B
Melhor volta : 3 (N. Piquet: 2; R. Patrese: 1) + 2 m. voltas do BT52B

29 maio 2007

Brabham BT49C - Nelson Piquet (1981)

Esta miniatura pertence à colecção Grand Prix Mitos da Formula 1.
Segundo reza a história do Brabham BT49C, este modelo terá sido construído num tempo recorde de seis semanas. O responsável pelo BT49 foi o engenheiro Gordon Murray (sul-africano), um dos mais geniais criativos que a Formula 1 já teve.
E esse génio estava presente no Brabham BT49. Depois do Brabham BT46B (Fancar = carro ventoinha), Murray criou o BT49 em 1979. Ainda foi utilizado no final desse ano, Niki Lauda ainda o terá experimentado nos treinos do GP do Canadá de 1979, algumas horas antes de decidir abandonar a Formula 1. Em 1980 já deu mostras do seu potencial e em 1981 Nelson Piquet sagrar-se-ia campeão com o BT49C.
Este modelo da Brabham representou também o regresso da equipa de Bernie Ecclestone aos motores Ford Cosworth DFV por troca dos motores Alfa-Romeo.
Em 1981, com as abas (“saias”) móveis proibidas e uma altura obrigatória de 6 cm do carro ao solo, o que limitava o efeito solo dos carros asa, optou-se por colocar essas abas mas fixas. O Brabham BT49C também utilizava essas abas fixas e Gordon Murray inventou um sistema hidráulico que mantinha o carro, quando este estava parado, nas verificações técnicas, com uma altura de 6 cm ao solo mas quando estava em andamento o carro era empurrado pela velocidade para o solo. Murray, genialmente, tinha contornado os regulamentos, continuando a obter as vantagens do efeito solo. Os regulamentos obrigavam, também, que o carro tivesse um peso mínimo de 585 kg. Como o Brabham BT49C, que utilizava agora o motor Ford, que era mais leve que o Alfa-Romeo, e utilizava muitos materiais em fibra de carbono, o carro era muito mais leve, quer devido a esses materiais que eram mais leves e quer devido aos depósitos de combustível mais pequenos (o motor Ford era menos “guloso” que o Alfa-Romeo) logo isso representava menos peso em combustível, assim o BT49C não respeitava a regulamentação do peso mínimo autorizado (tinha menos 25 kg). O génio de Gordon Murray entrou, mais uma vez, em funcionamento para resolver este problema... Colocou uns depósitos com água como lastro para atingir o peso mínimo autorizado. A explicação dada para a existência desses depósitos de água foi que “serviam de refrigeração dos travões por pulverização”... Na realidade e ao fim de algumas voltas, a água tinha desaparecido, o carro corria assim mais leve durante a corrida. No final da prova, como os regulamentos o permitiam, essa água era reposta nos depósitos antes da pesagem. Brilhante!!

(continuação)
No GP da França, numa corrida com muita chuva e duas partidas, Alain Prost (Renault) consegue a sua primeira vitória na Formula 1 e logo em casa. John Watson (McLaren) ficou em segundo lugar e Piquet (Brabham) foi o terceiro.
No GP da Grã-Bretanha, o irlandês da McLaren, John Watson, tornou-se no primeiro piloto, e a McLaren a primeira equipa, a vencer uma prova com um carro de chassis totalmente em fibra de carbono. Foi a primeira vitória de Ron Dennis como dono da McLaren. E a McLaren voltava a vencer um GP, a última vitória tinha sido no GP do Japão em 1977. O argentino Carlos Reutemann (Williams) e o francês Jacques Laffite (Ligier) ficaram na segunda e terceira posição. A seis provas do fim do campeonato, Reutemann liderava com 17 pontos de vantagem sobre Piquet.
Na Alemanha, Nelson Piquet (Brabham) consegue recuperar ao vencer o GP e beneficiou do abandono de Reutemann (Williams). Prost (Renault) e Laffite (Ligier) completaram o pódio, por esta ordem.
No GP da Áustria, os dois lugares mais altos do pódio são ocupados por franceses, Jacques Laffite (Ligier) é o primeiro, René Arnoux é o segundo e Nelson Piquet (Brabham) ocupa o terceiro lugar do pódio. Reutemann (Williams) é apenas quinto.
No GP da Holanda, Alain Prost vence a sua segunda corrida da carreira na Formula 1, Nelson Piquet fica em segundo lugar e Alan Jones (Williams) é terceiro classificado. Piquet ao beneficiar do abandono de Reutemann alcança o argentino da Williams na liderança do campeonato. Faltavam 3 corridas.
No GP de Itália, Piquet (Brabham) apenas consegue terminar no sexto lugar. Prost (Renault) vence novamente, seguido dos pilotos da Williams, com Jones em segundo e Reutemann em terceiro lugar. Reutemann ficava com mais três pontos que Piquet no campeonato. Mas se aqui a Williams tem utilizado o jogo de equipa com Jones a ceder o lugar a Reutemann, talvez o desfecho do campeonato fosse diferente. Optou-se por não o fazer e isso foi fatal para as aspirações de Reutemann ao título.
No GP do Canada, Jacques Laffite (Ligier) vence pela segunda vez nesse ano e mantêm aspirações ao título, Watson (McLaren) fica em segundo lugar e o canadiano Gilles Villeneuve (Ferrari) é terceiro. Piquet (Brabham) é quinto, soma dois pontos e fica a um ponto de Reutemann, que não pontuou. A Williams sagra-se campeã nos construtores pela segunda vez consecutiva.
Na última corrida do ano, em Las Vegas, num ridículo circuito no estacionamento de um casino, três pilotos ainda podiam ser campeões: Reutemann (49 pontos), Piquet (48 pontos) e Laffite (43 pontos). Carlos Reutemann fez a pole-position mas foi-lhe atribuído outro chassis. Com um carro que não tinha guiado e com uma escolha de pneus errada, Reutemann debateu-se durante a corrida com um carro inseguro, com muitas vibrações. Terminou fora dos pontos. Nelson Piquet termina em quinto lugar, soma dois pontos e sagra-se campeão pela primeira vez. Alan Jones (Williams) venceu a corrida, era a sua última vitória e abandona a Formula 1 mas voltaria uns anos mais tarde. Alain Prost (Renault) ficou em segundo lugar e Bruno Giacomeli (Alfa-Romeo) ficou em terceiro lugar, primeiro e único pódio do piloto italiano e primeiro pódio da Alfa-Romeo depois do último conseguido em 1951, 30 anos depois.
No campeonato de pilotos, Nelson Piquet ficou em primeiro com 50 pontos (3 vitórias), Reutemann foi o segundo com 49 pontos (2 vitórias) e Jones foi o terceiro com 46 pontos (2 vitórias). Nos construtores, a Williams venceu com 95 pontos (4 vitórias) e a Brabham ficou em segundo lugar com 61 pontos (3 vitórias). Faltou à Brabham um segundo piloto que conquistasse mais pontos para a equipa.

Os pilotos do Brabham BT49C em 1981 foram: Nelson Piquet e Hector Rebaque
Vitórias: 3 (N. Piquet: 3)
Pole-position: 4 (N. Piquet: 4)
Melhor volta : 1 (N. Piquet: 1)