18 Abril 2014

Citroen C4 WRC - S. Ogier - J. Ingrassia (Rali de Portugal de 2010)


 
Esta miniatura pertence à colecção A Paixão pelo Rally – Fasc. nº 1.
Apesar de já estar em competição à três anos, o Citroen C4 WRC continuava em 2010 a dominar o panorama dos ralis. O piloto francês Sébastien Ogier, contratado pela Citroen, vinha a ser preparado para se tornar no substituto do multi campeão do mundo Sébastien Loeb (francês). A primeira vitória de Ogier no WRC aconteceu no Rali de Portugal de 2010, apenas dois anos depois da sua estreia no Mundial.
A miniatura hoje apresentada é o Citroen C4 WRC de Sébastien Ogier no Rali de Portugal de 2010 e que representa a sua primeira vitória no WRC.
O Citroen C4 WRC utilizava um motor dianteiro, transversal, de alumínio, com quatro cilindros em linha, duas árvores de cames à cabeça de 16 válvulas e turbocompressor, de 1998 cc e 315 cv de potência às 3500 rpm. A transmissão é de tracção integral com caixa sequencial X-Trac de 6 velocidades.
O 44º Rali de Portugal de 2010 contou com uma lista de 74 inscritos sendo que 51 participantes conseguiram terminar o rali depois de percorrerem os 355 km cronometrados da prova portuguesa.
Na primeira etapa do rali Sébastien Ogier teve o benefício de ser o ultimo a sair para a estrada (recorde-se que os primeiros na prova acabam por ser prejudicados pelo facto de encontrarem a estrada suja, limpando-a para os seguintes pilotos), deste modo o primeiro líder foi o espanhol Dani Sordo (Citroen) mas posterioremente Ogier conseguiu roubar-lhe a liderança. No final da primeira etapa, Ogier liderava a 26 segundos de distância de Sordo e 44 de Sébastien Loeb (Citroen). Contudo para a segunda etapa sendo o líder Sébastien Ogier iria ser o primeiro a sair para a estrada e era esperado que pudesse vir a perder a vantagem obtida e consequentemente a liderança do rali. O seu colega de equipa Sébastien Loeb esteve sempre ao ataque e foi recuperando segundos ao líder mas no final da etapa Ogier conseguiu manter a liderança na prova. Loeb era agora o segundo classificado mas ainda a 22 segundos de Ogier. Para a terceira etapa, a equipa Citroen resolveu dar liberdade aos seus pilotos para lutarem pela vitória e assim Loeb , como líder da equipa Citroen, teve que se esforçar para tentar retirar a liderança da prova ao seu colega de equipa. No entanto Ogier estava determinado a defender a primeira posição para assim alcançar a sua primeira vitória no WRC. E assim sucedeu, Loeb ficou apenas a 7 segundos de Ogier e ficou em segundo lugar. Sébastien Ogier venceu a prova portuguesa e derrotou em confronto directo o grande Sébastien Loeb. A Citroen dominou completamente o rali ao colocar 4 carros nos 5 primeiros classificados: 1º Ogier, 2º Loeb, 3º Sordo e 5º Petter Solberg; o 4º classificado foi Mikko Hirvonen (finlandês) num Ford Focus WRC.
Sébastien Ogier nasceu em França a 17 de Dezembro de 1983. A sua estreia no WRC aconteceu em 2008 no Rally do México com o Citroen C2 Super 1600. Ogier viria a vencer nesse ano o Junior World Rally Championship. Ainda nesse ano conduziu pela primeira vez num rali um carro do WRC: o Citroen C4 no Rali da Grã-Bretanha. Durante os 3 anos seguintes guiou para a Citroen: em 2009 e 2010 na equipa satélite da Citroen, a Citroen Junior Team (ainda que em 2010 tenha feito alguns ralis com a equipa principal, a Citroen Total WRT; em 2011 participa já integrado na equipa principal da Citroen. O primeiro pódio surge em 2009, um segundo lugar no Rali da Grécia. A primeira vitória acontece no ano seguinte no Rali de Portugal, ainda em 2010 vence mais um rali e termina a época no 4 lugar do campeonato. Em 2011 vence 5 ralis e termina o campeonato em 3 lugar. No final desse ano deixa a Citroen a assina pela Volkswagen, que se prepara para participar no WRC. Nesse ano de 2012, Ogier guia um Skoda Fabia S2000 enquanto prepara o Volkswagen Polo R WRC para atacar o campeonato de 2013. A época termina com Ogier, sem resultados de vulto, em 10º lugar. O ano de 2013 iria ser totalmente diferente. E assim foi. Ogier sagra-se Campeão do Mundo pela primeira vez; em 13 ralis regista 9 vitórias, 2 segundos lugares e 1 décimo sétimo lugar. Actualmente Sébastien Ogier mantém-se ainda na Volkswagen e encontra-se a disputar o campeonato de 2014. Com quatro provas já realizadas, Ogier já venceu 3 ralis e terminou em 6º lugar o outro rali. A última prova realizada em Portugal, Ogier venceu o rali pela quarta vez e conquistou a sua 19ª vitória no WRC. Sébastien Ogier volta a ser o principal candidato a vencer o mundial de 2014.

16 Fevereiro 2014

Ferrari F2007 - Kimi Raikkonen (2007)

 
Esta miniatura pertence à colecção Ferrari F1 Collection – Fasc. Nº 9.
O novo Campeonato do Mundo de F1 que vai ter início dentro de algumas semanas traz algumas interrogações que valem a pena ser colocadas. Desde já temos o regresso dos motores turbo e como é que as equipas se vão adaptar a esta nova realidade da F1. Mas o que me deixa mais curioso, e neste caso têm a ver com a miniatura que hoje vos apresento, diz respeito à equipa Ferrari. Como sabem o piloto finlandês Kimi Raikkonen (ex-Lotus) regressou à Ferrari, equipa com a qual foi campeão em 2007. Acontece que o Kimi Raikkonen vai ser colega de equipa do espanhol Fernando Alonso (campeão em 2005 e 2006 pela Renault) que se encontra na Ferrari desde 2010 logo vai para a sua quinta temporada na Ferrari e ainda sem conseguir sagra-se campeão pela equipa italiana. Ora temos aqui uma situação quase ou mesmo inédita na Ferrari: dois ex-campeões do mundo a lutar pelo lugar de primeiro piloto na Ferrari. Tal situação na Ferrari apenas encontra paralelo na década de 50 ou quando Alain Prost (francês) e Nigel Mansell (inglês) foram colegas de equipa em 1990 (e neste caso Mansell ainda não era Campeão do Mundo). Como irá a Ferrari lidar com a situação? E os pilotos? Esta situação leva-nos a Fernando Alonso que por sua vez já viveu uma situação algo semelhante na McLaren em 2007 quando teve como colega de equipa o inglês Lewis Hanilton, e que levou à saída do espanhol no final do campeonato insatisfeito pela indefinição na equipa sobre qual o primeiro piloto, nessa ocasião a luta dos dois pilotos terá custado à McLaren a perda do campeonato de pilotos por um ponto para Kimi Raikkonen.
A miniatura de que hoje vou falar é a do Ferrari F2007 de Kimi Raikkonen com o qual o piloto finlandês se sagrou Campeão do Mundo em 2007. Recorde-se que Kimi Raikkonen foi contratado para substituir o piloto alemão Micheal Schumacher, que na época tinha feito a sua última temporada em 2006 (como sabemos Schumacher regressou à F1 após dois anos sem correr, em 2009).
Muito trabalhado ao nível aerodinâmico, o Ferrari F2007 apresentava o avanço do eixo dianteiro para reduzir os efeitos nocivos das turbulências geradas pelas rodas e pelas estruturas deformáveis laterais, que permitem um aumento da resistência da estrutura do carro. As rodas dianteiras do F2007 dispunham de uma tomada de ar que permitia canalizar o ar quente para as zonas onde possa gerar uma vantagem aerodinâmica, terminando na zona de baixa pressão atrás do pneu que alimenta o fluxo de ar que passa por baixo do carro e da zona central do perfil do difusor. Esta lua é de carbono e tem uma forma convexa para reduzir os vórtices nocivos. In fascículo nº 9, pág. 14.
O motor é de 8 cilindros em “V” a 90º com 2398 cm3 e calculava-se que tinha mais de 800 cv de potência. A caixa era de 7 velocidades, quick shift o que permitia reduções instantâneas. Os responsáveis técnicos pelo F2007 foram os designers Aldo Costa e Nikolas Tombazis.

O campeonato de 2007
Kimi Raikkonen, tendo mudado de equipa (o piloto finlandês vinha da McLaren), teve o que todos os pilotos anseiam no primeiro GP pela sua nova equipa ao vencer o GP da Austrália. Raikkonen não poderia esperar melhor inicio nesta nova etapa da sua carreira. Atrás de si terminaram os pilotos da McLaren, Fernando Alonso (espanhol) e o estreante Lewis Hamilton, segundo e terceiro classificado, respectivamente. No GP da Malásia a McLaren “respondeu” à Ferrari vencendo a prova através de Alonso e com Hamilton em segundo lugar. No GP do Bahren foi a vez de Filipe Massa (brasileiro) vencer com o Ferrari F2007. Assim havia três vencedores ao fim de 3 provas disputadas.
A primeira prova europeia disputou-se em Espanha e Filipe Massa aproveito o embalo que trazia da prova anterior e venceu a corrida, colocando-se na liderança do campeonato. Três vitórias para a Ferrari com 4 provas disputadas. Contudo a Ferrari iria ver a equipa rival, a McLaren, obter 3 vitórias nas 3 provas seguintes: no Mónaco o espanhol Fernando Alonso foi o primeiro enquanto que o melhor Ferrari foi o Massa em terceiro lugar; no Canadá Lewis Hamilton obteve a sua primeira vitória na F1 e em Indianapolis o inglês voltou a vencer, seguido do seu colega de equipa Alonso.
Em Julho no GP da França Kimi Raikkonen volta a vencer, seguido de Massa; a primeira dobradinha do ano para a Ferrari. O piloto finlandês da Ferrari voltou a vencer no GP da Inglaterra quando era esperada uma vitória do inglês da McLaren Lewis Hamilton. No GP da Europa, disputado no circuito de Nurburgring, a McLaren festejou nova vitória por Alonso no entanto já nesta altura havia “rebentado” o escândalo do ano: o caso de espionagem que a Ferrari teria sido alvo por parte da McLaren. Muito resumidamente, o que aconteceu foi que Mike Coughlan (da McLaren) terá recebido informação técnica sobre o F2007 e sobre a organização, informação essa que terá sido fornecida por Nigel Stepney, ex-colaborador da Ferrari. Esta situação foi-se arrastando ao longo de várias provas e só em Setembro é que se viria a saber da decisão final. No entretanto, a McLaren obteve nova vitória no GP da Hungria desta feita através de Hamilton mas no GP da Turquia a Ferrari “respondeu” à McLaren com uma vitória de Filipe Massa.
Uns dias antes de se saber a sentença da McLaren, disputou-se o GP da Itália e a equipa inglesa obteve nova dobradinha com Alonso a vencer e Hamilton em segundo lugar. Alguns dias depois soube-se que a McLaren era considerada culpada no caso de espionagem à Ferrari anulando-se todos os resultados na classificação de construtores e uma avultada sanção económica.
Em SPA, os Ferrari dominam a prova com Kimi Raikkonen em primeiro e Filipe Massa em segundo lugar. No GP do Japão, disputado em condições climatéricas adversas, a Ferrari viu-se relegada para os últimos lugares devido a uma norma relativa ao uso dos pneus de chuva que obrigou os dois Ferrari a pararem nas boxes. Kimi ainda recuperou até ao 3º lugar e Massa até ao 6º lugar. A vitória foi para Hamilton que beneficiou da desistência do seu colega de equipa Alonso. Faltavam duas corridas para terminar o campeonato e Hamilton liderava com 12 pontos de vantagem sobre Alonso e 17 pontos sobre Raikkonen.
No GP da China tudo poderia ter ficado decidido a favor de Hamilton que liderou até meio da prova contudo uma má decisão do piloto e da equipa deitou tudo a perder quando um pneu rebentou devido ao excesso de desgaste, ditando o abandono do inglês. Quem aproveitou foi o piloto da Ferrari, Raikkonen, que venceu a prova, seguido de Alonso e Massa. A ultima corrida iria se disputada no Brasil, tendo Hamilton 4 pontos a mais sobre Alonso e 7 a mais sobre Raikkonen. Para Hamilton as contas eram fáceis de fazer: tinha que terminar nos cinco primeiros lugares para se sagrar campeão. Para Alonso e Hamilton as contas eram mais complicadas e dependiam do resultado do inglês. Praticamente desde o inicio da corrida que os Ferrari se instalaram nos dois primeiros lugares, com Massa em primeiro e Raikkonen em segundo. Hamilton, algo nervoso, ia perdendo alguns lugares até que numa tentativa de ultrapassar Alonso perde o controlo do carro e cai para 8º lugar. Ainda com possibilidades de recuperar até ao 5º lugar, Hamilton não se deu por vencido mas um problema na caixa de velocidades atira o inglês para os últimos lugares. Na frente da corrida, a Ferrari faz a sua estratégia de corrida e na mudança de pneus efectua a troca de posições entre os seus dois pilotos. Kimi vence a prova e sagra-se Campeão do Mundo, uma vez que Hamilton apenas recuperou até ao 7º lugar e tendo Alonso ficado pela 3ª posição. Kimi Raikkonen, com 110 pontos, venceu o campeonato por um ponto de diferença sobre Hamilton e Alonso, ambos com 109 pontos. A Ferrari sagrou-se campeã com 204 pontos (9 vitorias) e a Sauber ficou em segundo com 101 pontos (a McLaren foi desclassificada).

Os pilotos do Ferrari F2007 em 2007 foram: #5 Filipe Massa (brasileiro), #6 Kimi Raikkonen (finlandês).
Vitórias: 9 (K. Raikkonen: 6; F. Massa: 3)
Pole-position: 9 (K. Raikkonen: 3; F. Massa: 6)
Melhor volta: 12 (K. Raikkonen: 6; F. Massa: 6)

15 Dezembro 2013

Ford Fiesta S2000 - M. Hirvonen - J. Lehtinen (Rali de Monte Carlo de 2010)


Esta miniatura pertence à colecção A Paixão Pelo Rally – Fasc. nº 1.
O Campeonato do Mundo (WRC) de 2010 iria ter início apenas em Fevereiro com o Rali da Suécia a abrir a temporada. O Rali de Monte-Carlo, disputado em Janeiro, mais uma vez só iria contar para o Internacional Rally Challenge (IRC). Desde modo a Ford aproveitou a ocasião para estrear o novo Ford Fiesta S2000, modelo que iria servir de base para o futuro WRC da marca. O piloto finlandês da Ford, Mikko Hirvonen, aproveitou a ocasião para conhecer e estrear em competição o Ford Fiesta S2000.
O Rali de Monte-Carlo de 2010 contou com 59 inscritos, onde se incluía o vencedor de 2009, o francês Sébastien Ogier num Peugeot 207 S2000; destas 59 equipas inscritas apenas terminaram a prova 36 equipas. Mikko Hirvonen iniciou o Monte-Carlo ao ataque e instalou-se no primeiro lugar com Ogier em segundo lugar. O Monte-Carlo que é uma prova onde muitas das vezes a escolha de pneus revela-se importante para as aspirações à vitória logo tal facto provocou muitas dores de cabeça aos pilotos, o que levou Ogier a arriscar na terceira classificativa contudo numa saída de estrada o piloto francês perdeu 2 minutos para Hirvonen.
Deste modo Ogier teve que fazer o restante rali em recuperação, enquanto Hirvonen ia controlando a vantagem sobre os seus adversários mais directos. Perto do final da prova quando Sébastien Ogier procurava recuperar 38 segundos de atraso para Hirvonen uma avaria no alternador do Peugeot ditou a sua desistência. Com o seu principal adversário fora do rali, Hirvonen deu ao Ford Fiesta S2000 o primeiro triunfo numa prova internacional. O segundo classificado foi o finlandês Hanninen e o terceiro o francês Vouilloz, ambos em Skoda Fabia S2000. O português Bruno Magalhães terminou na sétima posição num Peugeot 207 S2000.
A miniatura representa o Ford Fiesta S2000 de Mikko Hirvonen e Jarmo Lethinen no 78º Rali de Monte-Carlo de 2010. Equipado com pneus Pirelli, o Fiesta S2000 com um motor de 1999 cc de cilindrada debitava 280 cv de potência.
Mikko Hirvonen nasceu a 31 de Julho de 1980 na Finlândia. A sua estreia no WRC aconteceu no ano 2002 no Rali da FinLândia com um Renault Clio S1600. Ainda nesse ano participa no Rali da Grã-Bretanha com um Subaru Impreza WRC. No ano seguinte participa no campeonato WRC com um Ford Focus WRC ’02 e ’03 conquistando os primeiros pontos na categoria (termina o WRC em 16º com 3 pontos). Em 2004 muda para a Subaru onde utiliza os Impreza ’03 e ’04, terminado o ano em 7º com 29 pontos. Contudo não segura o lugar na Subaru e em 2005 efectua o WRC como privado (com excepção do Rali da Finlândia, num Ford Focus, e no Rali do Japão com um Skoda Fabia WRC) utilizando novamente o Ford Focus WRC ’03 e 04. A conquista do 3º lugar no Rali da Espanha desse ano valeu-lhe, porventura, a assinatura do contrato para 2006 com a equipa oficial da Ford. No campeonato fica em 10º com 14 pontos. Em 2006 com a equipa oficial de Ford Hirvonen conquista a primeira vitória no WRC, aconteceu no Rali da Austrália. Com 8 pódios conquistados, termina o ano no 3º lugar com 65 pontos. De 2007 a 2011, Mikko Hirvonen correu pela Ford oficial, vencendo mais 13 ralis: 2007 – 3º com 99 pontos (3 vitórias); 2008 – 2º com 103 pontos (3 vitórias); 2009 – 2º com 92 pontos (4 vitórias); 2010 – 6º com 126 pontos (1 vitória); 2011 (já com o Ford Fiesta WRC) – 2º com 214 pontos (2 vitórias). Após seis anos com a Ford, Mikko Hirvonen muda de equipa e em 2012 e 2013 guia pela Citroen. Apesar de conquistar muitos pódios apenas vence um rali (Italia em 2012): 2012 – 2º com 213 pontos; 2013 – 4º com 126 pontos. Ao que consta, Mikko Hirvonen será novamente piloto da Ford em 2014. Neste momento Hirvonen já participou em 149 ralis do WRC, vencendo 15 provas e obtendo 64 podios.

10 Outubro 2013

Ferrari F1-86 - Stefan Johansson (1986)

 
Esta miniatura pertence à colecção Ferrari F1 Collection – Fasc. Nº 10.
O novo monolugar da Ferrari para o ano de 1986, desenhado por Mauro Forghieri e Harvey Postlethwaite, tinha sido concebido com o novo limite de combustível para essa temporada: 195 litros. Um verdadeiro desafio para as equipas uma vez que desde 1984, após a proibição dos reabastecimentos, que o limite da capacidade dos depósitos vinha diminuindo a cada ano que passava.
O Ferrari F1-86 procurava ser melhor que o do ano anterior mas o que na teoria parecia ser possível na prática revelou-se um verdadeiro quebra-cabeças para a equipa italiana e seus pilotos. O Ferrari F1-86 apresentava melhorias ao nível das suspensões, aerodinâmica e a utilização de instrumentos óptico-electrónicos com um ecran digital que indicava os dados relativos ao consumo e distância. Tratou-se do primeiro passo rumo aos volantes-computador da primeira década do século XXI. in fascículo nº 10 da Ferrari F1 Collection, pag. 3.
O motor era o mesmo do ano anterior, com ligeiras modificações, de seis cilindros turbo em “V” a 120º e podia debitar 850 cv às 11500 rpm, logo mais potente do que no ano anterior. “A dissipação do calor gerado pelo motor exigiu amplas superfícies radiantes que ocupavam os painéis laterais quase por completo.” in fascículo nº 10 da Ferrari F1 Collection, pag. 14.
Ao longo de toda a temporada o Ferrari F1-86 foi tendo uma série quase infindável de problemas mecânicos que atestam a sua pouca fiabilidade logo pouco competitivos nunca conseguir ser uma ameaça às principais equipas (Williams, McLaren e Lotus).
A Ferrari manteve os mesmos pilotos da época anterior: Michelle Alboreto (italiano), que tinha sido o vice-campeão, e Stefan Johansson (sueco), que substituiu o francês René Arnoux após o primeiro GP de 1985. Não seria pela qualidade dos seus pilotos que a Ferrari deixaria de fazer um boa temporada. A comparação da temporada da Ferrari de 1986 com a de 1985 é desastrosa: zero vitórias, zero pole-positions e zero melhores voltar. Enquanto em 1985 a Ferrari ainda lutou pelos títulos em 1986 esteve muito longe de o poder fazer.
A miniatura de hoje representa o Ferrari F1-86 que o piloto sueco Stefan Johansson utilizou durante a temporada de 1986.

O campeonato de 1986
O GP do Brasil foi o primeiro da época tendo Nelson Piquet (brasileiro) vencido a prova logo na sua estreia pela equipa Williams. Piquet tinha deixado a Brabham no final de 1985 e assinou pela equipa de Frank Williams. Os dois Ferrari não tiveram sorte e acabaram por desistir com problemas mecânicos. No GP de Espanha assistiu-se a um final emocionante com o brasileiro Ayrton Senna (Lotus) a sagrar-se vencedor com o inglês Nigel Mansell (Williams) a escassos centímetros do brasileiro. Os Ferrari voltaram a desistir novamente com problemas mecânicos. No GP de Imola a Ferrari conseguiu os primeiros pontos da temporada por intermédio do 4º lugar de Johansson enquanto Alboreto registava novo abandono. A vitória foi para o francês Alain Prost (McLaren), que teria sido a sua terceira vez consecutiva em Imola caso no ano anterior não tivesse sido desclassificado.
No Mónaco os Ferrari de Alboreto e Johansson desistiram novamente com problemas mecânicos, no entanto o sueco ainda conseguiu classificar-se em 10º lugar. Alain Prost venceu a prova pela terceira vez consecutiva.
No GP da Bélgica os dois Ferrari terminaram nos lugares pontuáveis pela primeira vez neste ano: Johansson em terceiro (primeiro pódio da Ferrari no ano) e Alboreto em quarto. Nigel Mansell venceu a sua primeira corrida do ano, vitória que iria repetir no GP seguinte no Canadá. A Ferrari por seu lado falhou novamente, Alboreto foi o oitavo e Johansson desistiu, e iria desistir também no GP de Detroit. Alboreto alcançou mais três pontos devido ao quarto lugar. Ayrton Senna conseguiu a sua segunda vitória do ano em Detroit.
No GP da França, Alboreto após um arranque falhado consegue recuperar até à oitava posição enquanto Johansson viu o turbo do motor do seu Ferrari rebentar. No GP da Inglaterra, Johansson envolveu-se num acidente na partida mas o seu carro foi reparado a tempo da segunda partida contudo nada lhe valeu visto que viria abandonar. Alboreto não teve melhor sorte e abandonou também. Nos GP’s da França e Inglaterra o vencedor foi o mesmo: Nigel Mansell no Williams-Honda.
No GP da Alemanha a Ferrari continuava a série negativa que vinha praticamente desde o inicio do campeonato: Alboreto desistiu e Johansson, voltando a estar envolvido num acidente na partida, termina na 11ª posição. A vitória foi para Nelson Piquet, que já não vencia desde o primeiro GP do ano (Brasil). Nelson Piquet voltaria a vencer na Hungria e Johansson voltou também aos pontos graças ao quarto lugar. Alboreto não escapou à má sina da Ferrari e registou nova desistência, desta vez por acidente.
Na Áustria a Ferrari registou o melhor resultado do ano: Johansson foi o segundo e Alboreto o terceiro. A vitória, essa foi para Alain Prost que assim ganhava fôlego para manter as esperanças de revalidar o título. No GP de Itália Nelson Piquet volta a vencer e a Ferrari consegue um novo pódio através do terceiro lugar de Stefan Johansson. Alboreto desistiu. No GP de Portugal os dois Ferrari voltaram a terminar contudo apenas nos últimos lugares pontuáveis: Alboreto foi quinto e Johansson sexto. Mansell venceu a prova. Alguns dias depois da prova portuguesa Enzo Ferrari anunciava a contratação de John Barnard da McLaren. Desejoso de dar a volta à situação negativa que a sua equipa atravessava Enzo Ferrari dava plenos poderes a John Barnard.
No México a nota de maior registo foi a vitória de Gerhard Berger (austríaco) que vencia pela primeira vez na F1 e dava também a primeira vitória à Benetton. Os Ferrari, esses voltavam à lista dos abandonos. Na última prova do ano havia três pilotos com possibilidades de vencer o título: os dois pilotos da Williams, Piquet e Mansell, e Alain Prost da McLaren. E seria Prost a vencer a corrida e a sagrar-se campeão do mundo, com alguma sorte, é verdade, mas também com muito mérito visto que foi mantendo na luta até ao fim, quando claramente já não tinha o melhor conjunto (carro/motor) do pelotão da F1, que era o Williams/Honda. Stefan Johansson terminou em terceiro e Alboreto desistiu. Prost venceu ocampeonato com 72 pontos e a Williams venceu nos construtores com 141 pontos. Stefan Johansson foi o 5º classificado com 23 pontos e Michele Alboreto o 8º com 14 pontos. A Ferrari terminou o ano com 37 pontos e na 4ª posição.

Stefan Johansson nasceu a 8 de Setembro de 1956 na Suécia. Johansson esteve envolvido em 104 GP’s mas apenas participou em 79 GP’s. A sua primeira tentativa na F1 acontece em 1980 com a Shadow mas falhou a qualificação no Brasil e na Argentina. A sua estreia apenas acontece em 1983 no GP da Inglaterra com a Spirit. Nesse ano participa em 6 GP’s tendo obtido um sétimo lugar. Em 1984 participa em provas com a Tyrrell que depois foi desclassificada por irregularidades nos carros e posteriormente participa nos 3 últimos GP’s do ano com a Toleman. Na primeira prova com Toleman, em Italia (substituía Ayrton Senna, castigado pela equipa por ter assinado pela Lotus), Johansson alcança o quarto lugar. Para 1985, Stefan Johansson efectua a primeira prova (Brasil) com a equipa Tyrrell mas antes da segunda corrida (Portugal) é contactado pela Ferrari para substituir o francês René Arnoux. Nas restantes 15 provas de 1985 Johansson consegue boas performances e obtém dois segundos lugares. Em 1986, ainda na Ferrari, e com um carro visivelmente inferior consegue 4 terceiros lugares terminado o ano em 5º lugar e à frente do seu colega de equipa Michele Alboreto. Gerhard Berger entra na Ferrari e Johansson sai para a McLaren. Assim em 1987 Stefan Johansson consegue, com um carro que já estava ultrapassado, 2 segundos lugares e 3 terceiros lugares. Termina o ano na sexta posição e sai da McLaren para correr pela Ligier em 1988. Estes foram os seus melhores anos na F1 (1985, 1986 e 1987). Na Ligier não consegue nenhum ponto mas a equipa já não era a mesma que pontuava regularmente, não conseguindo inclusive qualificar-se em seis ocasiões. Para 1989 Stefan Johansson tem um desafio ainda maior na pequena equipa da Onyx, que fazia a estreia na F1 tendo que enfrentar as pré-qualificações existentes na época devido à numerosa lista de inscritos que havia. No entanto Stefan Johansson foi lutando e muitas das vezes não conseguia passar nas pré-qualificações, contudo no GP de Portugal consegue qualificar-se e, pasme-se, conseguiu um feito notável ao terminar na terceira posição (12º pódio da sua carreira na F1). Foi sua penúltima corrida na F1. Nesse ano não conseguiu qualificar-se para mais nenhuma prova. Em 1990, ainda na Onyx, tentou por duas vezes qualificar-se, sem êxito, para duas provas. E por aqui se ficou nesse ano. Em 1991 nos dois primeiro GP’s do ano tentou novamente qualificar-se, desta vez na equipa AGS, mas falhou. Depois passou para a Footwork e em quatro ocasiões apenas conseguiu a qualificação para o GP do Canadá. Foi a sua última participação na F1. Stefan Johansson foi um bom piloto da F1 que apesar de ter corrido pela Ferrari e pela McLaren, tal aconteceu em alturas que as equipas se encontravam já em fases descendentes.
Depois da F1 Stefan Johansson esteve envolvido durante alguns anos no campeonato americano CART. Como muitos pilotos que passaram pela F1, Stefan Johansson também apresenta no seu currículo várias participações nas 24 Horas de Le Mans, na qual a mais importante tenha acontecido em 1997 quando venceu as míticas 24 Horas de Le Mans ao lado de Michele Alboreto (seu ex-colega na Ferrari nos anos de 1985 e 1986) e de Tom Kristensen num Porsche WSC-95.

Os pilotos do Ferrari F1-86 em 1986 foram: #27 Michele Alboreto (italiano) e #28 Stefan Johansson (sueco).
Vitórias: 0
Pole-position: 0
Melhor volta: 0