27 Julho 2014

Ferrari 625 F1 - Maurice Trintignant (1955)



Esta miniatura pertence à colecção Ferrari F1 Collection – Fasc. Nº 13.
O Ferrari 625 F1 com o francês Maurice Trintignant ao volante deu à equipa de Enzo Ferrari a primeira vitória no circuito monegasco no ano de 1955. Com essa vitória, também, Trintignat tornou-se no primeiro piloto francês a vencer uma corrida de Formula 1. A Ferrari teve de esperar mais 20 anos para voltar a vencer no Mónaco, em 1975 com o austríaco Niki Lauda. A Ferrari conta com 60 participações no GP do Mónaco mas só por 8 vezes é que venceu a prova. A última vitória aconteceu em 2001 com o alemão Michael Schumacher.
O Ferrari 625 F1 foi a evolução do 500 F2, tendo sofrido múltiplas alterações ao longo dos ano de 1954 e 1955. O motor era um quatro cilindros em linha de 2500 cm3 montado em posição dianteira. Debitava 210 cv às 7000 rpm. O motor era alimentado por dois carburadores Weber. O 625 F1 dispunha de dois depósitos de combustível colocados nas laterais. Pesava 600 kg. O chassis era tubular de aço. As suspensões dianteiras eram independentes, com quadriláteros transversais. A suspensão traseira era um eixo De Dion, com push-road duplos. O Ferrari 625 F1 utilizava travões de tambor. Os pneus utilizados eram Englebert. A velocidade máxima era de 270 km/h.
O Ferrari 625 F1 foi utilizado ao longo do ano de 1954 e em algumas provas de 1955. A estreia do 625 F1 aconteceu no GP da Argentina de 1954, tendo obtido a pole-position por Giuseppe Farina (italino) que terminou a prova em segundo lugar. A primeira vitória do 625 F1 foi obtida no GP da Inglaterra (1954) por Jose-Froilan Gonzalez (argentino). O Ferrari 625 F1 só venceu mais uma prova, a do Mónaco em 1955 com Trintignant.
A miniatura representa o Ferrari 625 F1 de 1955 no GP do Mónaco com o qual o piloto francês Maurice Trintignant obteve a vitória.
O Campeonato de 1955 começou com a certeza de que a equipa a bater era a Mercedes, que tinha vencido o campeonato do ano anterior. O piloto em destaque era o argentino, Campeão do Mundo de 1954, Juan Manuel Fangio. A Ferrari preparava a época com esperanças de que o novo Ferrari, o 555, pudesse fazer frente aos poderosos Mercedes W196. Contudo como se iria verificar a Mercedes manteve o domínio, tendo a Ferrari utilizado ao longo dessa época dois modelos, o 625 F1 do ano anterior e o 555 F1. O campeonato era constituído por 7 provas: Argentina, Mónaco, Indianápolis, Bélgica, Holanda, Grã-Bretanha e Itália. Juan Manuel Fangio venceu 4 provas (Argentina, Bélgica, Holanda e Itália) sagrando-se Campeão do Mundo novamente (era o seu 3º título), Stirling Moss (inglês) venceu na Grã-Bretanha e ficou em segundo lugar no campeonato. Maurice Trintignant venceu no Mónaco e ficou em quarto lugar no campeonato. A prova monegasca teve um domínio inicial de Juan Manuel Fangio com Stirling Moss em segundo lugar, enquanto os pilotos da Lancia Alberto Ascari e Eugenio Castelloti (ambos italianos) perseguiam os dois pilotos da Mercedes. Tudo parecia correr bem para a Mercedes, mesmo quando Jean Behra (francês), num Maserati, chegou a ultrapassar os dois pilotos da Lancia. Castelloti acabaria por se atrasar com uma ida às boxes, o mesmo aconteceu a Behra. Sensivelmente a meio da prova a transmissão do Mercedes de Fangio partiu o que levou à desistência do argentino, passando a liderança para Moss. A 20 voltas do final da prova Stirling Moss vê-se obrigado a desistir com um pistão partido no motor do seu Mercedes. A liderança passou neste momento para Ascari contudo este sofreu um acidente ao perder o controlo do seu carro caindo ao mar. Ascari foi salvo pelos mergulhadores sofrendo apenas algumas escoriações. Infelizmente, Ascari seria vitimado por um acidente na semana seguinte, em Monza. Após a desistência de Ascari, apareceu Maurice Trintignant na liderança do GP do Mónaco, que vinha a realizar uma prova regular, cortando a meta em primeiro lugar. Outro destaque vai para Louis Chiron que se tornou no piloto mais idoso a participar num GP, Chiron terminou a prova em sexto lugar. Em Indianápolis venceu um piloto americano, visto que esta prova era basicamente disputada só pelos pilotos americanos.

Maurice Trintignant nasceu em França a 31 de Outubro de 1917 e faleceu a 13 de Fevereiro de 2005 (tinha 87 anos). Este piloto francês teve um longa carreira no deporto automóvel. O seu currículo mostra que foi em 1938 que começou a participar em provas automobilísticas. O carro utilizado foi um Bugatti Type 51. Com o início da Segunda Guerra Mundial, Trintignant viu-se obrigado a interromper a sua carreira desportiva durante seis anos. Foi só depois de terminar a guerra que Maurice Trintignant voltou, em 1946, à competição e novamente com um Bugatti. Durante aos anos anteriores à criação do Campeonato do Mundo de F1 em 1950, Trintignant utlizou carros como, além do Bugatti, Maserati, Delange até ser contratado por Amedée Gordini em 1948 para guiar para a sua equipa. Durante essa época Trintignant sofreu um grave acidente tendo sido dado como morto contudo o seu coração voltou milagrosamente a bater. Ficou em como alguns dias até que recuperou completamente. Voltou às pistas em 1949 e obteve mais algumas vitórias. Na primeira época da F1, em 1950, participou, sem resultados de registo, em duas provas com o Simca-Gordini. Contudo obteve algumas vitórias em provas que não contavam para o mundial. Em 1951 a situação foi idêntica à de 1950, sem resultados na F1 e algumas vitórias em provas extra mundial. Os anos de 1952 e 1953 correm um pouco melhor para Trintignant, alguns quintos e sextos lugares na F1. Para 1954, Trintignant deixou a equipa Gordini (após 3 anos) e assinou um contrato com a equipa Écurie Rosier, uma equipa que utilizava carros da Ferrari. Uma boa prestação no GP da Argentina, 4º lugar, chamou a atenção a Enzo Ferrari que o contratou de imediato para o GP seguinte. Trintignant correu em Le Mans pela Ferrari e venceu a mítica prova. Na F1 obteve dois pódios (2º na Bélgica e 3º na Alemanha). No ano seguinte é segundo na Argentina (num carro partilhado) e venceu o GP do Mónaco (a sua primeira vitória na F1). Para 1956, Trintgnant arrisca na sua paixão, a Bugatti, e tenta levar a equipa à F1. Contudo apenas participa num GP com a Bugatti, tendo registado um abandono. As restantes provas da F1 são ao volante da Vanwall, no entanto também só regista abandonos. Em 1957 regressou à Ferrari para realizar 3 GP’s. Aos 41 anos, Maurice Trintignant assinou um contrato de dois anos (1958 e 1959) com a Walker Racing Team. Maurice Trintignant voltou a vencer o GP do Mónaco (1958) com o Cooper T45 Climax da Walter Racing Team e obteve alguns resultados de relevo durante esse ano e no seguinte, contudo não voltaria a vencer mais nenhum GP. Para os anos de 1960 e 1961, Trintgnant continuou a utilizar os modelos da Cooper em várias equipas como a Walker Racing Team, Scuderia Centro Sud, Scuderia Serenissima. Em 1962 voltou para a Walker Racing Team, que agora utilizava os Lotus, mas as coisas não correram bem para Trintignant. Em 1963 tem apenas 3 participações em GP’s e a sua última época foi em 1964 com 4 participações em GP’s num BRM privado. Mas ainda assim ficou o registo, na sua penúltima participa em GP’s no GP da Alemanha, da obtenção de um honroso 5º lugar.
Maurice Trintignant participou em 81 GP’s, venceu apenas duas vezes (ambas no Mónaco), não obteve nenhuma pole-position, apenas uma melhor volta e 10 pódios. Conquistou 72,33 pontos. A sua melhor classificação num mundial foi em 1954 e 1955, em ambas as ocasiões ficou em 4º lugar.
Como curiosidade, extra F1, fica o facto de Maurice Trintignant ser o avô de Jean-Louis Trintignant, um dos mais famosos actores franceses.

Os pilotos do Ferrari 625 F1 em 1955 foram: Giuseppe Farina, Umberto Maglioli, Jose-Froilan Gonzalez, Maurice Trintignant, Mike Hawthorn e Eugenio Castelloti.
Vitórias: 1 (M. Trintignant: 1)
Pole-position: 1 (J.-F.Gonzalez: 1)
Melhor volta: 0

01 Junho 2014

Spyker C8 Spyder GT2-R - J. Janis - M. Hezemens - J. Kane (24 Horas de Le Mans de 2007)



 
 
Esta miniatura pertence à colecção Velocidade & Resistência – Fasc. nº 4.
A marca Spyker remonta ao séc. XIX mais precisamente a 1880 quando dois irmãos holandeses, Jacobus e Hendrick-Jan Spijker, resolvem fundar a sua primeira sociedade em Hilversum. O nome Spijker foi adaptado para Spyker. A empresa inicialmente produzia atrelados mas posteriormente passou para a construção de carroçarias de automóveis. No final do século XIX conseguem a licença para produzir os automóveis Benz na Holanda. O objectivo era começar a produzir automóveis de marca própria e assim no inicio do século XX foi apresentado o primeiro Spyker. No Salão de Paris de 1903 a Spyker apresentou um modelo de quatro rodas motrizes e travões nas quatro rodas, sem dúvida um dos primeiros do género. Contudo a empresa viria a sofrer as consequências da bancarrota e fechou as portas em 1925.
No Salão de Londres de 2000 o nome Spyker voltou a reaparecer. A empresa de Victor Muller, um financeiro e coleccionador de automóveis, fundada em 2000 propôs-se a ajudar um amigo a criar um super carro holandês.
De carácter iminentemente desportivo a Spyker tem participações nas 24 Horas de Le Mans e chegou inclusive à Formula 1 em 2006. A Spyker comprou ainda antes do final da temporada de 2006 a equipa de F1 da Midland e participou no ano de 2007 no campeonato de F1. No final desse ano a Spyker vendeu a equipa à Force India que actualmente ainda existe na F1.
O Spyker C8 Spider GT2-R foi apresentado no Salão de Genebra de 2005. A versão de corrida utiliza o motor V8 atmosférico da marca Audi de 3800 cc com 600 cv de potência. A caixa de velocidades é da Hewland de seis velocidades sequenciais.
A miniatura apresentada representa o Spyker C8 Spyder GT2-R nas 24 Horas
de Le Mans de 2007. A equipa do Spyker # 86 era composta por 3 pilotos: Jarek Janis (checo), Mike Hezemans (holandês) e Johnny Kane (inglês).
A equipa Spyker Squadron, que participava na categoria GT2, tinha para além deste carro um segundo carro guiado pelos pilotos Andrea Bellichi (italiano), Andrea Chiesa (suíço) e Alex Caffi (italiano). Infelizmente para a marca nem um nem o outro carro conseguiram terminar as 24 Horas de Le Mans de 2007, prova que foi vencida pelo Audi de Emanuele Pirro (italiano), Marco Werner (alemão) e Franck Biela (alemão).
Dos 54 participantes no inicio da prova apenas terminaram 29 carros.
O melhor resultado alcançado pela Spyker nas 24 Horas de Le Mans aconteceu em 2009 com o 5º lugar na classe GT2 obtido pelo Spyker C8 Laviolette GTR-2 com Tom Coronel, Jeroen Bleekemolen (ambos holandeses) e Jaroslav Janis (checo).
Fontes: wikipedia e fascículo da colecção.

18 Abril 2014

Citroen C4 WRC - S. Ogier - J. Ingrassia (Rali de Portugal de 2010)


 
Esta miniatura pertence à colecção A Paixão pelo Rally – Fasc. nº 1.
Apesar de já estar em competição à três anos, o Citroen C4 WRC continuava em 2010 a dominar o panorama dos ralis. O piloto francês Sébastien Ogier, contratado pela Citroen, vinha a ser preparado para se tornar no substituto do multi campeão do mundo Sébastien Loeb (francês). A primeira vitória de Ogier no WRC aconteceu no Rali de Portugal de 2010, apenas dois anos depois da sua estreia no Mundial.
A miniatura hoje apresentada é o Citroen C4 WRC de Sébastien Ogier no Rali de Portugal de 2010 e que representa a sua primeira vitória no WRC.
O Citroen C4 WRC utilizava um motor dianteiro, transversal, de alumínio, com quatro cilindros em linha, duas árvores de cames à cabeça de 16 válvulas e turbocompressor, de 1998 cc e 315 cv de potência às 3500 rpm. A transmissão é de tracção integral com caixa sequencial X-Trac de 6 velocidades.
O 44º Rali de Portugal de 2010 contou com uma lista de 74 inscritos sendo que 51 participantes conseguiram terminar o rali depois de percorrerem os 355 km cronometrados da prova portuguesa.
Na primeira etapa do rali Sébastien Ogier teve o benefício de ser o ultimo a sair para a estrada (recorde-se que os primeiros na prova acabam por ser prejudicados pelo facto de encontrarem a estrada suja, limpando-a para os seguintes pilotos), deste modo o primeiro líder foi o espanhol Dani Sordo (Citroen) mas posterioremente Ogier conseguiu roubar-lhe a liderança. No final da primeira etapa, Ogier liderava a 26 segundos de distância de Sordo e 44 de Sébastien Loeb (Citroen). Contudo para a segunda etapa sendo o líder Sébastien Ogier iria ser o primeiro a sair para a estrada e era esperado que pudesse vir a perder a vantagem obtida e consequentemente a liderança do rali. O seu colega de equipa Sébastien Loeb esteve sempre ao ataque e foi recuperando segundos ao líder mas no final da etapa Ogier conseguiu manter a liderança na prova. Loeb era agora o segundo classificado mas ainda a 22 segundos de Ogier. Para a terceira etapa, a equipa Citroen resolveu dar liberdade aos seus pilotos para lutarem pela vitória e assim Loeb , como líder da equipa Citroen, teve que se esforçar para tentar retirar a liderança da prova ao seu colega de equipa. No entanto Ogier estava determinado a defender a primeira posição para assim alcançar a sua primeira vitória no WRC. E assim sucedeu, Loeb ficou apenas a 7 segundos de Ogier e ficou em segundo lugar. Sébastien Ogier venceu a prova portuguesa e derrotou em confronto directo o grande Sébastien Loeb. A Citroen dominou completamente o rali ao colocar 4 carros nos 5 primeiros classificados: 1º Ogier, 2º Loeb, 3º Sordo e 5º Petter Solberg; o 4º classificado foi Mikko Hirvonen (finlandês) num Ford Focus WRC.
Sébastien Ogier nasceu em França a 17 de Dezembro de 1983. A sua estreia no WRC aconteceu em 2008 no Rally do México com o Citroen C2 Super 1600. Ogier viria a vencer nesse ano o Junior World Rally Championship. Ainda nesse ano conduziu pela primeira vez num rali um carro do WRC: o Citroen C4 no Rali da Grã-Bretanha. Durante os 3 anos seguintes guiou para a Citroen: em 2009 e 2010 na equipa satélite da Citroen, a Citroen Junior Team (ainda que em 2010 tenha feito alguns ralis com a equipa principal, a Citroen Total WRT; em 2011 participa já integrado na equipa principal da Citroen. O primeiro pódio surge em 2009, um segundo lugar no Rali da Grécia. A primeira vitória acontece no ano seguinte no Rali de Portugal, ainda em 2010 vence mais um rali e termina a época no 4 lugar do campeonato. Em 2011 vence 5 ralis e termina o campeonato em 3 lugar. No final desse ano deixa a Citroen a assina pela Volkswagen, que se prepara para participar no WRC. Nesse ano de 2012, Ogier guia um Skoda Fabia S2000 enquanto prepara o Volkswagen Polo R WRC para atacar o campeonato de 2013. A época termina com Ogier, sem resultados de vulto, em 10º lugar. O ano de 2013 iria ser totalmente diferente. E assim foi. Ogier sagra-se Campeão do Mundo pela primeira vez; em 13 ralis regista 9 vitórias, 2 segundos lugares e 1 décimo sétimo lugar. Actualmente Sébastien Ogier mantém-se ainda na Volkswagen e encontra-se a disputar o campeonato de 2014. Com quatro provas já realizadas, Ogier já venceu 3 ralis e terminou em 6º lugar o outro rali. A última prova realizada em Portugal, Ogier venceu o rali pela quarta vez e conquistou a sua 19ª vitória no WRC. Sébastien Ogier volta a ser o principal candidato a vencer o mundial de 2014.

16 Fevereiro 2014

Ferrari F2007 - Kimi Raikkonen (2007)

 
Esta miniatura pertence à colecção Ferrari F1 Collection – Fasc. Nº 9.
O novo Campeonato do Mundo de F1 que vai ter início dentro de algumas semanas traz algumas interrogações que valem a pena ser colocadas. Desde já temos o regresso dos motores turbo e como é que as equipas se vão adaptar a esta nova realidade da F1. Mas o que me deixa mais curioso, e neste caso têm a ver com a miniatura que hoje vos apresento, diz respeito à equipa Ferrari. Como sabem o piloto finlandês Kimi Raikkonen (ex-Lotus) regressou à Ferrari, equipa com a qual foi campeão em 2007. Acontece que o Kimi Raikkonen vai ser colega de equipa do espanhol Fernando Alonso (campeão em 2005 e 2006 pela Renault) que se encontra na Ferrari desde 2010 logo vai para a sua quinta temporada na Ferrari e ainda sem conseguir sagra-se campeão pela equipa italiana. Ora temos aqui uma situação quase ou mesmo inédita na Ferrari: dois ex-campeões do mundo a lutar pelo lugar de primeiro piloto na Ferrari. Tal situação na Ferrari apenas encontra paralelo na década de 50 ou quando Alain Prost (francês) e Nigel Mansell (inglês) foram colegas de equipa em 1990 (e neste caso Mansell ainda não era Campeão do Mundo). Como irá a Ferrari lidar com a situação? E os pilotos? Esta situação leva-nos a Fernando Alonso que por sua vez já viveu uma situação algo semelhante na McLaren em 2007 quando teve como colega de equipa o inglês Lewis Hanilton, e que levou à saída do espanhol no final do campeonato insatisfeito pela indefinição na equipa sobre qual o primeiro piloto, nessa ocasião a luta dos dois pilotos terá custado à McLaren a perda do campeonato de pilotos por um ponto para Kimi Raikkonen.
A miniatura de que hoje vou falar é a do Ferrari F2007 de Kimi Raikkonen com o qual o piloto finlandês se sagrou Campeão do Mundo em 2007. Recorde-se que Kimi Raikkonen foi contratado para substituir o piloto alemão Micheal Schumacher, que na época tinha feito a sua última temporada em 2006 (como sabemos Schumacher regressou à F1 após dois anos sem correr, em 2009).
Muito trabalhado ao nível aerodinâmico, o Ferrari F2007 apresentava o avanço do eixo dianteiro para reduzir os efeitos nocivos das turbulências geradas pelas rodas e pelas estruturas deformáveis laterais, que permitem um aumento da resistência da estrutura do carro. As rodas dianteiras do F2007 dispunham de uma tomada de ar que permitia canalizar o ar quente para as zonas onde possa gerar uma vantagem aerodinâmica, terminando na zona de baixa pressão atrás do pneu que alimenta o fluxo de ar que passa por baixo do carro e da zona central do perfil do difusor. Esta lua é de carbono e tem uma forma convexa para reduzir os vórtices nocivos. In fascículo nº 9, pág. 14.
O motor é de 8 cilindros em “V” a 90º com 2398 cm3 e calculava-se que tinha mais de 800 cv de potência. A caixa era de 7 velocidades, quick shift o que permitia reduções instantâneas. Os responsáveis técnicos pelo F2007 foram os designers Aldo Costa e Nikolas Tombazis.

O campeonato de 2007
Kimi Raikkonen, tendo mudado de equipa (o piloto finlandês vinha da McLaren), teve o que todos os pilotos anseiam no primeiro GP pela sua nova equipa ao vencer o GP da Austrália. Raikkonen não poderia esperar melhor inicio nesta nova etapa da sua carreira. Atrás de si terminaram os pilotos da McLaren, Fernando Alonso (espanhol) e o estreante Lewis Hamilton, segundo e terceiro classificado, respectivamente. No GP da Malásia a McLaren “respondeu” à Ferrari vencendo a prova através de Alonso e com Hamilton em segundo lugar. No GP do Bahren foi a vez de Filipe Massa (brasileiro) vencer com o Ferrari F2007. Assim havia três vencedores ao fim de 3 provas disputadas.
A primeira prova europeia disputou-se em Espanha e Filipe Massa aproveito o embalo que trazia da prova anterior e venceu a corrida, colocando-se na liderança do campeonato. Três vitórias para a Ferrari com 4 provas disputadas. Contudo a Ferrari iria ver a equipa rival, a McLaren, obter 3 vitórias nas 3 provas seguintes: no Mónaco o espanhol Fernando Alonso foi o primeiro enquanto que o melhor Ferrari foi o Massa em terceiro lugar; no Canadá Lewis Hamilton obteve a sua primeira vitória na F1 e em Indianapolis o inglês voltou a vencer, seguido do seu colega de equipa Alonso.
Em Julho no GP da França Kimi Raikkonen volta a vencer, seguido de Massa; a primeira dobradinha do ano para a Ferrari. O piloto finlandês da Ferrari voltou a vencer no GP da Inglaterra quando era esperada uma vitória do inglês da McLaren Lewis Hamilton. No GP da Europa, disputado no circuito de Nurburgring, a McLaren festejou nova vitória por Alonso no entanto já nesta altura havia “rebentado” o escândalo do ano: o caso de espionagem que a Ferrari teria sido alvo por parte da McLaren. Muito resumidamente, o que aconteceu foi que Mike Coughlan (da McLaren) terá recebido informação técnica sobre o F2007 e sobre a organização, informação essa que terá sido fornecida por Nigel Stepney, ex-colaborador da Ferrari. Esta situação foi-se arrastando ao longo de várias provas e só em Setembro é que se viria a saber da decisão final. No entretanto, a McLaren obteve nova vitória no GP da Hungria desta feita através de Hamilton mas no GP da Turquia a Ferrari “respondeu” à McLaren com uma vitória de Filipe Massa.
Uns dias antes de se saber a sentença da McLaren, disputou-se o GP da Itália e a equipa inglesa obteve nova dobradinha com Alonso a vencer e Hamilton em segundo lugar. Alguns dias depois soube-se que a McLaren era considerada culpada no caso de espionagem à Ferrari anulando-se todos os resultados na classificação de construtores e uma avultada sanção económica.
Em SPA, os Ferrari dominam a prova com Kimi Raikkonen em primeiro e Filipe Massa em segundo lugar. No GP do Japão, disputado em condições climatéricas adversas, a Ferrari viu-se relegada para os últimos lugares devido a uma norma relativa ao uso dos pneus de chuva que obrigou os dois Ferrari a pararem nas boxes. Kimi ainda recuperou até ao 3º lugar e Massa até ao 6º lugar. A vitória foi para Hamilton que beneficiou da desistência do seu colega de equipa Alonso. Faltavam duas corridas para terminar o campeonato e Hamilton liderava com 12 pontos de vantagem sobre Alonso e 17 pontos sobre Raikkonen.
No GP da China tudo poderia ter ficado decidido a favor de Hamilton que liderou até meio da prova contudo uma má decisão do piloto e da equipa deitou tudo a perder quando um pneu rebentou devido ao excesso de desgaste, ditando o abandono do inglês. Quem aproveitou foi o piloto da Ferrari, Raikkonen, que venceu a prova, seguido de Alonso e Massa. A ultima corrida iria se disputada no Brasil, tendo Hamilton 4 pontos a mais sobre Alonso e 7 a mais sobre Raikkonen. Para Hamilton as contas eram fáceis de fazer: tinha que terminar nos cinco primeiros lugares para se sagrar campeão. Para Alonso e Hamilton as contas eram mais complicadas e dependiam do resultado do inglês. Praticamente desde o inicio da corrida que os Ferrari se instalaram nos dois primeiros lugares, com Massa em primeiro e Raikkonen em segundo. Hamilton, algo nervoso, ia perdendo alguns lugares até que numa tentativa de ultrapassar Alonso perde o controlo do carro e cai para 8º lugar. Ainda com possibilidades de recuperar até ao 5º lugar, Hamilton não se deu por vencido mas um problema na caixa de velocidades atira o inglês para os últimos lugares. Na frente da corrida, a Ferrari faz a sua estratégia de corrida e na mudança de pneus efectua a troca de posições entre os seus dois pilotos. Kimi vence a prova e sagra-se Campeão do Mundo, uma vez que Hamilton apenas recuperou até ao 7º lugar e tendo Alonso ficado pela 3ª posição. Kimi Raikkonen, com 110 pontos, venceu o campeonato por um ponto de diferença sobre Hamilton e Alonso, ambos com 109 pontos. A Ferrari sagrou-se campeã com 204 pontos (9 vitorias) e a Sauber ficou em segundo com 101 pontos (a McLaren foi desclassificada).

Os pilotos do Ferrari F2007 em 2007 foram: #5 Filipe Massa (brasileiro), #6 Kimi Raikkonen (finlandês).
Vitórias: 9 (K. Raikkonen: 6; F. Massa: 3)
Pole-position: 9 (K. Raikkonen: 3; F. Massa: 6)
Melhor volta: 12 (K. Raikkonen: 6; F. Massa: 6)