21 dezembro 2006

Tyrrell P34 - Jody Scheckter (1976)

Esta miniatura pertence à colecção Grand Prix Mitos da Formula 1.
A Tyrrell e o seu designer, Derek Gardner, apresentam em 1976 um conceito inovador que causou sensação na Formula 1, um carro com seis rodas: quatro rodas dianteiras de 10 polegadas e duas rodas traseiras. Inicialmente, este projecto foi considerado um truque publicitário, tal foi o impacto mediático à volta do Tyrrell P34. No entanto com o decorrer do campeonato ficou provado que não era tanto assim já que o Tyrrell P34 alcançou boas performances chegando mesmo a vencer um GP, a única vitória na Formula 1 de um carro de seis rodas. A estreia do P34 na Formula 1 aconteceu no GP da Espanha de 1976 conduzido pelo francês Patrick Depailler.

Para além dessa característica única na Formula 1, o Tyrrell P34 dispunha de duas pequenas “janelas” para que o piloto pudesse ver as pequenas rodas dianteiras. O facto das rodas dianteiras serem de dimensões menores permitiu que a parte frontal do carro fosse mais estreita e que a estrutura dianteira as cobrisse quase completamente, o que dava ao carro um menor atrito aerodinâmico.
As vantagens do Tyrrell P34 evidenciavam-se mais nos circuitos lentos e sinuosos, devido ao poder de travagem e melhor aderência, mas com a evolução que foi tendo ao longo do campeonato demonstrou que também era competitivo nos outros circuitos e disso é prova alguns segundos lugares que conseguiu em provas mais rápidas no final do ano. Apesar de ser um carro bastante equilibrado e competitivo, não era excepcional...faltava-lhe capacidade real de evolução. Uma das grandes desvantagens que teve que enfrentar foi o facto da Goodyear ter que desenvolver pneus de 10 polegadas que mais nenhuma equipa utilizava. E isso fez com que a Goodyear, a determinada altura, tivesse deixado a Tyrrell em desvantagem em relação aos adversários porque tinha que optar entre ter pneus mais evoluídos atrás do que à frente e um carro mais desequilibrado ou então optar pelos pneus mais antigos, logo menos eficazes, e um carro mais equilibrado. Outra desvantagem era de cada vez que o carro ia sofrendo evoluções tornava-se mais pesado. No entanto só em 1977 é que esta desvantagem se tornou mais difícil de superar e com consequências nos resultados.

(continuação do post anterior)
No GP da Bélgica, a Ferrari consegue a segunda “dobradinha” do ano, Lauda vence a prova e Regazzoni é segundo. James Hunt (McLaren) não pontua. No GP do Mónaco, Niki Lauda volta a vencer com o Ferrari 312T, a Tyrrell consegue um excelente resultado, com o P34, ao colocar os seus dois pilotos no pódio, Jody Scheckter (sul-africano) e Patrick Depailler (francês), nos segundo e terceiro lugares, respectivamente.

No GP da Suécia, Jody Scheckter e o Tyrrell P34 vencem a prova, beneficiando do abandono do norte-americano Mário Andretti em Lotus, quando liderava confortavelmente. Pela primeira vez na Formula 1 um carro de seis rodas vence um GP. Para completar o êxito do P34, o outro piloto da Tyrrell, Patrick Depailler, fica em segundo lugar. Niki Lauda (Ferrari) ficou em terceiro lugar e James Hunt (McLaren) foi quinto classificado. No GP da França, Niki Lauda ao abandonar interrompeu uma série de 21 GP’s seguidos sem uma única falha mecânica. A vitória foi para Hunt (McLaren) e Depailler (Tyrrell) consegue repetir o segundo lugar do GP anterior. Estavam decorridos oito provas, metade do campeonato, o líder era Niki Lauda com 52 pontos seguido de Patrick Depailler e James Hunt com 26 pontos. A Ferrari era primeira com 55 pontos e a Tyrrell estava em segundo lugar com 37 pontos.
(continua no post seguinte)

Os pilotos do Tyrrell P34 em 1976 foram: Jody Scheckter e Patrick Depailler.
Vitórias: 1 (J. Scheckter: 1)
Pole-position: 1 (J. Scheckter: 1)
Melhor volta : 2 (J. Scheckter: 1; P. Depailler: 1)

2 comentários:

PGAV disse...

Caro José,

Sempre me questionei acerca da performance deste tyrrel...Aquelas rodas frontais...daria jeito e seria fiavel ???


Grande abraço

Terei novidades para breve.

Pedro

José António disse...

Pedro,
Como refiro no texto, o Tyrrell era um bom carro mas não era excepcional. O facto de ter quatro rodas mais pequenas tinha a vantagem de oferecer menor resistencia aerodinamica mas por outro lado levava a que a Goodyear tivesse de desenvolver pneus especiais para uma só equipa, coisa que não era muito do interesse deles. E depois, pelo que li, o carro de cada vez que era desenvolvido aumentava de peso, o que era uma desvantagem. Concluindo, o carro era bom mas não tinha potencial de desenvolvimento para que fosse excepcional.

Cumprimentos e votos de um Bom Ano de 2007