01 setembro 2008

Peugeot 206 WRC - G. Panizzi - H. Panizzi (Volta à Córsega de 2000)

Esta miniatura pertence à colecção 100 Anos de Desporto Automóvel.
A Peugeot desenvolveu e apresentou, em 1998, aquele que viria a ser o sucessor do Peugeot 205 Turbo 16, modelo que dominou os dois últimos anos (1985 e 1986) do Grupo B nos ralis. Foi com o fim do Grupo B, em 1986, que a Peugeot optou por se retirar dos ralis.
Desde então a Peugeot nunca mais teve um carro, e em abono da verdade diga-se que também nunca se dispôs a fazê-lo, que tivesse capacidade de elevar a marca ao mais alto patamar dos ralis. Mas quando se dispôs, a Peugeot fê-lo de forma categórica.
Foi com o Peugeot 206 WRC que a marca francesa voltou a vencer em 2000 o Campeonato do Mundo de Ralis, 14 anos depois da vitória do 205 T16 em 1986.
Construído, segundo os regulamentos do WRC, o Peugeot 206 WRC faz-me lembrar em alguns aspectos o 205 T16 da década de oitenta: pequeno, compacto e uma silhueta algo semelhante.
O percurso e sucesso do 206 WRC é de alguma forma semelhante ao do 205 T16: o 206 WRC estreou-se a meio do campeonato de 1999 (na Volta à Córsega, exactamente no mesmo rali em que se tinha estreado o 205 T16 em 1984), embora sem vitórias mas com algumas indicações positivas; o 205 T16 estreou também a meio do campeonato de 1984 onde conseguiu logo vencer; o 206 WRC venceu em 2000, tal como o 205 T16 em 1985, os campeonatos logo na sua primeira temporada completa.
O Peugeot 206 WRC esteve em actividade pouco mais de 4 anos, durante os quais venceu 3 campeonatos de marcas (2000, 2001 e 2002) e dois campeonatos de pilotos (Marcus Gronholm sagrou-se campeão em 2000 e 2002). Com o 206 WRC a Peugeot venceu 23 ralis do mundial (15 para Gronholm, 7 para Panizzi e 1 para Auriol). Em 2004 foi substituído pelo 307 WRC mas este novo modelo da Peugeot nunca atingiu os resultados do 206 WRC.
Nota: agradeço ao Quim, leitor atento, por me ter alertado para o facto de o Peugeot 206 WRC ter vencido 24 ralis e não 23 como escrevi em cima. A vitória que faltou foi a da Suécia em 2001 por Harri Rovanpera. Aqui fica a correcção.
Já agora aproveito para sugerir a visita aos dois blogs do Quim: Quim Rally e Rali 43.
A miniatura do Peugeot 206 WRC que apresento é alusiva à vitória obtida na Volta à Córsega de 2000 pelo piloto francês Gilles Panizzi, tendo sido esta o primeiro rali que Gilles Panizzi venceu no WRC. Como curiosidade saliento dois aspectos da carreira de Gilles Panizzi: em todos os ralis que este piloto participou no WRC teve sempre como co-piloto o seu irmão Hervé Panizzi; e todas as 7 vitórias que Gilles alcançou no WRC foram conseguidas ao volante do 206 WRC.

Continuação do Campeonato do Mundo de Ralis de 2000
Quando faltavam apenas 4 ralis para o fim do mundial, o campeonato estava ao rubro: o finlandês Marcus Gronholm (Peugeot) era primeiro com 44 pontos, seguido do escocês Colin McRae (Ford) com 42 pontos, do inglês Richard Burns (Subaru) com 41 pontos e do espanhol Carlos Sainze (Ford) com 37 pontos. Mas nenhum destes pilotos iria vencer a Volta à Córsega, prova que era disputada em asfalto.
Na Córsega, os pilotos ditos especialistas em asfalto estavam na Peugeot e foram esses que dominaram o rali: Gilles Panizzi e François Delecour discutiram ao segundo a vitória. No fim foi Panizzi quem acabou por vencer com Delecour em segundo lugar, o que significou uma “dobradinha” para a Peugeot. Sainz terminou em terceiro lugar. Gronholm ao ficar em quinto ainda ganhou mais alguns pontos a McRae mas perdeu para Burns que ficou em quarto lugar.
O Rali de San Remo foi outra prova semelhante à Corsega, disputada em asfalto no qual os dois favoritos eram novamente Panizzi e Delecour. Desta vez a luta entre os dois franceses da Peugeot foi ainda intensa, no final apenas 16 segundos separavam os dois pilotos. Panizzi voltou a vencer com Delecour a ter que se contentar com a segunda posição. Mas durante o rali os dois pilotos envolveram-se numa acesa troca de palavras. O finlandês Tommi Makinen (Mitsubishi) ficou em terceiro lugar. Gronholm voltou a somar pontos, graças ao quarto lugar, ganhando mais alguma vantagem sobre os outros candidatos ao título: Burns não pontuou, Sainz e McRae foram os quinto e sexto clasificados.
O Rali da Austrália os erros estiveram em destaque e influenciaram o resultado final: Tommi Makinen venceu o rali mas foi desclassificado porque os seus mecânicos erraram ao utilizar peças não homologadas; Carlos Sainz também foi desclassificado porque parou numa zona proibida, o objectivo do piloto espanhol era penalizar para não ter que sair na frente na segunda etapa e assim funcionar como “vassoura” limpando a estrada para os pilotos que se seguiam. Deste modo a vitória foi para Marcus Gronholm que praticamente decidiu aqui o campeonato. Bastava na última prova controlar Burns, que tinha ficado em segundo lugar na Austrália.
No RAC Richard Burns fez aquilo que tinha que fazer para tentar ainda chegar ao título: venceu o rali. Mas Gronholm efectuou uma bela prova e terminou na segunda posição, o que lhe deu o título de campeão, logo no seu primeiro ano em que dispôs de um carro competitivo.
Gronholm obteve 65 pontos (4 vitórias) seguido de Burns com 60 pontos (4 vitórias). A Peugeot venceu o campeonato de marcas com 111 pontos (6 vitórias) contra os 91 pontos (3 vitórias) da Ford.

6 comentários:

PGAV disse...

Olá José!

Já voltei do descanso e agora estou de volta para atacar o trabalho... Ou para ser atacado por ele... LOL

Terei uma novidade para breve...

A tua colecção esta cada vez melhor e já tens mais um lotus F1 publicado muito giro! Os lotus da F1 eram mesmo giros! Os cordoba também estão excelentes!

Abraço rapaz e boa semana! Vou dando noticias!

Pedro

Germano disse...

essa coleção é muito boa, pena que aqui no Brasil veio de forma esparsa

Quim disse...

5 estrelas como sempre.
Uma rectificação, o modelo Peugeot 206 WRC venceu por 24 vezes. Escapou o Harri Rovanpera na Suécia em 2001 (a única vitória deste concorrente).
Abraço

José António disse...

Obrigado a todos pelos vossos comentários.

Agradeço tb ao Quim pela tua correcção. Vou emendar já o texto.

cumprimentos para todos

Quim disse...

Não havia necessidade de uma rectificação tão expressiva. Gosto muito de passar por cá regularmente, pois é um "mimo" ver tanta minituara com qualidade e com explicações com nível.
Uma vez mais obrigado e um grande abraço

José António disse...

Obrigado eu, Quim. É um grande prazer ter um leitor com os teus conhecimentos, aliás que estão bem demonstrados nos teus blogs.
Abraço