16 fevereiro 2014

Ferrari F2007 - Kimi Raikkonen (2007)

 
Esta miniatura pertence à colecção Ferrari F1 Collection – Fasc. Nº 9.
O novo Campeonato do Mundo de F1 que vai ter início dentro de algumas semanas traz algumas interrogações que valem a pena ser colocadas. Desde já temos o regresso dos motores turbo e como é que as equipas se vão adaptar a esta nova realidade da F1. Mas o que me deixa mais curioso, e neste caso têm a ver com a miniatura que hoje vos apresento, diz respeito à equipa Ferrari. Como sabem o piloto finlandês Kimi Raikkonen (ex-Lotus) regressou à Ferrari, equipa com a qual foi campeão em 2007. Acontece que o Kimi Raikkonen vai ser colega de equipa do espanhol Fernando Alonso (campeão em 2005 e 2006 pela Renault) que se encontra na Ferrari desde 2010 logo vai para a sua quinta temporada na Ferrari e ainda sem conseguir sagra-se campeão pela equipa italiana. Ora temos aqui uma situação quase ou mesmo inédita na Ferrari: dois ex-campeões do mundo a lutar pelo lugar de primeiro piloto na Ferrari. Tal situação na Ferrari apenas encontra paralelo na década de 50 ou quando Alain Prost (francês) e Nigel Mansell (inglês) foram colegas de equipa em 1990 (e neste caso Mansell ainda não era Campeão do Mundo). Como irá a Ferrari lidar com a situação? E os pilotos? Esta situação leva-nos a Fernando Alonso que por sua vez já viveu uma situação algo semelhante na McLaren em 2007 quando teve como colega de equipa o inglês Lewis Hanilton, e que levou à saída do espanhol no final do campeonato insatisfeito pela indefinição na equipa sobre qual o primeiro piloto, nessa ocasião a luta dos dois pilotos terá custado à McLaren a perda do campeonato de pilotos por um ponto para Kimi Raikkonen.
A miniatura de que hoje vou falar é a do Ferrari F2007 de Kimi Raikkonen com o qual o piloto finlandês se sagrou Campeão do Mundo em 2007. Recorde-se que Kimi Raikkonen foi contratado para substituir o piloto alemão Micheal Schumacher, que na época tinha feito a sua última temporada em 2006 (como sabemos Schumacher regressou à F1 após dois anos sem correr, em 2009).
Muito trabalhado ao nível aerodinâmico, o Ferrari F2007 apresentava o avanço do eixo dianteiro para reduzir os efeitos nocivos das turbulências geradas pelas rodas e pelas estruturas deformáveis laterais, que permitem um aumento da resistência da estrutura do carro. As rodas dianteiras do F2007 dispunham de uma tomada de ar que permitia canalizar o ar quente para as zonas onde possa gerar uma vantagem aerodinâmica, terminando na zona de baixa pressão atrás do pneu que alimenta o fluxo de ar que passa por baixo do carro e da zona central do perfil do difusor. Esta lua é de carbono e tem uma forma convexa para reduzir os vórtices nocivos. In fascículo nº 9, pág. 14.
O motor é de 8 cilindros em “V” a 90º com 2398 cm3 e calculava-se que tinha mais de 800 cv de potência. A caixa era de 7 velocidades, quick shift o que permitia reduções instantâneas. Os responsáveis técnicos pelo F2007 foram os designers Aldo Costa e Nikolas Tombazis.

O campeonato de 2007
Kimi Raikkonen, tendo mudado de equipa (o piloto finlandês vinha da McLaren), teve o que todos os pilotos anseiam no primeiro GP pela sua nova equipa ao vencer o GP da Austrália. Raikkonen não poderia esperar melhor inicio nesta nova etapa da sua carreira. Atrás de si terminaram os pilotos da McLaren, Fernando Alonso (espanhol) e o estreante Lewis Hamilton, segundo e terceiro classificado, respectivamente. No GP da Malásia a McLaren “respondeu” à Ferrari vencendo a prova através de Alonso e com Hamilton em segundo lugar. No GP do Bahren foi a vez de Filipe Massa (brasileiro) vencer com o Ferrari F2007. Assim havia três vencedores ao fim de 3 provas disputadas.
A primeira prova europeia disputou-se em Espanha e Filipe Massa aproveito o embalo que trazia da prova anterior e venceu a corrida, colocando-se na liderança do campeonato. Três vitórias para a Ferrari com 4 provas disputadas. Contudo a Ferrari iria ver a equipa rival, a McLaren, obter 3 vitórias nas 3 provas seguintes: no Mónaco o espanhol Fernando Alonso foi o primeiro enquanto que o melhor Ferrari foi o Massa em terceiro lugar; no Canadá Lewis Hamilton obteve a sua primeira vitória na F1 e em Indianapolis o inglês voltou a vencer, seguido do seu colega de equipa Alonso.
Em Julho no GP da França Kimi Raikkonen volta a vencer, seguido de Massa; a primeira dobradinha do ano para a Ferrari. O piloto finlandês da Ferrari voltou a vencer no GP da Inglaterra quando era esperada uma vitória do inglês da McLaren Lewis Hamilton. No GP da Europa, disputado no circuito de Nurburgring, a McLaren festejou nova vitória por Alonso no entanto já nesta altura havia “rebentado” o escândalo do ano: o caso de espionagem que a Ferrari teria sido alvo por parte da McLaren. Muito resumidamente, o que aconteceu foi que Mike Coughlan (da McLaren) terá recebido informação técnica sobre o F2007 e sobre a organização, informação essa que terá sido fornecida por Nigel Stepney, ex-colaborador da Ferrari. Esta situação foi-se arrastando ao longo de várias provas e só em Setembro é que se viria a saber da decisão final. No entretanto, a McLaren obteve nova vitória no GP da Hungria desta feita através de Hamilton mas no GP da Turquia a Ferrari “respondeu” à McLaren com uma vitória de Filipe Massa.
Uns dias antes de se saber a sentença da McLaren, disputou-se o GP da Itália e a equipa inglesa obteve nova dobradinha com Alonso a vencer e Hamilton em segundo lugar. Alguns dias depois soube-se que a McLaren era considerada culpada no caso de espionagem à Ferrari anulando-se todos os resultados na classificação de construtores e uma avultada sanção económica.
Em SPA, os Ferrari dominam a prova com Kimi Raikkonen em primeiro e Filipe Massa em segundo lugar. No GP do Japão, disputado em condições climatéricas adversas, a Ferrari viu-se relegada para os últimos lugares devido a uma norma relativa ao uso dos pneus de chuva que obrigou os dois Ferrari a pararem nas boxes. Kimi ainda recuperou até ao 3º lugar e Massa até ao 6º lugar. A vitória foi para Hamilton que beneficiou da desistência do seu colega de equipa Alonso. Faltavam duas corridas para terminar o campeonato e Hamilton liderava com 12 pontos de vantagem sobre Alonso e 17 pontos sobre Raikkonen.
No GP da China tudo poderia ter ficado decidido a favor de Hamilton que liderou até meio da prova contudo uma má decisão do piloto e da equipa deitou tudo a perder quando um pneu rebentou devido ao excesso de desgaste, ditando o abandono do inglês. Quem aproveitou foi o piloto da Ferrari, Raikkonen, que venceu a prova, seguido de Alonso e Massa. A ultima corrida iria se disputada no Brasil, tendo Hamilton 4 pontos a mais sobre Alonso e 7 a mais sobre Raikkonen. Para Hamilton as contas eram fáceis de fazer: tinha que terminar nos cinco primeiros lugares para se sagrar campeão. Para Alonso e Hamilton as contas eram mais complicadas e dependiam do resultado do inglês. Praticamente desde o inicio da corrida que os Ferrari se instalaram nos dois primeiros lugares, com Massa em primeiro e Raikkonen em segundo. Hamilton, algo nervoso, ia perdendo alguns lugares até que numa tentativa de ultrapassar Alonso perde o controlo do carro e cai para 8º lugar. Ainda com possibilidades de recuperar até ao 5º lugar, Hamilton não se deu por vencido mas um problema na caixa de velocidades atira o inglês para os últimos lugares. Na frente da corrida, a Ferrari faz a sua estratégia de corrida e na mudança de pneus efectua a troca de posições entre os seus dois pilotos. Kimi vence a prova e sagra-se Campeão do Mundo, uma vez que Hamilton apenas recuperou até ao 7º lugar e tendo Alonso ficado pela 3ª posição. Kimi Raikkonen, com 110 pontos, venceu o campeonato por um ponto de diferença sobre Hamilton e Alonso, ambos com 109 pontos. A Ferrari sagrou-se campeã com 204 pontos (9 vitorias) e a Sauber ficou em segundo com 101 pontos (a McLaren foi desclassificada).

Os pilotos do Ferrari F2007 em 2007 foram: #5 Filipe Massa (brasileiro), #6 Kimi Raikkonen (finlandês).
Vitórias: 9 (K. Raikkonen: 6; F. Massa: 3)
Pole-position: 9 (K. Raikkonen: 3; F. Massa: 6)
Melhor volta: 12 (K. Raikkonen: 6; F. Massa: 6)

15 dezembro 2013

Ford Fiesta S2000 - M. Hirvonen - J. Lehtinen (Rali de Monte Carlo de 2010)


Esta miniatura pertence à colecção A Paixão Pelo Rally – Fasc. nº 1.
O Campeonato do Mundo (WRC) de 2010 iria ter início apenas em Fevereiro com o Rali da Suécia a abrir a temporada. O Rali de Monte-Carlo, disputado em Janeiro, mais uma vez só iria contar para o Internacional Rally Challenge (IRC). Desde modo a Ford aproveitou a ocasião para estrear o novo Ford Fiesta S2000, modelo que iria servir de base para o futuro WRC da marca. O piloto finlandês da Ford, Mikko Hirvonen, aproveitou a ocasião para conhecer e estrear em competição o Ford Fiesta S2000.
O Rali de Monte-Carlo de 2010 contou com 59 inscritos, onde se incluía o vencedor de 2009, o francês Sébastien Ogier num Peugeot 207 S2000; destas 59 equipas inscritas apenas terminaram a prova 36 equipas. Mikko Hirvonen iniciou o Monte-Carlo ao ataque e instalou-se no primeiro lugar com Ogier em segundo lugar. O Monte-Carlo que é uma prova onde muitas das vezes a escolha de pneus revela-se importante para as aspirações à vitória logo tal facto provocou muitas dores de cabeça aos pilotos, o que levou Ogier a arriscar na terceira classificativa contudo numa saída de estrada o piloto francês perdeu 2 minutos para Hirvonen.
Deste modo Ogier teve que fazer o restante rali em recuperação, enquanto Hirvonen ia controlando a vantagem sobre os seus adversários mais directos. Perto do final da prova quando Sébastien Ogier procurava recuperar 38 segundos de atraso para Hirvonen uma avaria no alternador do Peugeot ditou a sua desistência. Com o seu principal adversário fora do rali, Hirvonen deu ao Ford Fiesta S2000 o primeiro triunfo numa prova internacional. O segundo classificado foi o finlandês Hanninen e o terceiro o francês Vouilloz, ambos em Skoda Fabia S2000. O português Bruno Magalhães terminou na sétima posição num Peugeot 207 S2000.
A miniatura representa o Ford Fiesta S2000 de Mikko Hirvonen e Jarmo Lethinen no 78º Rali de Monte-Carlo de 2010. Equipado com pneus Pirelli, o Fiesta S2000 com um motor de 1999 cc de cilindrada debitava 280 cv de potência.
Mikko Hirvonen nasceu a 31 de Julho de 1980 na Finlândia. A sua estreia no WRC aconteceu no ano 2002 no Rali da FinLândia com um Renault Clio S1600. Ainda nesse ano participa no Rali da Grã-Bretanha com um Subaru Impreza WRC. No ano seguinte participa no campeonato WRC com um Ford Focus WRC ’02 e ’03 conquistando os primeiros pontos na categoria (termina o WRC em 16º com 3 pontos). Em 2004 muda para a Subaru onde utiliza os Impreza ’03 e ’04, terminado o ano em 7º com 29 pontos. Contudo não segura o lugar na Subaru e em 2005 efectua o WRC como privado (com excepção do Rali da Finlândia, num Ford Focus, e no Rali do Japão com um Skoda Fabia WRC) utilizando novamente o Ford Focus WRC ’03 e 04. A conquista do 3º lugar no Rali da Espanha desse ano valeu-lhe, porventura, a assinatura do contrato para 2006 com a equipa oficial da Ford. No campeonato fica em 10º com 14 pontos. Em 2006 com a equipa oficial de Ford Hirvonen conquista a primeira vitória no WRC, aconteceu no Rali da Austrália. Com 8 pódios conquistados, termina o ano no 3º lugar com 65 pontos. De 2007 a 2011, Mikko Hirvonen correu pela Ford oficial, vencendo mais 13 ralis: 2007 – 3º com 99 pontos (3 vitórias); 2008 – 2º com 103 pontos (3 vitórias); 2009 – 2º com 92 pontos (4 vitórias); 2010 – 6º com 126 pontos (1 vitória); 2011 (já com o Ford Fiesta WRC) – 2º com 214 pontos (2 vitórias). Após seis anos com a Ford, Mikko Hirvonen muda de equipa e em 2012 e 2013 guia pela Citroen. Apesar de conquistar muitos pódios apenas vence um rali (Italia em 2012): 2012 – 2º com 213 pontos; 2013 – 4º com 126 pontos. Ao que consta, Mikko Hirvonen será novamente piloto da Ford em 2014. Neste momento Hirvonen já participou em 149 ralis do WRC, vencendo 15 provas e obtendo 64 podios.

10 outubro 2013

Ferrari F1-86 - Stefan Johansson (1986)

 
Esta miniatura pertence à colecção Ferrari F1 Collection – Fasc. Nº 10.
O novo monolugar da Ferrari para o ano de 1986, desenhado por Mauro Forghieri e Harvey Postlethwaite, tinha sido concebido com o novo limite de combustível para essa temporada: 195 litros. Um verdadeiro desafio para as equipas uma vez que desde 1984, após a proibição dos reabastecimentos, que o limite da capacidade dos depósitos vinha diminuindo a cada ano que passava.
O Ferrari F1-86 procurava ser melhor que o do ano anterior mas o que na teoria parecia ser possível na prática revelou-se um verdadeiro quebra-cabeças para a equipa italiana e seus pilotos. O Ferrari F1-86 apresentava melhorias ao nível das suspensões, aerodinâmica e a utilização de instrumentos óptico-electrónicos com um ecran digital que indicava os dados relativos ao consumo e distância. Tratou-se do primeiro passo rumo aos volantes-computador da primeira década do século XXI. in fascículo nº 10 da Ferrari F1 Collection, pag. 3.
O motor era o mesmo do ano anterior, com ligeiras modificações, de seis cilindros turbo em “V” a 120º e podia debitar 850 cv às 11500 rpm, logo mais potente do que no ano anterior. “A dissipação do calor gerado pelo motor exigiu amplas superfícies radiantes que ocupavam os painéis laterais quase por completo.” in fascículo nº 10 da Ferrari F1 Collection, pag. 14.
Ao longo de toda a temporada o Ferrari F1-86 foi tendo uma série quase infindável de problemas mecânicos que atestam a sua pouca fiabilidade logo pouco competitivos nunca conseguir ser uma ameaça às principais equipas (Williams, McLaren e Lotus).
A Ferrari manteve os mesmos pilotos da época anterior: Michelle Alboreto (italiano), que tinha sido o vice-campeão, e Stefan Johansson (sueco), que substituiu o francês René Arnoux após o primeiro GP de 1985. Não seria pela qualidade dos seus pilotos que a Ferrari deixaria de fazer um boa temporada. A comparação da temporada da Ferrari de 1986 com a de 1985 é desastrosa: zero vitórias, zero pole-positions e zero melhores voltar. Enquanto em 1985 a Ferrari ainda lutou pelos títulos em 1986 esteve muito longe de o poder fazer.
A miniatura de hoje representa o Ferrari F1-86 que o piloto sueco Stefan Johansson utilizou durante a temporada de 1986.

O campeonato de 1986
O GP do Brasil foi o primeiro da época tendo Nelson Piquet (brasileiro) vencido a prova logo na sua estreia pela equipa Williams. Piquet tinha deixado a Brabham no final de 1985 e assinou pela equipa de Frank Williams. Os dois Ferrari não tiveram sorte e acabaram por desistir com problemas mecânicos. No GP de Espanha assistiu-se a um final emocionante com o brasileiro Ayrton Senna (Lotus) a sagrar-se vencedor com o inglês Nigel Mansell (Williams) a escassos centímetros do brasileiro. Os Ferrari voltaram a desistir novamente com problemas mecânicos. No GP de Imola a Ferrari conseguiu os primeiros pontos da temporada por intermédio do 4º lugar de Johansson enquanto Alboreto registava novo abandono. A vitória foi para o francês Alain Prost (McLaren), que teria sido a sua terceira vez consecutiva em Imola caso no ano anterior não tivesse sido desclassificado.
No Mónaco os Ferrari de Alboreto e Johansson desistiram novamente com problemas mecânicos, no entanto o sueco ainda conseguiu classificar-se em 10º lugar. Alain Prost venceu a prova pela terceira vez consecutiva.
No GP da Bélgica os dois Ferrari terminaram nos lugares pontuáveis pela primeira vez neste ano: Johansson em terceiro (primeiro pódio da Ferrari no ano) e Alboreto em quarto. Nigel Mansell venceu a sua primeira corrida do ano, vitória que iria repetir no GP seguinte no Canadá. A Ferrari por seu lado falhou novamente, Alboreto foi o oitavo e Johansson desistiu, e iria desistir também no GP de Detroit. Alboreto alcançou mais três pontos devido ao quarto lugar. Ayrton Senna conseguiu a sua segunda vitória do ano em Detroit.
No GP da França, Alboreto após um arranque falhado consegue recuperar até à oitava posição enquanto Johansson viu o turbo do motor do seu Ferrari rebentar. No GP da Inglaterra, Johansson envolveu-se num acidente na partida mas o seu carro foi reparado a tempo da segunda partida contudo nada lhe valeu visto que viria abandonar. Alboreto não teve melhor sorte e abandonou também. Nos GP’s da França e Inglaterra o vencedor foi o mesmo: Nigel Mansell no Williams-Honda.
No GP da Alemanha a Ferrari continuava a série negativa que vinha praticamente desde o inicio do campeonato: Alboreto desistiu e Johansson, voltando a estar envolvido num acidente na partida, termina na 11ª posição. A vitória foi para Nelson Piquet, que já não vencia desde o primeiro GP do ano (Brasil). Nelson Piquet voltaria a vencer na Hungria e Johansson voltou também aos pontos graças ao quarto lugar. Alboreto não escapou à má sina da Ferrari e registou nova desistência, desta vez por acidente.
Na Áustria a Ferrari registou o melhor resultado do ano: Johansson foi o segundo e Alboreto o terceiro. A vitória, essa foi para Alain Prost que assim ganhava fôlego para manter as esperanças de revalidar o título. No GP de Itália Nelson Piquet volta a vencer e a Ferrari consegue um novo pódio através do terceiro lugar de Stefan Johansson. Alboreto desistiu. No GP de Portugal os dois Ferrari voltaram a terminar contudo apenas nos últimos lugares pontuáveis: Alboreto foi quinto e Johansson sexto. Mansell venceu a prova. Alguns dias depois da prova portuguesa Enzo Ferrari anunciava a contratação de John Barnard da McLaren. Desejoso de dar a volta à situação negativa que a sua equipa atravessava Enzo Ferrari dava plenos poderes a John Barnard.
No México a nota de maior registo foi a vitória de Gerhard Berger (austríaco) que vencia pela primeira vez na F1 e dava também a primeira vitória à Benetton. Os Ferrari, esses voltavam à lista dos abandonos. Na última prova do ano havia três pilotos com possibilidades de vencer o título: os dois pilotos da Williams, Piquet e Mansell, e Alain Prost da McLaren. E seria Prost a vencer a corrida e a sagrar-se campeão do mundo, com alguma sorte, é verdade, mas também com muito mérito visto que foi mantendo na luta até ao fim, quando claramente já não tinha o melhor conjunto (carro/motor) do pelotão da F1, que era o Williams/Honda. Stefan Johansson terminou em terceiro e Alboreto desistiu. Prost venceu ocampeonato com 72 pontos e a Williams venceu nos construtores com 141 pontos. Stefan Johansson foi o 5º classificado com 23 pontos e Michele Alboreto o 8º com 14 pontos. A Ferrari terminou o ano com 37 pontos e na 4ª posição.

Stefan Johansson nasceu a 8 de Setembro de 1956 na Suécia. Johansson esteve envolvido em 104 GP’s mas apenas participou em 79 GP’s. A sua primeira tentativa na F1 acontece em 1980 com a Shadow mas falhou a qualificação no Brasil e na Argentina. A sua estreia apenas acontece em 1983 no GP da Inglaterra com a Spirit. Nesse ano participa em 6 GP’s tendo obtido um sétimo lugar. Em 1984 participa em provas com a Tyrrell que depois foi desclassificada por irregularidades nos carros e posteriormente participa nos 3 últimos GP’s do ano com a Toleman. Na primeira prova com Toleman, em Italia (substituía Ayrton Senna, castigado pela equipa por ter assinado pela Lotus), Johansson alcança o quarto lugar. Para 1985, Stefan Johansson efectua a primeira prova (Brasil) com a equipa Tyrrell mas antes da segunda corrida (Portugal) é contactado pela Ferrari para substituir o francês René Arnoux. Nas restantes 15 provas de 1985 Johansson consegue boas performances e obtém dois segundos lugares. Em 1986, ainda na Ferrari, e com um carro visivelmente inferior consegue 4 terceiros lugares terminado o ano em 5º lugar e à frente do seu colega de equipa Michele Alboreto. Gerhard Berger entra na Ferrari e Johansson sai para a McLaren. Assim em 1987 Stefan Johansson consegue, com um carro que já estava ultrapassado, 2 segundos lugares e 3 terceiros lugares. Termina o ano na sexta posição e sai da McLaren para correr pela Ligier em 1988. Estes foram os seus melhores anos na F1 (1985, 1986 e 1987). Na Ligier não consegue nenhum ponto mas a equipa já não era a mesma que pontuava regularmente, não conseguindo inclusive qualificar-se em seis ocasiões. Para 1989 Stefan Johansson tem um desafio ainda maior na pequena equipa da Onyx, que fazia a estreia na F1 tendo que enfrentar as pré-qualificações existentes na época devido à numerosa lista de inscritos que havia. No entanto Stefan Johansson foi lutando e muitas das vezes não conseguia passar nas pré-qualificações, contudo no GP de Portugal consegue qualificar-se e, pasme-se, conseguiu um feito notável ao terminar na terceira posição (12º pódio da sua carreira na F1). Foi sua penúltima corrida na F1. Nesse ano não conseguiu qualificar-se para mais nenhuma prova. Em 1990, ainda na Onyx, tentou por duas vezes qualificar-se, sem êxito, para duas provas. E por aqui se ficou nesse ano. Em 1991 nos dois primeiro GP’s do ano tentou novamente qualificar-se, desta vez na equipa AGS, mas falhou. Depois passou para a Footwork e em quatro ocasiões apenas conseguiu a qualificação para o GP do Canadá. Foi a sua última participação na F1. Stefan Johansson foi um bom piloto da F1 que apesar de ter corrido pela Ferrari e pela McLaren, tal aconteceu em alturas que as equipas se encontravam já em fases descendentes.
Depois da F1 Stefan Johansson esteve envolvido durante alguns anos no campeonato americano CART. Como muitos pilotos que passaram pela F1, Stefan Johansson também apresenta no seu currículo várias participações nas 24 Horas de Le Mans, na qual a mais importante tenha acontecido em 1997 quando venceu as míticas 24 Horas de Le Mans ao lado de Michele Alboreto (seu ex-colega na Ferrari nos anos de 1985 e 1986) e de Tom Kristensen num Porsche WSC-95.

Os pilotos do Ferrari F1-86 em 1986 foram: #27 Michele Alboreto (italiano) e #28 Stefan Johansson (sueco).
Vitórias: 0
Pole-position: 0
Melhor volta: 0

26 setembro 2013

Renault Colorale (1951)

 
Esta miniatura pertence à colecção Táxis do Mundo - Fasc. nº 1.
De tempos a tempos aparecem na minha colecção de miniaturas algumas que "fogem" ao tema central das miniaturas que colecciono, as que dizem respeito ao desporto automóvel. A razão porque tal acontece é porque normalmente compro o primeiro fascículo da colecção uma vez que o preço de lançamento é sempre inferior ao dos restantes fascículos. E esta é uma dessas miniaturas.
O Renault Colorale, e aqui confesso a minha completa ignorância sobre este modelo da marca francesa, pertence a uma época muito próxima da II Guerra Mundial; foi apresentado em 1950 para tentar responder às necessidades dessa altura. A sua produção durou 7 anos (de 1950 até 1956) e durante esse tempo foram feitas algumas alterações, como por exemplo em 1953 com a utilização de um motor de 2 litros (1997 cc) com 58 cv de potência e com uma velocidade máxima de 105 km/h. Inicialmente o Renault Colorale vinha com um motor de 2,4 litros de cilindrada com 46 cv de potência e que muito dificilmente atingia os 100 km/h. O Renault Colorale estava disponível em versão berlina, furgão, pick-up e táxi e ainda era possível adaptar duas ou quatro rodas motrizes. Contudo o Renault Colorale ficou aquém do esperado.
A miniatura representa o Renault Colorale em versão de táxi português de 1951.
Partindo da base da berlina de quatro portas e seis janelas laterais chamada Prairie, a versão táxi dispunha de sete lugares: o do condutor e mais seis na parte de trás. Estes lugares repartiam-se entre o banco corrido posterior e outros três pequenos bancos dobráveis situados numa divisória que separava o lugar de condução do habitáculo traseiro. Estes três lugares extra, apesar de bastante incómodos, possibilitavam a deslocação de grupos de entre três e seis pessoas num único veículo. Outras das modificações desta variante era o porta-bagagem, dividido em dois espaços: o traseiro, com acesso por uma porta que se abria em dois na horizontal, e a dianteiram que ocupava o lugar do acompanhante, ao lado do condutor, de onde se tinha eliminado o banco. in fasciculo nº 1, pags. 6 e 7 da colecção Táxis do Mundo.

05 setembro 2013

Ferrari 156-85 - Michele Alboreto (1985)

 
Faz hoje sete anos que iniciei o blog 4Rodinhas, e embora já não tenha a mesma dinâmica desses tempos, em parte porque a colecção já se encontra aqui exposta, a vontade de dar continuidade a este projecto continua intacta. O que sucede actualmente é que agora apenas vou postando as novas aquisições para a minha colecção de miniaturas à escala 1/43.
No entanto não quero deixar de assinalar esta ocasião e aproveitar o facto para agradecer a todos os visitantes que por aqui passam e convidá-los, caso queiram, a fazer uso da caixa de comentários para dar as suas opiniões.
Bem hajam a todos!


Esta miniatura pertence à colecção Ferrari F1 Collection – Fasc. Nº 12.
A temporada de 1985 foi a última a que Enzo Ferrari assistiu com vida em que a sua equipa esteve perto de conquistar os títulos em disputa. Enzo Ferrari viria a falecer em 1988 mas este ano de 1985 foi de facto o ano em que a sua equipa com um piloto italiano estiveram grande parte do campeonato na liderança contudo na parte final (ultimo terço) do campeonato as coisas inverteram-se e todos os esforços foram em vão no sentido de chegar à conquista do(s) título(s).
O monolugar da Ferrari para o ano de 1985 era completamente novo e Enzo Ferrari depositava grandes expectativas para essa temporada. Concebido pelo engenheiro britânico Harvey Postletwaite, o Ferrari 156-85 dispunha de um motor turbo V6 de 1496 cm3 com uma potência máxima de 780 cv às 11500 rpm. Para a qualificação o motor podia atingir os 1000 cv de potência (facto que era também muito comum nos motores adversários). O chassis era um monobloco, compósito de kevlar e fibras de carbono. A caixa era manual e dispunha de 5 velocidades. Na época os F1 estavam limitados a um consumo máximo de 220 litros de combustível por prova.
A miniatura representa o Ferrari 156-85 do piloto italiano Michele Alboreto no campeonato de 1985.
A equipa de pilotos da Ferrari era a mesma que tinha participado no campeonato de 1984: Michele Alboreto (italiano) e René Arnoux (francês). Foi com estes dois pilotos que a Ferrari se apresentou no inicio do campeonato no Brasil. Contudo entre a prova brasileira e o GP de Portugal o piloto francês foi substituído pelo sueco Stefan Johansson. As razões do sucedido nunca foram explicadas e até hoje o mistério do despedimento de Arnoux continua.
No Gp do Brasil os pilotos da Ferrari obtiveram um resultado positivo: Alboreto fez a pole-position (a única na temporada) e foi o segundo classificado na corrida, atrás do francês Alain Prost em McLaren; Arnoux foi o quarto classificado. Após este resultado Arnoux foi substituído por Johansson.
O GP de Portugal realizou sob condições atmosféricas adversas, contudo Alboreto conseguiu novamente o segundo lugar atrás do Lotus de Ayrton Senna (brasileiro) que vencia pela primeira vez uma prova na F1. Johansson na sua primeira prova pela Ferrari, sem grande tempo de adptação ao 156-85, ficou-se pela oitava posição.
No circuito de Imola, uma prova que causava alguns problemas ao nível do consumo de combustível, os Ferrari estiveram entre o “céu e o inferno”, Alboreto desistiu (mas efectuou a volta mais rápida) no entanto Johansson esteve muito perto de vencer a prova mas ficaria pelo sexto lugar. A quatro voltas do fim Senna, que liderava a prova desde o inicio, fica sem combustível e entrega a liderança a Johansson que ao fim de mais uma volta fica também sem combustível. Prost herda a liderança e vence a prova praticamente já sem combustível também. Mas nas horas seguintes é desclassificado e Elio de Angelis (italiano) num Lotus é declarado o vencedor do GP de Imola com Thierry Boutsen (belga) em segundo lugar num Arrows..
No GP do Monaco Alboreto soma o seu terceiro segundo lugar em 4 provas; Prost é o vencedor; Johansson desiste num acidente logo na primeira volta. Alboreto volta a fazer a volta mais rápida da prova.
O GP do Canadá “deu” à Ferrari a sua primeira e única dobradinha da temporada: Alboreto vence a corrida com Johansson em segundo lugar. No GP dos EUA, Keke Rosberg (finlandês) vence a prova num Williams, Stefan Johansson fica em segundo e Alboreto é terceiro. Com seis provas realizadas, Alboreto é o primeiro classificado do campeonato com 31 pontos seguido de De Angelis com 24 pontos e Prost com 22 pontos.
O GP da França não foi favorável a Alboreto que teve que desistir com o motor partido mas o seu colega de equipa conseguiu um quarto lugar. Nelson Piquet (brasileiro) venceu a prova francesa com o Brabham e Prost foi o terceiro classificado atrás de Rosberg.
No GP da Grã-Bretanha Alain Prost vence a corrida com Michele Alboreto em segundo lugar. Na prova seguinte, disputada na Alemanha, estes dois pilotos inverteram as posições: Alboreto obtêm uma bela vitória com Prost em segundo lugar. Nestas duas provas Johansson não conseguiu pontuar. Alboreto liderava o campeonato com 46 pontos mais 5 que Prost.
No GP da Áustria Prost acabaria por alcançar Alboreto no campeonato ao vencer a prova tendo o italiano da Ferrari terminado a prova em terceiro lugar. Johansson foi o quarto classificado. Nesta fase do campeonato a McLaren demonstrava uma clara e significativa subida de forma que ficaria mais uma vez demonstrada no GP da Holanda. Por outro lado a Ferrari dava sinais de alguma estagnação causando preocupação para o resto do campeonato. A corrida holandesa “deu” a última vitória da carreira de Niki Lauda (austriaco) num McLaren tendo Prost, seu colega de equipa, terminado em segundo lugar. Alboreto ficou em quarto lugar. Foram os seus últimos pontos conquistados em 1985.
Alain Prost venceu o GP de Italia; Alboreto não pontuou e Johansson, que não pontuou na Holanda, arrecadou dois pontos pelo quinto lugar. Na Bélgica, Prost fica em 3º lugar e a vitória foi de Ayrton Senna. Mais uma vez nenhum Ferrari pontua. No GP da Europa, disputado no circuito de Brands Hatch, Alain Prost finalmente conquista o título de campeão ao terminar na quarta posição. O britânico Nigel Mansell num Williams vence a prova, a sua primeira da carreira. A Ferrari volta a não pontuar. Com dois GP’s para terminar a época, há a registar duas vitórias para a Williams: na África do Sul para Mansell e em Adelaide (estreia da Austrália na F1) para Rosberg. Johansson é o único piloto da Ferrari a pontuar: quarto na África do Sul e quinto na Austrália.
O campeonato termina com Alain Prost campeão (73 pontos e 5 vitórias) e Michele Alborteto em segundo lugar com 53 pontos (2 vitórias). Stefan Johansson fica em 7º lugar com 26 pontos e Arnoux em 18º lugar com 3 pontos. A McLaren sagra-se campeã com 90 pontos (6 vitórias) e a Ferrari termina em segundo lugar com 82 pontos (2 vitórias).

Michele Alboreto nasceu a 23 de Dezembro de 1956 em Itália. Depois de ter passado pelas formulas de formação e da conquista do título de Formula 3, a sua estreia na Formula 1 aconteceu no Gp de Imola de 1981 pela equipa Tyrrell. A equipa de Ken Tyrrell já não era a mesma que no final dos anos 60 e início dos anos 70 lutava pelos títulos mas Ken Tyrrell continuava a saber escolher os jovens pilotos com potencial para serem campeões na F1, como era o caso de Michele Alboreto.
Nesta primeira temporada de F1 nada de relevante se passou para Alboreto a não ser a sua aprendizagem na categoria máxima do desporto automóvel. Em 1982 os resultados começaram a aparecer até que na última prova da época Alboreto chega à vitória, a sua primeira na F1, no GP de Las Vegas. No ano seguinte, em 1983, Alboreto continua com a Tyrrell e vence mais uma prova. Os bons resultados chamam a atenção a Enzo Ferrari que o contrata para 1984. Assim Alboreto chega à Ferrari com a esperança de ser o próximo campeão do mundo italiano na F1. O último tinha sido Alberto Ascari em 1953. Em 1984, num ano dominado pela McLaren, Alboreto vence apenas uma prova com a Ferrari. O ano de 1985 trazia melhores e maiores esperanças. De facto foi a melhor oportunidade que Alboreto teve para se sagrar campeão no entanto a parte final do campeonato foi bastante adversa para o italiano que viu as suas hipóteses a esfumarem-se num ápice. Termina a época como vice-campeão com duas vitórias, não voltaria a vencer na F1. A partir daqui a sua carreira na F1 entra em declínio. De 1986 a 1988, ainda na Ferrari consegue alguns pódios mas fica sempre atrás dos seus colegas de equipa. Em 1989 regressa à Tyrrell onde ainda obtêm um terceiro lugar no México mas problemas com patrocínios levam-no para a Lola, sem grandes resultados. Nos 3 anos seguintes (1990 a 1992) Alboreto corre pela Footwork, tendo conquistado pouco mais de meia dúzia de pontos nesses anos. Em 1993 faz 9 Gp’s pela Lola mais uma vez sem grandes resultados. Em 1994 efectua a sua última temporada na F1 pela Minardi, tendo como melhor resultado o sexto lugar alcançado no Mónaco; um belo resultado na mítica prova e com um fraco carro. Ao todo Michele Alboreto participou em 194 GP’s, tendo vencido apenas 5 provas, 2 pole-positions e 5 melhores voltas. Obteve 23 pódios e conquistou 186,5 pontos.
Resumidamente, depois da Formula 1 Michele Alboreto redirecciona a sua carreia para o DTM (1995), Indy Racing League (IRL) em 1996, ainda participou no IMSA (1997). Em 1997 vence as 24 Horas de Le Mans, com Tom Kristensen e Stefan Johansson (seu ex-colega da F1 na Ferrari) com um TWR Porsche. Depois na Audi ainda tentou vencer novamente as 24 Horas de Le Mans em 1999 e 2000. Em 2001 ainda vence as 12 Horas de Sebring com a Audi. Mas depois nuns testes em Lausitzring (Alemanha) quando conduzia o Audi R8, um rebentamento de um pneu causou o acidente que o vitimaria. Foi a 25 de Abril de 2001, Michele Alboreto tinha 44 anos.

Os pilotos do Ferrari 156-85 em 1985 foram: #27 Michele Alboreto (italiano), #28 René Arnoux (francês) e #28 Stefan Johansson (sueco).
Vitórias: 2 (M. Alboreto: 2)
Pole-position: 1 (M. Alboreto: 1)
Melhor volta: 2 (M. Alboreto: 2)