30 novembro 2010

Subaru Impreza WRC - T. Makinen - K. Lindström (Rali de Monte Carlo de 2002)

Esta miniatura pertence à colecção Rallye Monte-Carlo - Os Carros MíticosFasc. nº 33.
O piloto finlandês Tommi Makinen conseguiu em 2002 um feito inédito, à época, ao conseguir vencer pela quarta vez consecutiva o Rali de Monte Carlo. Tommi Makinen tinha deixado a Mitsubishi, aonde se sagrou Campeão do Mundo por quatro vezes consecutivas (de 1996 a 1999), e corria agora pela Subaru. O carro utilizado foi o Subaru Impreza WRC, o mesmo com o qual Richard Bruns (inglês) se tinha sagrado Campeão do Mundo de Ralis no ano anterior.
Contudo a vitória de Makinen no Monte Carlo só foi possível graças a um erro da equipa Citroen. Sébastien Loeb (francês) ao volante de um Citroen Xsara WRC foi o piloto mais rápido ao longo de todo o rali mas, quando já tudo parecia decidido e Makinen já só esperava ser segundo classificado, a equipa da Citroen efectuou uma troca de pneus no carro de Loeb fora de um sector permitido para o efeito. O resultado desse erro foi uma penalização de 2 minutos e a consequente vitória para Tommi Makinen. A sua quarta no Rali de Monte Carlo.
O Subaru Impreza WRC já vinha de um ano de utilização e após a vitória de Makinen no Monte Carlo apenas efectuou mais um rali, na Suécia, onde Makinen e Petter Solberg registaram abandonos devido a problemas no motor.
O Subaru Impreza WRC dispunha de um motor boxer de 4 cilindros com 1994 cc. A potência debitada era de 300 cv às 4000 rpm. A transmissão era integral com uma caixa sequencial de seis velocidades. A miniatura apresentada é o Subaru Impreza WRC com o qual o piloto finlandês Tommi Makinen venceu o Rali de Monte Carlo de 2002. Outro facto que importa registar é que esta era a primeira prova de Tommi Makinen com a Subaru. Nada mal para início de contrato… contudo o resto do ano seria menos agradável para Makinen. A Subaru ficaria em terceiro no campeonato de marcas, vencendo 2 ralis (a primeira e a última prova do ano), enquanto Makinen terminou o ano na oitava posição; por outro lado o seu colega de equipa terminou o campeonato na segunda posição.

20 novembro 2010

Seat Ibiza GTi Kit Car - J. Puras - C. Del Barrio (Rali de Monte Carlo de 1996)

Esta miniatura pertence à colecção Rallye Monte-Carlo - Os Carros Míticos – Fasc. nº 44.
O terceiro lugar no Rali de Monte Carlo conquistado pela Seat em 1977 já ia muito longe quando em 1995 a marca espanhola regressou aos ralis do campeonato do mundo. Neste seu regresso a Seat utilizou o modelo Ibiza 1.8 de 19 válvulas para disputar a categoria de duas rodas motrizes. Como a temporada foi bastante positiva, no ano seguinte a Seat apostou na nova categoria, os Kit Car.
Muito resumidamente, a categoria dos Kit Car estava reservada apenas a carros de 2 litros de duas rodas motrizes. Foi com base no modelo Ibiza que a Seat desenvolveu a sua versão para disputar a nova categoria. Assim o Seat Ibiza GTi Kit Car, baseado na plataforma do VW Polo, dispunha de um motor de 4 cilindros em linha de 1984 cc, com uma potência de 250 cv às 7800 rpm. O motor, que era proveniente do Golf, estava colocado na frente em posição transversal e a transmissão era dianteira e dispunha de uma caixa sequencial de seis velocidades.
Apesar de revelar alguns problemas durante este ano de 1996, a Seat conseguiu vencer o campeonato destinado aos Kit Car. No ano seguinte alguns desses problemas foram resolvidos, melhorando o Ibiza, o que permitiu a conquista de mais dois títulos, o que quer dizer que a Seat venceu 3 títulos consecutivos nesta categoria (1996 a 1998).
Durante estes anos em que disputou a categoria dos Kit Car, o Ibiza teve como principais adversários o Peugeot 306 Maxi, o Skoda Felicia e o Renault Megane Maxi.
A miniatura de hoje representa o Seat Ibiza GTi Kit Car de Jesús Puras no Rali de Monte Carlo de 1996. Esta foi a prova de estreia do Ibiza GTi Kit Car em competição. A equipa era composta pelos pilotos Erwin Weber (alemão) e Jesús Puras (espanhol). Contudo a estreia do Ibiza não foi totalmente feliz: Jesús Puras esteve muito pouco tempo em prova visto que o motor do seu Ibiza apenas aguentou 11 km. Por outro lado, Erwin Weber conseguiu levar o seu Ibiza até à terceira posição entre os Kit Car. Ainda chegou a ocupar a segunda posição mas uma má escolha de pneus deixou-o no terceiro posto. Apesar de não ter iniciado da melhor forma o campeonato, a Seat haveria de vencer nesse ano o primeiro dos três títulos consecutivos. De referir que esta edição do Rali de Monte Carlo não contou para o Campeonato do Mundo de Ralis dos carros de tracção integral, como tal não estiveram presente os grandes nomes e marcas do WRC. A prova foi vencida pelo francês Patrick Bernardini num Ford Escort RS Cosworth, seguido de Francois Delecour (francês) em Peugeot 306 Maxi.

13 novembro 2010

Suzuki Ignis JWRC - G. Wilks - P. Pugh (Rali de Monte Carlo de 2004)

Esta miniatura pertence à colecção Rallye Monte-Carlo - Os Carros MíticosFasc. nº 37.
O Junior World Rally Championship (JWRC) permitiu que alguns pilotos privados tivessem acesso a automóveis de custo moderado. Igualmente também houve algumas marcas que aproveitaram esta competição mais económica para competirem nos ralis e talvez aproveitar essa base para futuramente se lançarem no WRC. Foi o caso da Suzuki.
A Suzuki entra no mundo dos ralis em 2001 no JWRC com o seu modelo Ignis. O JWRC é uma categoria do Campeonato do Mundo de Ralis que está reservado aos carros com cilindrada inferior a 1600 cc, de tracção dianteira e sem turbo.
A aposta nesta categoria (JWRC) levou o seu tempo a dar resultados; só após três temporadas, de 2001 a 2003, é que a Suzuki conseguiu vencer o JWRC, em 2004. A primeira vitória do Ignis (no JWRC) aconteceu em 2003 no Rali da Finlândia com o piloto sueco Daniel Carlsson.
O Suzuki Ignis JWRC de 2004 utilizava um motor de 1597 cc, que debitava 220 cv às 8500 rpm. A tracção era dianteira, conforme o regulamento do JWRC, com uma caixa sequencial de seis velocidades. O Ignis de 2004 representava a segunda geração do modelo da Suzuki. Na prática isto queria dizer que passava a dispor de vias 30 mm mais largas e de suspensões com mais curso, além de que o carro passou a ter mais 15 cm na traseira. Mecanicamente, o Ignis procurou melhorar a sua fiabilidade através da utilização de uma cambota especial e de bielas mais resistentes; os radiadores mudaram de posição e de tamanho; a caixa de velocidades agora utilizada era a da Hewland em substituição da fabricada pela Suzuki, o que permitia ao pilotos seleccionarem as mudanças através de patilhas, como nos WRC. Tudo indica que estas melhorias foram fundamentais em face dos resultados alcançados pela Suzuki ao longo da temporada de 2004.
A miniatura representa o Suzuki Ignis JWRC de Guy Wilks (inglês) no Rali de Monte Carlo de 2004. O piloto inglês não foi feliz nesta sua participação no rali monegasco visto que foi obrigado a desistir. A vitória na categoria JWRC acabou por premiar o Renaul Clio de Nicolas Bernardi (francês). No entanto nem tudo ficou perdido para a Suzuki, o piloto estónio Urmo Aava terminaria em segundo lugar com um Ignis. Contudo e apesar de não ter vencido em Monte Carlo, nas restantes provas o Suzuki Ignis mostrou toda a sua qualidade ao vencer cinco das sete provas que compunham o JWRC; assim o Suzuki Ignis venceu no Rali da Acrópole, no Rali da Turquia, no Rali da Finlândia, no Rali de Gales e no Rali de Itália. O piloto sueco Per-Gunnar Andersson venceu 3 provas (Turquia, Finlândia e Itália) sagrando-se campeão no JWRC e a Suzuki Ignis venceu o seu primeiro título mundial.

04 novembro 2010

Lancia Rally 037 Evo 2 - S. Servià - J. Sabater (Rali de San Froilan de 1986)

Esta miniatura pertence à colecção Rally Collection – Fasc. nº 25.
Na minha opinião o Lancia Rally 037 é um dos mais belos carros de toda a história dos ralis. Lembro-me perfeitamente do espectáculo que dava, principalmente nos ralis em asfalto.
Concebido com base no modelo Beta Monte-Carlo, o Lancia Rally foi desenvolvido exclusivamente para ralis. A sua estreia em competição aconteceu no ano de 1982. Contudo, e em face da nova tecnologia das quatro rodas motrizes introduzida nos ralis pela Audi no ano anterior, o Lancia Rally enfrentava uma tarefa muito difícil. Poderá mesmo aceitar-se a afirmação que “o Lancia Rally foi um erro”. In fascículo nº 25 da colecção Rally Collection.
O Lancia Rally de motor central traseiro era um carro leve, com chassis tubular e tracção traseira. O motor de 4 cilindros, de 1995 cc, debitava uma potência de 300 cv às 8000 rpm. Posteriormente, em 1984, a cilindrada do motor foi aumentada para os 2,2 litros o que permitia obter uma potência na ordem dos 330 cv.
É um facto, o Lancia Rally aparece num momento em que a Audia tinha já lançado a tendência para o futuro dos ralis, que eram as quatro rodas motrizes. No entanto, e apesar apenas dispor de tracção traseira, o Lancia Rally ainda conseguiu vencer o Campeonato do Mundo de Marcas de 1983. Em parte isso deveu-se às dificuldades da Audi em resolver alguns problemas nos seus carros, mas o Lancia Rally também dispôs de dois grandes pilotos, Markku Alén (finlandês) e Walter Röhrl (alemão), que soubaram tirar partido das fraquezas dos adversários e explorar as virtudos do Lancia Rally: “leveza, entrega de potência equilibrada e uma tracção impecável”. In In fascículo nº 25 da colecção Rally Collection. Nesse ano (1983) o Lancia Rally venceu 5 ralis: Monte Carlo, Acrópole e Nova Zelândia por Walter Röhrl e Córsega e San Remo por Markku Alén. O piloto finlandês venceria mais uma vez na Córsega em 1984, naquela que foi a única vitória da Lancia em 1984. O Lancia Rally venceu 6 ralis na sua carreira desportiva no Mundial: 3 com Röhrl e 3 com Alén. Em 1984 a direcção da Lancia, ciente que o futuro dos ralis passava pela tracção integral, estava já empenhada no sucessor do Lancia Rally.
A miniatura que hoje apresento é o Lancia Rally 037 Evo 2 de Salvador Servià (espanhol) no Rali de San Froilan de 1986.
Salvador Servià tinha sido o Campeão de Espanha de 1985, com o Lancia Rally, e surgia em 1986 como o principal favorito na luta pelo título. A temporada anterior tinha-lhe corrido muito bem (5 vitórias) mas durante o campeonato de 1986 sentiu algumas dificuldades financeiras que o limitaram. A par disso teve a dura oposição de Carlos Sainz (espanhol) que conduzia um Renault 5 Maxi Turbo. Com apenas duas vitórias no campeonato espanhol de 1986, Servià surgiu no Rali de San Froilán reforçado com um novo patrocínio (Seven Up) e com um novo Lancia Rally da Jolly Club, o que lhe iria permitir terminar a temporada. A prova começou por ser dominada por Carlos Sainz mas a quebra do turbo do seu Renault ditou a sua desistência. Salvador Servià aproveitou esse facto e venceu a prova com 9 segundos de vantagem sobre António Zanini (espanhol) que conduzia um Ford RS 200. No final do campeonato espanhol Salvador Servià sagrava-se campeão novamente (com 3 vitórias) e o Lancia Rally terminava a sua carreira nos ralis devido à proibição dos carros do Grupo B para 1987.
Aqui ficam mais algumas miniaturas do Lancia Rally pertencentes à minha colecção:
Também aqui fica um link para um excelente blog em que o tema é o Lancia Rally 037.

29 outubro 2010

Hyundai Accent WRC - J. Bérès - P. Stary (Rali de Monte Carlo de 2004)

Esta miniatura pertence à colecção Rallye Monte-Carlo - Os Carros Míticos – Fasc. nº 48.
Após o abandono oficial da Hyundai no final de 2003, os automóveis da equipa foram vendidos ou alugados a pilotos privados. A marca coreana nunca conseguiu grandes resultados aos longos dos anos em que esteve em actividade. Assim e juntando alguns problemas económicos aos fracos resultados desportivos, não é de estranhar que a Hyundai tenha retirado a equipa oficial do WRC. Sem nunca ter vencido, a Hyundai regista como melhor resultado um quinto lugar no Rali da Austrália de 2000.
Em 2004 o piloto eslovaco Jozef Bérès utilizou um Hyundai Accent WRC no Rali de Monte Carlo de 2004. A miniatura hoje apresentada representa esse mesmo Hyundai de Bérès no rali monegasco onde conseguiu um bom resultado final. Jozef Bérès terminou o rali na 9ª posição, sendo o segundo melhor entre os pilotos privados. Depois do Monte Carlo, Bérès ainda participou com o Hyundai Accent WRC no Rali da Suécia e no Rali da Acrópole, onde registou dois abandonos.
O Hyundai Accent WRC dispunha de um motor de 4 cilindros em linha colocado transversalmente na dianteira. A sua cilindrada era de 1998 cc com uma potência de 300 cv debitada às 5300 rpm. A transmissão era integral com uma caixa sequencial de seis velocidades.
Os fracos resultados da Hyundai não terão sido causados pela falta de talento dos seus pilotos, uma vez que por lá passaram alguns pilotos de renome internacional, a saber: Kenneth Eriksson (sueco), Alister McRae (britânico, irmão de Colin McRae), Freddy Loix (belga), Armin Schwartz (alemão) e o ex-campeão mundial Juha Kankkunen (finlandês). A incapacidade de tornar o carro mais fiável e dotado de um motor mais potente acabou por ser mais influente na obtenção de resultados positivos.

19 outubro 2010

Mitsubishi Lancer Evo VI - T. Makinen - R. Mannisenmaki (Rali de Monte Carlo de 2000)

Esta miniatura pertence à colecção Rallye Monte-Carlo - Os Carros Míticos – Fasc. nº 25.
O ano de 2000 representou para Tommi Makinen (finlandês) o fim de um período glorioso de 4 anos em venceu o Campeonato do Mundo de Ralis, sagrando-se tetra campeão (de 1996 a 1999). Contudo Tommi Makinen conseguiu outro feito na sua carreira, ao vencer o Rali de Monte Carlo por quatro vezes consecutivas: de 1999 a 2002.
No campeonato de 2000 Tommi Makinen não conseguiu revalidar o título e só venceu um rali, precisamente o primeiro da época no Monte Carlo. A miniatura que vos apresento representa o Mitsubishi Lancer Evo VI de Tommi Makinen nessa vitória no Rali de Monte Carlo de 2000.
O Mitsubishi Lancer Evo VI mantinha a mesma política da equipa, que se mantinha fiel à utilização de um veículo com as características do Grupo A. O regulamento técnico já permitia os World Rally Car (WRC) desde 1997 mas a Mitsubishi tinha-se mantido com o Lancer do Grupo A que com sucessivas evoluções vinha vencendo títulos desde 1996. Mas finalmente, em 2000, os adversários com os veículos WRC conseguiram destronar a Mitsubishi e Tommi Makinen. O Mitsubishi Lancer Evo VI vinha equipado com um motor de 4 cilindros em linha, colocado transversalmente na traseira, com uma cilindrada de 1997 cc. A potência atingia os 300 cv às 6000 rpm. A transmissão era integral com três diferenciais com uma caixa Xtrac de seis velocidades.
Com poucas alterações em relação ao ano anterior, a Mitsubishi iniciou a temporada de 2000 com uma vitória no Rali de Monte Carlo. Contudo o gelo e o frio sentido nesta edição da prova monegasca iriam desempenhar um papel fundamental no desenrolar dos acontecimentos. A prova iniciou com Tommi Makinen na liderança do rali, seguido do britânico Richard Burns (Subaru) e do francês Gilles Panizzi (Peugeot). Na noite anterior à segunda etapa aconteceu algo de insólito: devido ao muito frio a equipa da Peugeot sofreu uma enorme desilusão porque os três Peugeot 206 WRC oficiais viram-se obrigados a abandonar a prova uma vez que os motores dos Peugeot recusaram-se a pegar. O Subaru de Richard Burns também foi afectado e com isso Tommi Makinen ficou com a vida facilitada na prova. Assim bastou ao finlandês da Mitsubishi controlar o espanhol Carlos Sainz (Ford) para vencer pela segunda vez consecutiva a prova monegasca. Esta foi a sua única vitória em 2000 e apesar de ainda ter conseguido 1 segundo lugar (Suécia) e 3 terceiros lugares (Argentina, San Remo e RAC) Tommi Makinen não foi além do 5º lugar no campeonato (35 pontos). A Mitsubishi quedou-se pela 4ª posição na classificação por marcas. O finlandês Marcus Gronholm, em Peugeot 206 WRC, sagrou-se campeão e a Peugeot venceu o campeonato de marcas.

16 outubro 2010

Nissan 240 RS - T. Salonen - S. Harjanne (Rali de Monte Carlo de 1984)

Esta miniatura pertence à colecção Rallye Monte-Carlo - Os Carros Míticos – Fasc. nº 45.
O finlandês Timo Salonen foi um dos pilotos oficiais da equipa Nissan que disputou o Rali de Monte Carlo nas edições de 1983 e 1984. Julgo que nesse ano de 1984 Timo Salonen não sonharia que um ano depois iria estar com o título de campeão nas suas mãos…
O Nissan 240 RS fez a sua estreia em competição no Monte Carlo de 1983 e desde o início se tornou claro que nada poderia fazer frente a adversários muito melhor preparados e evoluídos tecnicamente. O Nissan 240 RS utilizava um motor de 4 cilindros em linha de 16 válvulas, disposto na dianteira longitudinalmente, que debitava 265 cv às 8000 rpm. A transmissão era traseira com uma caixa de 5 velocidades. A sua grande qualidade era a robustez; qualidade essa que apenas se tornava vantajosa no Safari com as suas longas e difíceis especiais. De resto, o 240 RS estava em desvantagem: não dispunha de tracção integral e não tinha um motor com turbo. E foi com este carro, com estas características que Timo Salonen andou no Campeonato do Mundo de Ralis em 1983 e 1983, diga-se sem grandes resultados, antes de ingressar na Peugeot para se tornar campeão em 1985, mas isso é outra “estória”.
A miniatura que hoje vos apresento é o Nissan 240 RS de Timo Salonen no Rali de Monte Carlo. Nesse ano o rali monegasco disputou-se com muita neve, o que desde logo complicou a vida, já de si muito difícil, de Timo Salonen e do Nissan 240 RS. Com poucas possibilidades de lutar pelos primeiros lugares e com problema nos pneus Dunlop, que se revelavam pouco eficazes na neve, Timo Salonen apenas conseguiu o décimo lugar. A Audi impôs a sua lei e colocou três Audi Quattro nos três primeiros lugares: o alemão Walter Röhrl venceu, seguido dos seus colegas de equipa, Stig Blomqvist (sueco) e Hannu Mikkola (finlandês). Apesar de derrotado pelo seu colega de equipa em Monte Carlo, Stig Blomqvist viria a sagra-se Campeão do Mundo nesse ano. Timo Salonen terminou o campeonato na 10ª posição com 27 pontos.
Timo Salonen nasceu na Finlândia a 8 de Outubro de 1951. A sua estreia nos ralis aconteceu em 1970. Segundo o site www.rallybase.nl, Timo Salonen participou no Campeonato do Mundo de Ralis em 1974, 1975 e 1976 apenas no Rali da Finlândia: em 1974 com um Mazda 1300 tendo terminado a prova na 22ª posição; nas edições de 1975 e 1976 obteve, com o Datsun 160J, a 6ª posição final. Nos dois anos seguintes, 1977 e 1978, Salonen entra para a equipa Fiat onde faz apenas 3 ralis do mundial em cada ano; e é com o Fiat 131 Abarth que consegue a sua primeira vitória no Rali do Canadá de 1977, anteriormente já tinha alcançado o segundo lugar no Rali da Finlandia; em 1978 apenas consegue um 2º lugar novamente no Rali da Finlandia e desiste nas outras duas provas. Convém não esquecer que nestes anos apenas existia o Campeonato para as marcas e assim é compreensível que Salonen apenas seja utilizado consoante a conveniência da Fiat, uma vez que esta utilizava os pilotos que melhor se adaptavam às características de cada rali. Após o ano de 1978, Timo Salonen assina pela Datsun/Nissan e é com a equipa nipónica que vai passar os 6 anos seguintes. Durante esse tempo que esteve na Datsun/Nissan Timo Salonen conseguiu, principalmente nos primeiros anos, alguns excelentes resultados: 2 vitórias (no Rali da Nova Zelândia de 1980 com o Datsun 160J e no Rali da Costa do Marfim de 1981 com o Datsun Violet GT), 4 segundos lugares (um desses com o Nissan 240 RS no Rali da Nova Zelândia de 1983) e 1 terceiro lugar. Em 1979 termina o campeonato em 4º lugar com 50 pontos. É a sua melhor classificação nesses 6 anos com a Datsun/Nissan. Em 1980 é 7º (45 pontos); em 1981 é 6º (40 pontos); em 1982 é 11º 20 pontos), em 1983 é 13º (18 pontos) e em 1984 é 10º (27 pontos). Tudo parecia encaminhado para que Timo Salonen não fizesse nada de mais relevante na sua carreira até que a Peugeot lhe propôs um contrato que lhe colocava nas suas mãos “apenas” o melhor carro de ralis que aparecia em cena na época: o Peugeot 205 Turbo 16. E foi assim que Timo Salonen, aliado ao azar de Ari Vatanen, seu colega na Peugeot que seria o principal candidato ao título de 1985, não fosse o grave acidente que sofreu e o afastou dos ralis durante largo tempo, venceu o título de Campeão do Mundo de Ralis de 1985 com 5 vitórias, numa temporada dominada pelos Peugeot 205 Turbo 16. Em 1986 ainda venceu mais 2 ralis mas já não conseguiu revalidar o título, terminado a temporada em 3º lugar. Com o fim dos carros do Grupo B, Timo Salonen voltou novamente para uma equipa nipónica, a Mazda. Durante 4 anos (de 1987 a 1990) guiou o Mazda 323 4WD e o Mazda 323 GTX tendo conseguido vencer um rali (Suécia em 1987) e coleccionou mais dois segundos lugares. Em 1988 ainda conseguiu ficar em 5º lugar no campeonato mas nos outros anos quedou-se por lugares sempre acima da décima posição. Para finalizar a sua carreira, Timo Salonen ainda guiou para a Mitsubishi em 1991 e 1992. Nesses anos o melhor que conseguiu, em 8 ralis, foi um quarto lugar. Julgo que para comemorar o seu título pela Peugeot, Timo Salonen regista uma participação no Rali da Finlândia de 2002 (14º classificado) com o Peugeot 206 WRC. Timo Salonen regista assim no seu currículo 11 vitórias e um título de Campeão do Mundo em 1985.

06 outubro 2010

Renault Clio JWRC - N. Bernardi - D. Giraudet (Rali de Monte Carlo de 2004)

Esta miniatura pertence à colecção Rallye Monte-Carlo - Os Carros Míticos – Fasc. nº 23.
O piloto francês Nicolas Bernardi participou no Rali de Monte Carlo de 2004 num Renault Clio JWRC, sendo a miniatura hoje apresentada a réplica desse carro.
O francês Nicolas Bernardi, tal como o seu compatriota Sébastien Loeb, foi um piloto produto da fórmula de promoção da Peugeot. (ver post sobre o Peugeot 106). Contudo antes de entrar para a Renault, com a qual disputou os campeonatos de França de 2003 e 2004, Bernardi tinha sido em 2002 piloto da Ford (Ford Puma S1600).
Na edição do Rali de Monte Carlo de 2004, Nicolas Bernadi consegui obter o décimo lugar na classificação geral, o que foi um excelente resultado se tivermos em conta as performances do Renault Clio JWRC. Na categoria JWRC, Bernardi e o Clio foram os vencedores ficando à frente do Suzuki Ignis JWRC de Urmo Aava (estónio).
Contudo no Campeonato do Mundo, Nicolas Bernardi e o Clio JWRC haveriam de ficar atrás do Suzuki Ignis e de Per-Gunnar Andersson, que se tornariam nos campeões do mundo na categoria JWRC. Depois desta vitória monegasca na categoria JWRC, Nicolas Bernardi só voltou a vencer na Catalunha, perdendo o campeonato JWRC por 2 pontos. Após 2004, Nicolas Bernardi deixa a Renault e passa para a Peugeot, vindo a sagrar-se campeão francês em 2005.
Já em 2003, o Renault Clio JWRC, com Simon Jean-Joseph ao volante, tinha vencido, na sua categoria, o Rali de Monte Carlo. No final do campeonato do mundo foi outro piloto, Brice Tiribassi, ao volante do Clio JWRC, que se sagrou campeão do mundo na categoria JWRC. Em França, o Clio JWRC também mostrou a sua eficácia ao vencer o campeonato francês de 2003 (que era composto de ralis de terra e asfalto): Simon Jean-Joseph foi o piloto campeão com o Clio. Em 2004, Simon Jean-Joseph também conquistou, com o Clio, o Campeonato Europeu de Ralis.
O Renault Clio JWRC pertence a uma categoria (Junior World Rally Championship) cuja cilindrada permitida é de 1600 cc, de duas rodas motrizes e sem autorização para utilizar uma alimentação com turbo. O motor do Renault Clio JWRC conseguia debitar 220 cv de potência às 8750 rpm. Dispunha de tracção dianteira com uma caixa sequencial de seis velocidades. Na época a concorrência do Renault Clio era composta de vários modelos: Peugeot 206, Citroen C2, Ford Puma, Fiat Punto e Suzuki Ignis.

02 outubro 2010

Lancia Stratos - J.-C. Andruet - "Biche" (Volta à Córsega de 1974)

Esta miniatura pertence à colecção Rally Collection – Fasc. nº 21.
O Lancia Stratos venceu 17 ralis do mundial de ralis ao longo de vários anos em competição. A sua primeira vitória no mundial aconteceu no Rali de Sanremo de 1974 por Sandro Munari (italiano) e a última foi na Volta à Córsega de 1981 por Bernard Darniche (francês). Com o Stratos a Lancia venceu 3 Campeonatos do Mundo de construtores: 1974, 1975 e 1976.
As suas 17 vitórias estão assim distribuídas:
- 3 Vitórias em 1974 (Sanremo e Rideau Lakes por Sandro Munari e Volta à Córsega por Jean-Claude Andruet);
- 4 Vitórias em 1975 (Monte Carlo por Sandro Munari, Suécia e Sanremo por Bjorn Waldegaard e Volta à Córsega por Bernard Darniche);
- 4 Vitórias em 1976 (Monte Carlo, Portugal e Volta à Córsega por Sandro Munari, e Sanremo por Bjorn Waldegaard);
- 1 Vitória em 1977 (Monte Carlo por Sandro Munari);
- 1 Vitória em 1978 (Sanremo por Markku Alén);
- 3 Vitória em 1979 (Monte Carlo e Volta à Córsega por Bernard Darniche, e Sanremo por Tony Fassina);
- 1 Vitória em 1981 (Volta à Córsega por Bernard Darniche).
É assim fácil verificar que o piloto que venceu mais vezes com o Stratos foi Sandro Munari, com 7 vitórias. Houve dois ralis em que o Stratos se notabilizou: venceu 5 vezes na Volta à Córsega e no Sanremo. O Rali de Monte Carlo também ocupa um lugar de destaque no palmarés do Stratos com 4 vitórias, realçando que 3 delas foram consecutivas: 1975 a 1977 por Sandro Munari.
Baseado num protótipo de Nuccio Bertone o Lancia Stratos de linha futuristas explorou o conceito em cunha, ideia que já vinha sendo aplicada na F1 no início da década de setenta pelo Lotus 72. Nesse aspecto do conceito em cunha posso, de alguma maneira, dizer que o Lancia Stratos está para os ralis assim como o Lotus 72 está para a F1. Para exemplificar melhor aqui fica uma fotografia do Lancia Stratos e do Lotus 72:
O Lancia Stratos de Andruet frente a frente com o Lotus 72D de Fittipaldi

O Lancia Stratos de 1974 dispunha de um motor Ferrari V6 65º Dino de 6 cilindros em linha, colocado em posição transversal/central. Inicialmente não estava prevista a utilização deste motor mas sim o motor do Fulvia. A cilindrada era de 2418 cm3 com 16 válvulas que permitia obter uma potência a rondar os 250 cv às 7200 rpm. Segundo o fascículo que acompanha a miniatura, a útlima versão do Stratos “debitava 295 cv com um motor de 24 válvulas”. Refere também que chegou “a existir uma versão de 32 válvulas e 310 cv”.
A miniatura representa o Lancia Stratos de Jean-Claude Andruet (francês) na Volta à Córsega de 1974. Nesta edição da Volta à Córsega, Jean-Claude Andruet mostrou toda a sua mestria no duelo que travou contra os pilotos da Alpine-Renault. A vitória de Andruet na Córsega permitiu à Lancia a conquista do título mundial de construtores. Atrás do Lancia Stratos de Andruet ficaram 4 Alpine-Renault.
Na minha colecção de miniaturas esta é a quarta do Lancia Stratos, aqui estão as outras três com os respectivos links:

23 setembro 2010

Fiat Ritmo 75 - A. Bettega - M. Perissinot (Rali de Monte Carlo de 1979)

Esta miniatura pertence à colecção Rallye Monte-Carlo - Os Carros Míticos – Fasc. nº 46.
A Fiat esteve ou está quase sempre envolvida nos ralis, umas vezes empenhada em vencer nas categorias principais das provas como foi com o Fiat 131, outras vezes indirectamente com a outra marca do grupo (Lancia) e em outras ocasiões apenas numa determinada categoria que não a principal. Houve, no passado, outras situações em que a Fiat colocou, ao mesmo tempo, no Mundial de Ralis não só equipas com carros para atacar o objectivo principal como equipas com carros de menor expressão competitiva para competir com veículos de igual capacidade de marcas rivais (Ford, Renault, Peugeot e Volkswagen). Um desses momentos da Fiat foi em finais da década de 70 com o Fiat Ritmo do Grupo 2.
O Fiat Ritmo, lançado no Salão de Turim de 1978, serviu de base para a marca italiana desenvolver uma versão de competição para os ralis e assim disputar o Grupo 2 contra o Ford Fiesta, o Renault 5 Alpine, o Volkswagen Golf GTi e o Peugeot 104 ZS. Como sempre a Fiat deixou ao cargo da Abarth para desenvolver a versão de competição.O Fiat Ritmo marcou na marca o momento em que se deixou de designar os modelos por números optando pelos nomes. Outra mudança verificada relaciona-se com a sua estética que era diferente do que se concebia na altura pela Fiat: “mais radical com novas linhas, muito diferentes das formas clássicas da marca italiana”. In fasc. nº 46 da colecção Rallye Monte-Carlo.
Apesar de ser diferente do que se concebia na marca italiana, o Fiat Ritmo teve a sua carroçaria montada sobre a plataforma do 128. O motor era um 4 cilindros em linha, colocado na frente em posição transversal, com 1498 cc. A versão desportiva debitava 165 cv às 7600 rpm. A tracção era dianteira com uma caixa de 5 velocidades. Como era um veículo de tracção dianteira mais leve e mais manobrável adaptava-se bastante bem em condições de aderência precárias.
A estreia do Fiat Ritmo aconteceu na Volta à Itália de 1978, com o objectivo de preparar o carro para o Rali de Monte Carlo de 1979. Como curiosidade, nesta estreia do Ritmo participaram piloto da F1, como Riccardo Patrese e Jody Scheckter. Patrese venceu o Grupo 2 e terminou em quinto da classificação geral. In fasc. nº 46 da colecção Rallye Monte-Carlo.
A miniatura representa o Fiat Ritmo do Grupo 2 no Rali de Monte Carlo de 1979. O piloto foi o italiano Attilio Bettega; um outro Ritmo foi entregue ao sueco Per Eklund.
A luta pela vitória no Grupo 2 incluía também os Renault Alpine e os Ford Fiesta, veículos com menos de 1600 cc e de tracção dianteira. Infelizmente para os homens da Fiat os dois Ritmo não terminaram esta edição do Monte Carlo. Attilio Bettega desde o início se viu confrontado com problemas de aquecimento no motor e acabou por abandonar com a junta da cabeça queimada, por outro lado o seu colega de equipa, Per Eklund, andou muito perto do líder do Grupo 2 (Guy Fréquelin num Renault 5 Alpine) mas também acabou por ser vítima de problemas no motor que ditaram a sua desistência. Attilio Bettega voltaria participar no Rali de Monte Carlo de 1980 e de 1981 com o Fiat Ritmo: em 1980 terminou a prova em 6º lugar e em 2º do Grupo 2 (o vencedor do Grupo 2 foi Per Eklund num Volksvagen Golf), em 1981 não terminou o rali.
Attilio Bettega nasceu em Itália a 19 de Fevereiro de 1953. A sua estreia foi em 1972 mas a primeira prova do mundial foi no Rali de Sanremo de 1978 com um Lancia Stratos. Bettega sempre esteve ligado ao Grupo Fiat, como tal ao longo da sua carreira apenas conduziu carros da Fiat e da Lancia: Fiat 131, Fiat Ritmo, Lancia Stratos e Lancia 037. Attilio Bettega nunca venceu nenhum rali do mundial mas era tido como uma das esperanças do desporto automóvel italiano e mundial. Participou em apenas 26 ralis do mundial tendo obtido como melhor resultado um segundo lugar no Rali de Sanremo de 1984 ao volante do Lancia 037. Foi, também, ao volante de um Lancia 037 que Attilio Bettega viria a sofrer um grave acidente na Volta à Córsega de 1985 que infelizmente o vitimaria a 2 de Maio de 1985. Para além do segundo lugar obtido no Sanremo de 1984, Attilio Bettega registou na sua curta carreira mais 5 terceiros lugares. A sua melhor classificação no Campeonato do Mundo foi o 5º lugar em 1984 com 49 pontos.