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06 agosto 2010

Renault 11 Turbo - J. Ragnotti - P. Thimonier (Rali de Monte Carlo de 1987)

Esta miniatura pertence à colecção Rallye Monte-Carlo - Os Carros MíticosFasc. nº 38.
Seis anos após terem vencido o Rali de Monte Carlo, a Renault e Jean Ragnotti (francês) participaram na edição de 1987 do rali monegasco com o Renault 11 Turbo. Este modelo do Grupo A foi a solução encontrada pela Renault para participar no mundial de ralis depois do fim do Grupo B.
A base era o Renault 11 Turbo de série, modelo que foi concebido em 1977. Os componentes mecânicos do Renault 5 GT Turbo foram aplicados neste modelo e daí se partiu para o desenvolvimento da versão de competição do Renault 11 Turbo.
Depois de alguns melhoramentos efectuados desde o ano de lançamento do Renault 11 Turbo em 1984, a versão de competição dispunha, em 1987, de uma potência de 185 cv às 6000 rpm para um motor de 1397 cc.
Os pilotos que prepararam o Renault 11 Turbo para o ano campeonato de 1987 foram os franceses Jean Ragnotti, Didier Auriol e Alain Oreille.
Contudo no seio da equipa Renault não havia ilusões, era perfeitamente reconhecido que o Renault 11 Turbo não era capaz de competir directamente com os Lancia Delta de 2 litros. Mas mesmo sendo um carro de performance inferior aos dos rivais, o Renault 11 Turbo alcançou vários resultados bastante positivos, embora sem vitórias: Jean Ragnotti ficou em 2º lugar no Rali de Portugal de 1987, 3º no San Remo, 4º na Volta à Córsega e 5º na Grécia.
O Renault 11 Turbo foi, contudo, bem sucedido nos campeonatos nacionais onde registou vitórias e venceu campeonatos.
A miniatura de hoje representa o Renault 11 Turbo de Jean Ragnotti no Rali de Monte Carlo de 1987. Jean Ragnotti terminou o rali apenas na oitava posição mas foi o melhor piloto da equipa. No final do campeonato Jean Ragnotti foi o 5º classificado com 51 pontos (a sua melhor classificação no mundial de ralis) enquanto a Renault terminou no 3º lugar entre os construtores com 71 pontos.
Jean Ragnotti foi um excelente piloto que efectuou a sua carreira nos ralis quase sempre na Renault. Apenas venceu 3 ralis sempre ao volante do Renault 5 Turbo: Rali de Monte Carlo em 1981; Volta à Córsega de 1982 e 1985.
Aconselho a leitura de outro post sobre o Renault 11 Turbo de Inverno Amaral no Rali de Portugal de 1988.

27 julho 2010

Lancia Delta HF 4WD - B. Saby - J.-F. Fauchille (Rali de Monte Carlo de 1988)

Esta miniatura pertence à colecção Rallye Monte-Carlo - Os Carros Míticos – Fasc. nº 41.
Após o fim dos carros do Grupo B, em 1986, a Lancia foi a única, das tradicionais marcas (Peugeot e Audi), que continuou a investir em força no campeonato do mundo de ralis. Em 1987, o primeiro ano pós Grupo B, os carros de ralis permitidos eram os do Grupo A e a Lancia dispunha de uma excelente base para a nova realidade dos ralis: o Lancia Delta HF 4WD.
Este modelo da Lancia tinha sido apresentado em Outubro de 1979, tendo conquistado o prémio de “Automóvel do Ano 1980”. A versão desportiva que serviu de base ao Lancia Delta começou a ser comercializada em meados de 1986 e vinha equipada com um motor turbo de 2 litros e transmissão integral. Na versão de ralis o Delta HF 4WD dispunha de uma potência de 250 cv às 6250 rpm.
O Lancia Delta HF 4WD estreou-se no Rali de Monte Carlo de 1987 com uma vitória de Miki Biasion (italiano). Nesse ano o Lancia Delta HF 4WD sagrou-se campeão vencendo 9 das 13 provas tendo Juha Kankkunen (finlandês), em Lancia, vencido pela segunda vez o campeonato do mundo de ralis. Com um carro muito bem adaptado para o Grupo A e com adversários que nunca tiveram carros com iguais performances, a Lancia iniciou um longo período de domínio nos ralis.
A miniatura apresentada é o Lancia Delta HF 4WD de Bruno Saby no Rali de Monte Carlo de 1988. No início do campeonato a Lancia continuava a ser a equipa mais forte e como tal a concorrência tinha poucas hipóteses de bater a “armada” da Lancia. Deste modo era quase certo, caso nada de anormal acontecesse, que a luta pela vitória no rali monegasco seria uma questão interna da equipa Lancia.
Os três pilotos da equipa oficial da Lancia (Miki Biasion, Yves Loubet e Bruno Saby) dominaram no início. Entretanto Biasion ficou fora de prova e Loubet, que liderou no início, perdeu o primeiro lugar para Saby. Yes Loubet ainda esboçou a tentativa de recuperar o primeiro lugar mas um erro ditou a sua desistência. Com uma grande vantagem sobre o segundo lugar, que era o Lancia privado de Alex Fiorio (italiano), Bruno Saby tomou as precauções necessárias para levar o seu Lancia até ao final da prova vencendo o Rali de Monte Carlo. Foi a sua segunda e última vitória num rali do mundial. O Lancia Delta HF 4WD ainda participou na prova seguinte do campeonato, o Rali da Suécia, onde registou outra vitória por Markku Alén (finlandês). Este foi o último rali do Delta HF 4WD, que foi substituído pelo Lancia Delta Integrale. O campeonato de 1988 foi novamente conquistado pela Lancia (venceu 10 das 11 provas), sendo o título de pilotos para Miki Biasion.
Aqui fica a lista dos vários Lancia Delta da minha colecção de miniaturas:
- Lancia Delta HF 4WD de Carlos Bica (1988)
- Lancia Delta HF Integrale de Miki Biasion (1988)
- Lancia Delta HF Integrale de Didier Auriol (1990)
- Lancia Delta HF Integrale de Didier Auriol (1992)
- Lancia Delta HF Integrale de Juha Kankkunen (1992)
- Lancia Delta HF Integrale de Jorge Bica (1993)
- Lancia Delta HF (versão de estrada)

21 maio 2010

BMW M1 - B. Béguin - J.-J. Lenne (Rali de Lorraine de 1984)

Esta miniatura pertence à colecção Rally Collection – Fasc. nº 18.
O BMW M1, desenhado por Giorgetto Giugiaro, foi utilizado tanto em circuitos como nos ralis. Aliás já vos apresentei aqui no blog uma versão do BMW M1 para pista. A miniatura de hoje é a versão de ralis do BMW M1, neste caso utilizado pelo piloto francês Bernard Béguin no Campeonato Francês de Ralis (Rali de Lorrarine de 1984). Neste rali o BMW M1 de Béguin começou por dominar a concorrência, no entanto sentiu algumas dificuldades ao longo da prova. Primeiro com alguns imprevistos relacionados com o M1 e depois com um denso nevoeiro que lhe limitou a visibilidade, beneficiando outros pilotos que conheciam bem a estrada. Mas após estes contratempos, Béguin recuperou e voltou a fazer os melhores tempos, o que lhe permitiu obter a vitória neste rali do campeonato nacional de França.
O BMW M1 dispunha de um motor de 3497 cc, que na versão de competição podia atingir mais 700 cv de potência! Contudo quando era utilizado nos ralis o motor apenas debitava 430 cv de potência. Para efeitos de promoção do M1, a BMW criou, durante dois anos, um campeonato de M1 (Procar) em que as provas decorriam em paralelo com as provas da F1 (a corrida antecedia a da F1).
Apenas foram construídas 453 unidades do BMW M1, 56 das quais para competição. (fonte fascículo nº 18 Rally Collection)

Nos ralis, para além de ser utilizado em alguns campeonatos nacionais, o BMW M1 teve várias participações no mundial, principalmente nos ralis de asfalto, como a Volta à Córsega. Contudo o M1 nunca atingiu o sucesso pretendido nessa prova. Apesar do BMW M1 ser um carro bastante competitivo revelava-se também bastante frágil e como tal nunca chegou a vencer um rali do Campeonato do Mundo. Mas quem o viu em competição não ficou indiferente à sua imagem e/ou ao som do motor.
Bernard Béguin nasceu a 23 de Setembro de 1947 em França. A sua carreira de piloto teve início em 1971 e prolongou-se até 1996. No Mundial de Ralis Bernard Béguin tem várias participações maioritariamente no Rali de Monte Carlo e na Volta à Córsega. Apenas conseguiu uma vitória, com o BMW M3 na Volta à Córsega de 1987; aliás é neste rali que Béguin tem mais dois excelentes resultados (terceiro lugar), ambos com o Porsche 911 em 1982 e 1985. BernardNegrito Béguin sagrou-se 4 vezes campeão francês: 1979 (Porsche 911 SC), 1991 e 1992 (Ford Sierra Cosworth 4x4) e 1993 (Ford Escort RS Cosworth). Em 1980 ficou em segundo lugar no Campeonato da Europa de Ralis. Ao longo da sua carreira, Bernard Béguin conduziu carros de várias marcas: Alfa Romeo, Opel, BMW, Fiat, Porsche, Alpine-Renault, Ford, Peugeot e Subaru.

15 maio 2010

Lancia Delta S4 - H. Toivonen - S. Cresto (Rali de Monte Carlo de 1986)

Esta miniatura pertence à colecção Rallye Monte-Carlo - Os Carros Míticos – Fasc. nº 34.
Faz neste mês de Maio 24 anos que morreu na Volta à Córsega de 1986 o piloto finlandês Henri Toivonen e o seu co-piloto Sergio Cresto (americano). No segundo dia do rali, à “décima oitava especial, o Delta S4 caiu numa ravina, o depósito de gasolina, de alumínio, explodiu e o automóvel incendiou-se de imediato. Henri Toivonen e Sergio Cresto morreram carbonizados. O carro ficou de tal maneira danificado que foi impossível determinar a causa da sua saída de estrada. Um revés do destino pôs termo à vida de um futuro campeão”. In fasc. 34 Rallye Monte-Carlo - Os Carros Míticos pág. 406.No final do Campeonato do Mundo de Ralis de 1985 a equipa Lancia estreava no RAC o Delta S4, o carro que iria estar directamente ligado ao fim dos veículos do Grupo B. Na verdade podemos dizer que o Lancia Delta S4 efectuou a sua estreia mundial enquanto modelo já homologado no Rali do Algarve de 1985. Markku Alen (finlandês) foi o piloto da Lancia que esteve no rali algarvio e como seria de esperar dominou a prova até ao abandono com problemas no veio de transmissão. No entanto os responsáveis da Lancia ficaram bastante satisfeitos com as indicações do novo modelo e como tal foi com excelentes expectativas que partiram para o RAC. Na sua primeira prova do mundial, o Lancia Delta S4 obteve uma vitória pela mão de Henri Toivonen seguido do seu colega de equipa Markku Alen.
No inicio do campeonato de 1986, no Rali de Monte Carlo, Toivonen volta a vencer e finalmente com um carro de enorme potencial assume a sua condição de principal candidato ao título. No Rali da Suécia abandona. Em Portugal dá-se um trágico acidente envolvendo o público e as equipas oficiais retiram os seus carros em sinal de protesto contra a falta de segurança. No rali seguinte, na Volta à Córsega, acontece o acidente fatal de Henri Toivonen e Sergio Cresto. Após estes acidentes trágicos a FIA ditou o fim dos carros do Grupo B.
O Lancia Delta S4 venceu mais 3 ralis no campeonato de 1986: Miki Biasion (italiano), que substituiu Toivonen, venceu no Rali da Argentina e Markku Alen venceu no Rali de Sanremo (que foi anulado por se terem desclassificado erradamente os Peugeot) e no Rali Olympus. No final do ano a Lancia não conseguiu vencer os títulos que foram para a Peugeot.
A miniatura apresentada é o Lancia Delta S4 de Henri Toivonen no Rali de Monte Carlo de 1986. Nesta primeira prova do campeonato previa-se um duelo renhido entre os pilotos da Peugeot, Lancia e Audi. Toivonen começou o rali ao ataque e liderou a prova até ao momento em que bateu no carro de um espectador num troço de ligação. O atraso do finlandês da Lancia foi inevitável. Contudo a recuperação de Toivonen foi espectacular, numa fase em que os pneus foram determinantes. Assim Toivonen recuperou a liderança e bateu o finlandês Timo Salonen, campeão do mundo, da Peugeot. Desta maneira a Lancia e Toivonen venceram o segundo rali consecutivo (contando como a vitória no RAC, último rali de 1985). Salonen, em Peugeot 205 T16 foi o segundo classificado e Hannu Mikkola (finlandês) o terceiro em Audi Sport Quattro.

Como já abordei noutro post o Lancia Delta S4 e Henri Toivonen, remeto os interessados para a leitura do mesmo:
Lancia Delta S4 – RAC 1985.

15 abril 2010

Opel Ascona 400 - S. Servià - J. Sabater (Rali de Monte Carlo de 1983)

Esta miniatura pertence à colecção Rallye Monte-Carlo - Os Carros Míticos – Fasc. nº 27.
O Opel Ascona 400 na versão de série foi lançado em 1979 com um motor de 2,4 litros que debitava 144 cavalos de potência. A versão desportiva do Ascona 400 foi desenvolvida juntamente com o modelo Manta 400. Contudo foi o Ascona 400 que melhores resultados alcançou nos ralis: o piloto alemão Walter Röhrl sagrou-se campeão de ralis em 1982 ao volante de um Opel Ascona 400.
Na versão desportiva o Opel Ascona 400, alimentado por dois carburadores Weber, atingia os 270 cavalos de potência. A Cosworth foi a empresa responsável pelo desenvolvimento do motor do Ascona 400.
Após a vitória do Opel Ascona 400 de Röhrl no Rali de Monte Carlo de 1982, a Opel apresentou-se na edição de 1983 com reduzidas esperanças para repetir o feito do ano anterior. O carro era o mesmo mas os adversários estavam muito mais fortes.
A miniatura que apresento é ilustrativa do Opel Ascona 400 do piloto espanhol Salvador Servià na edição de 1983 do Rali de Monte Carlo. O piloto espanhol apresentou-se pela primeira vez com um Opel Ascona 400, após 3 anos em que pilotou um Ford Fiesta do Grupo 2, tendo efectuado uma prova razoável. O vencedor foi o mesmo do ano anterior, Walter Rörhl ao volante de um Lancia Rally 037. Sem argumentos face aos carros do Grupo B, Salvador Servià apenas terminaria o rali na décima posição mas foi o melhor dos Grupo 4. O Opel Ascona 400 viria a obter a sua última vitória no Safari nesse ano pela “mão” do piloto finlandês Ari Vatanen.
Salvador Servià nasceu em Espanha a 29 de Junho de 1944. A sua carreira nos ralis começou em 1968 ao volante de um Seat 600. A sua primeira participação no Monte Carlo data de 1972. A melhor classificação que conseguiu na prova monegasca foi o 7º lugar por duas vezes: em 1977 com um Seat e em 1986 com um Lancia Rally 037 (aqui foi o melhor piloto privado). Salvador Servià sagrou-se Campeão de Espanha em duas ocasiões: em 1985 e 1986 ao volante do Lancia Rally 037.

05 fevereiro 2010

Peugeot 205 GTI - J.-P- Ballet - M.-Ch. Lallement (Rali de Monte Carlo de 1988)

Esta miniatura do Peugeot 205 GTI pertence à colecção Rallye Monte-Carlo – Os Carros Míticos (fasc. nº 29).
O Peugeot 205, apresentado no início de 1983, foi um sucesso de vendas que permitiu à Peugeot sair de uma situação algo complicada em que se encontrava. O 205 foi também a base para a Peugeot construir um carro que iria dominar os ralis durante dois anos: o Peugeot 205 T16. Após o fim do Grupo B e consequente retirada dos ralis por parte da Peugeot, ainda foi possível ver em acção nos ralis a versão menos “musculada” do 205 T16: o Peugeot 205 GTI.
O Peugeot 205 GTI foi utilizado por pilotos privados e que, após 1986, conseguiram alguns resultados positivos. Por exemplo e neste caso específico, o piloto francês Jean-Pierre Ballet conseguiu ficar em terceiro lugar na edição de 1988 do Rali de Monte Carlo. Nada mau para um carro com um motor 1.6 de 4 cilindros em linha e 140 cv de potência. A sua excepcional agilidade e comportamento dinâmico, características já presentes no 205 T16, foram fundamentais. A geometria da suspensão, a distribuição de peso, com o motor inclinado para trás no seu compartimento, e o curto curso das suspensões contribuíram bastante para as excelentes características de condução do modelo. Jean-Pierre Ballet conseguiu o seu melhor resultado no mundial de ralis com o Peugeot 205 GTI. O terceiro lugar alcançado no Rali de Monte Carlo de 1988 foi realmente extraordinário visto que Ballet teve um início de rali algo atribulado, com problemas mecânicos e uma penalização de 2 minutos, mas que depois de solucionados apenas perdeu para os Lancia Delta de Bruno Saby e Alex Fiorio, primeiro e segundo classificados respectivamente. Um feito impensável para um piloto amador.
A miniatura representa o Peugeot 205 GTI de Jean-Pierre Ballet no Rali de Monte Carlo de 1988.

17 outubro 2009

Opel Manta 400 - M. Hero - L. Grun (Rali de Monte Carlo de 1986)

Esta miniatura pertence à colecção Rallye Monte-Carlo – Os Carros Míticos (fasc. nº 24).
Substituto do Opel Ascona 400, o Opel Manta 400 entrou em “acção” no Campeonato Mundial de Ralis em 1983. Foi a derradeira tentativa da Opel para lutar contra as grandes marcas que já dominavam os ralis. Se um ano antes, em 1982, isso ainda foi possível como demonstra a conquista do título de pilotos por parte de Walter Rohrl (alemão) com o Opel Ascona 400, a verdade é que, em 1983, o Audi Quattro e o Lancia 037 Rally eram carros tecnicamente superiores ao Opel Manta 400, isto é, logo na estreia o Manta 400 estava ultrapassado.
Julgo que a Opel terá sido a última marca a vencer um dos títulos (1982) em disputa no Mundial de Ralis com um investimento significativamente inferior ao dos seus adversários (Audi e Lancia).
O Opel Manta 400 de tracção traseira dispunha de um motor dianteiro de 4 cilindros em linha de 2420 cc, alimentado por dois carburadores Weber, debitando 275 cv às 7200 rpm. A luta com os adversários era desigual: o Audi Quattro dispunha de tracção total e de um turbocompressor; o Lancia 037 Rally era praticamente um protótipo equipado com um motor em posição central, com um centro de gravidade muito baixo e de tracção traseira (neste aspecto estava em igualdade com o Manta).
Sem conseguir acompanhar o ritmo dos mais poderosos, não é de estranhar que o Opel Manta 400 não tenha conseguido vencer nenhum rali do mundial. A melhor posição que obteve foi um segundo lugar no Safari de 1984 por Rauno Aaltonen (finlandês). No entanto, o Opel Manta 400 teve sucesso nos campeonatos nacionais: Guy Fréquelin sagrou-se campeão francês em 1983 e 1985; Jimmy McRae sagrou-se campeão britânico em 1984 e Russell Brookes em 1985. O Rali de Manx foi também uma prova que Opel Manta 400 conseguiu vencer durante 3 anos: Henri Toivonen (1983), Jimmy McRae (1984) e Russell Brookes (1985).
A miniatura representa o Opel Manta 400 de Manfred Hero (alemão) que foi o 11º classificado no Rali de Monte Carlo de 1986. Apesar de a miniatura estar bastante interessante, há um pormenor que lhe retira qualidade: o decalque do spoiler traseiro está defeituoso por ter sido colado directamente da tampa da mala para o spoiler.

13 outubro 2009

Porsche 911 SC - B. Waldegaard - H. Thorszelius (Rali de Monte Carlo de 1982)

Esta miniatura pertence à colecção Rallye Monte-Carlo – Os Carros Míticos (fasc. nº 22).
Em 1969 e 1970, Bjorn Waldegaard (sueco) venceu o Rali de Monte Carlo ao volante de um Porsche 911S (ver aqui). Em 1982 Bjorn Waldegaard, que foi o primeiro campeão do WRC em 1979, apresentou-se no Monte Carlo ao volante de um Porsche 911 SC preparado pelos irmãos Almeras. Os seus colegas de equipa foram os franceses Jean-Luc Thérier e Guy Fréquelin. A luta pela vitória foi renhida entre o Audi de Hannu Mikkola (finlandês), o Opel de Walter Rohrl (alemão) e os Porsche isto porque nesse ano o asfalto estava mais seco do que normalmente acontece, ao invés das estradas cheias de neve, facto que beneficiou os veículos de tracção traseira. Contudo houve momentos em que os Audi pareciam ganhar vantagem. Mas no final Walter Rohrl conseguiu impor o seu Opel de tracção traseira ao Audi de Mikkola. Thérier conseguiu um excelente terceiro lugar seguido de Fréquelin em quarto. Azarado, Waldegaard debateu-se com problemas mecânicos e acabou por desistir com a embraiagem partida.
A miniatura de hoje é o Porsche 911 SC de Bjorn Waldegaard no Rali de Monte Carlo de 1982. Apesar de já ter postado um Porsche 911 SC do mesmo ano, do mesmo rali e da mesma equipa, a diferença está no piloto e na sua decoração que é diferente do anterior Porsche 911 SC.

Bjorn Waldegaard nasceu na Suécia a 12 de Novembro de 1943. A carreira de Bjorn Waldegaard surpreende pela sua longevidade, mas não só, que durou 30 anos: iniciou em 1962, num Volkswagen Carocha, e terminou em 1992. A sua primeira grande vitória acontece no Rali da Suécia de 1968 num Porsche 911 T. No ano seguinte também vence o Rali da Suécia e vence pela primeira vez o Rali de Monte Carlo com um Porsche 911 S, vitória que repetiria em 1970 com o mesmo carro. É de salientar que as performances de Waldegaard nesse ano foram decisivas para que a Porsche conquistasse o título internacional de construtores (caso já existisse o campeonato de pilotos Waldegaard teria sido o campeão). Nesse ano venceu pela terceira vez consecutiva o Rali da Suécia e o Rali da Áustria. Bjorn Waldeggard manteve a ligação à Porsche até 1972 (nesse ano Waldegaard participa no Rali TAP ao volante de um Citroen). Nos anos de 1973 e 1974 Waldegaard pilotou vários carros: Fiat 124 Abarth, Volkswagen, BMW 2002 Ti, Porsche 911, Toyota Corolla e Celica, e Opel Ascona. Entre 1975 e 1976 guiou pela Lancia tendo vencido 3 ralis: Suécia (1975), San Remo (1975 e 1976). Em 1977 passou para a Ford e logo nesse ano venceu 3 ralis: Safari, Acrópole e RAC. No ano seguinte somou apenas uma vitória: Suécia. 1979 foi o ano da sua consagração ao se tornar Campeão do Mundo de Ralis na primeira edição do WRC: venceu dois ralis, Acrópole e Quebec. Em 1980 guiou pela Mercedes, Fiat e Toyota; em 1981 faz um rali pela Ford sendo os restantes efectuados pela Toyota. Em 1982 participa no Monte Carlo com a Porsche mas o restante campeonato é efectuado ao volante do Toyota Celica. No ano seguinte mantém a ligação à Toyota apesar de participar no San Remo com um Ferrari. A partir de 1984 até 1991 todas as participações de Waldeggard nos ralis são ao volante de um Toyota. Em 1992 participa pela última vez num rali ao volante de um Lancia, foi no Safari. Ao serviço da Toyota Bjorn Waldegaard ainda venceu 6 ralis: Nova Zelândia (1982), Costa do Marfim (1983), Safari (1984), Safari e Costa do Marfim (1985) e Safari (1990). Bjorn Waldegaard venceu 16 ralis mais 5 vitórias anteriores a 1973.

16 julho 2009

Audi Quattro Sport - W. Rohrl - C. Geistdorfer (Rali de Monte Carlo de 1985)

Esta miniatura pertence à colecção Rallye Monte-Carlo – Os Carros Míticos (Fasc. nº 14).
Hoje relembro o Audi Quattro Sport, que anteriormente já foi tema de um post aqui no Quatro Rodinhas.
O Audi Quattro Sport estreou-se na Volta à Córsega de 1984 contudo Walter Rohrl (alemão) foi obrigado a desistir com problemas no motor. Apesar das melhorias em relação ao modelo anterior, o Audi Quattro Sport revelou-se pouco fiável. As diferenças mais significativas entre os dois modelos eram: uma menor distancia entre eixos e uma maior largura, o que o significava maior agilidade nas provas com curvas lentas. O motor também sofreu algumas alterações que levaram a um aumento da potência gerada, que passou dos 370 cv para os 410 cv. A caixa de seis velocidades procurava aproveitar melhor a curva de binário útil disponível. O Audi Quattro Sport impressionava pela seu poder de aceleração o que o tornava num dos carros mais difíceis de pilotar.
A única vitória do Audi Quattro Sport aconteceu no Rali da Costa do Marfim de 1984 com Stig Blomqvist (sueco), que se sagraria campeão no final do campeonato. A equipa Audi ainda iniciou a época de 1985 com este modelo mas não voltou a vencer outro rali. Sensivelmente a meio do campeonato estreou o Audi Quattro Sport S1 (uma verdadeira bomba na época) mas o Peugeot 205 T16 revelava-se já inalcançável. A miniatura apresentada é o Audi Quattro Sport com o qual Walter Rorhl disputou o Rali de Monte de Carlo de 1985. O piloto alemão não conseguiu fazer face ao Peugeot 205 T16 de Ari Vatanen (finlandês) e acabou por ficar em segundo lugar.
Esta miniatura apresenta algumas melhorias em relação à anterior: interiores com cintos; os piscas não são pintados; os farolins traseiros estão mais detalhados; antena; e pormenor nas jantes. Por outro lado os pneus não dispõem da marca Michelin.Walter Rorhl a 7 nasceu a de Março de 1947 na Alemanha. É considerado por muitos dos adeptos que o viram correr como o melhor piloto de ralis de sempre e isto apesar de apenas ter vencido 14 ralis. A sua primeira vitória foi no Rali da Acrópole de 1975 num Opel Ascona. A última vitória foi em 1985 com o Audi Quattro Sport S1 no Rali de San Remo. Rorhl sagrou-se Campeão do Mundo de Ralis em 1980 (Fiat 131 Abarth) e 1982 (Opel Ascona 400). Venceu por quatro vezes o Rali de Monte Carlo com quatro carros diferentes: em 1980 com o Fiat 131 Abarth; em 1982 com o Opel Ascona 400; em 1983 com o Lancia 037 e em 1984 com o Audi Quattro. Abandonou os ralis em 1987.

12 julho 2009

Porsche 911 SC - G. Fréquelin - J.-F. Fauchile (Rali de Monte Carlo de 1982)


Esta miniatura pertence à colecção Rallye Monte-Carlo – Os Carros Míticos (fasc. nº 5).
Em 1982 a vitória da Porsche (Jean-Pierre Nicolas num 911 Carrera RS) no Monte Carlo 4 anos antes ainda estava na memória de muita gente e havia alguma esperança que os Porsche 911 SC pudessem causar alguma surpresa na concorrência. Mas haveriam de se debater com um adversário de peso que dominava os ralis: o Audi Quattro.
O Porsche 911 SC dispunha de um motor de 3.0 litros (2994 cc) que debitava 300 cavalos de potência às 8200 rotações. Era potente mas pouco resistente nas estradas de mau piso dos ralis. Por outro lado adaptava-se muito bem aos ralis disputados em asfalto. A prova disso foi a vitória de Jean-Luc Thérier (francês) na Volta à Córsega de 1980 num Porsche 911 SC.
O envolvimento da Porsche nos ralis foi sempre feito através das equipas privadas e este ano de 1982 não foi diferente. O Rali de Monte Carlos de 1982 tive a participação de dois Porsche 911 SC cuja preparação este a cargo dos irmãos franceses Almeras. Guy Fréquelin e Jean-Luc Thérier foram os dois pilotos franceses que disputaram o rali monegasco com os 911 SC. Tanto Fréquilin como Thérier lutaram pelas primeiras posições contra os Audi de Michelle Mouton (francesa) e Hannu Mikkola (finlandês) e o Opel de Walter Rohrl (alemão). Contudo o vencedor acabou por ser Walter Rohrl num Opel Ascona 400 graças a algumas contrariedades sofridas pelos pilotos da Audi. No diz respeito aos pilotos dos Porsche, tanto Thérier como Fréquelin realizaram provas bastante interessantes, chegando mesmo a vencer algumas especiais. Thérier terminou num excelente terceiro lugar enquanto Fréquelin terminava em quarto, após ter recuperado de uma penalização de 12 minutos por ter reparado a bomba de gasolina.
Esta miniatura representa o Porsche 911 SC com o qual Guy Fréquelin conseguiu o quarto lugar no Rali de Monte Carlo de 1982.

Guy Fréquelin nasceu a 2 de Abril de 1945 em França. A sua carreira teve início a meio da década de sessenta. A carreira no Mundial de Ralis prolongou-se até 1987. Apenas conseguiu uma vitória (Rali da Argentina de 1981 num Talbot), contudo obteve vários pódios. O seu melhor ano foi precisamente o ano de 1981 tendo sido vice-campeão. No ano seguinte também ficou em segundo lugar no Europeu de Ralis. Guy Fréquelin foi campeão francês de ralis em três ocasiões: 1977 (Renault-Alpine A310), 1983 e 1985 (Opel Manta 400). Em 1988 sagrou-se campeão francês de Rallycross com o Peugeot 215 T16. É de salientar que Guy Fréquelin conta na sua carreira com algumas participações nas 24 Horas de Le Mans: em 1977 e 1978 com o Alpine-Renault A442 e em 1981 num WM P79/80 Peugeot. O melhor resultado com alcançou foi o quarto lugar em 1978 com o A442.
Foi contudo, depois da carreira de piloto, que Fréquelin alcançou os maiores sucessos da sua vida. Como chefe da equipa Citroen Sport, conquistou 3 títulos de construtores (2003 a 2005) e 4 de pilotos (2004 a 2007 com Sébastien Loeb). No final de 2007 Fréquelin decidiu que estava na altura de se retirar e deixou a chefia da equipa Citroen Sport.

16 março 2008

Ford Escort MkII RS1800 - C. Torres - F. Lopes (Rali de Portugal de 1982)

Esta miniatura pertence à colecção Os Nossos Campeões de Ralis.
Carlos Torres foi em 1982 o melhor piloto nacional no Rali de Portugal ao terminar num excelente quarto lugar ao volante de um Ford Escort MkII RS1800. E é sobre este modelo da Ford que volto a postar uma miniatura.
O Ford Escort MkII era um carro de ralis já com alguma idade mas com grande fiabilidade o que permitia a quem o conduzisse uma maior probabilidade de terminar o rali. Mas sobre o Escort MkII já há no Quatro Rodinhas uma série de posts:
- Ford Escort MkII - H. Mikkola (1979)
- Ford Escort MkII - B. Waldegaard (1979)
- Ford Escort MkII - A. Vatanen (1981)
- Ford Escort MkII - J. Santos (1983)
- Ford Escort MkII – José Miguel (1985)

Em 1982 o Rali de Portugal foi vencido pelo Audi Quattro de Michelle Mouton (francesa), sendo acompanhada no pódio por Per Eklund (sueco) num Toyota e Franz Wittmann (austríaco) num Audi Quattro. A luta pela vitória ficou decidida a favor da francesa quando Hannu Mikkola (finlandês) abandonou por ter capotado o seu Audi Quattro. A Audi estava praticamente sozinha na luta pela vitória porque o Grupo Fiat tinha optado por não participar no rali português, estreando o Lancia 037 apenas na Volta à Córsega. As outras marcas (Opel, Toyota, Porsche e Ford) não eram então uma verdadeira ameaça ao poderio da Audi, que nesse ano venceria o campeonato de construtores mas perderia o campeonato de pilotos para um piloto da Opel (Walter Rohrl).
Em relação aos pilotos nacionais a luta era entre Joaquim Santos, Carlos Torres, Mário Silva (todos em Ford Escort) e Santinho Mendes em Datsun 160J. A desistência de Joaquim Santos (que viria a sagrar-se campeão nacional pela primeira vez em 1982) e os problemas de Santinhos Mendes deixaram o caminho livre para Carlos Torres ficar com o prémio de melhor português ao terminar no quarto lugar.
Carlos Torres que já tinha sido campeão nacional em 1978 com um Ford Escort RS2000, conseguiu com este quarto lugar a sua melhor classificação no Rali de Portugal. No ano seguinte ainda voltaria a participar, pela última vez, no Rali de Portugal mas não termina o rali.

19 dezembro 2007

Audi Quattro - H. Mikkola - A. Hertz (Rali de Portugal de 1983)

Esta miniatura pertence à colecção Os Nossos Campeões de Ralis.
Em 1983 a Audi, campeã do ano anterior, era a equipa favorita a vencer os dois títulos do Campeonato Mundial de Ralis: o de pilotos e o de construtores. Contudo havia que contar com a Lancia e os seus pilotos.
A Audi dispunha do Audi Quattro com tracção às quatro rodas que lhe dava vantagem nos ralis com troços em terra. Mas no asfalto o Lancia 037, apenas de tracção traseira, ainda conseguia fazer frente ao Quattro.
A Audi manteve a sua equipa de pilotos: a francesa Michelle Mouton, o sueco Stig Blomqvist e o finlandês Hannu Mikkola. A Lancia contratou o Campeão do Mundo de Ralis de 1982 à Opel, o alemão Walter Rohrl, que se juntou a Markku Alén (finlandês), Attilio Bettega (italiano) e Adartico Vudafieri (italiano).
Os campeonatos foram discutidos pela Lancia e Audi e os pilotos das duas equipas. As vitórias foram repartidas e como tal no fim do ano os dois títulos também foram repartidos: a Lancia venceu o campeonato de construtores e um piloto da Audi venceu o de pilotos (Hannu Mikkola). Aliás como já descrevi aqui.
A Lancia venceu o campeonato com 118 pontos e 5 vitórias: Monte Carlo (Rohrl), Volta à Córsega (Alén), Acropolis (Rohrl), Nova Zelândia (Rohrl) e Sanremo (Alén). A Audi ficou em segundo lugar com 116 pontos e 4 vitórias: Portugal (Mikkola), Argentina (Mikkola), Mil Lagos (Mikkola) e RAC (Blomqvist).
Esta miniatura representa o Audi Quattro que Hannu Mikkola utilizou na vitória alcançada no Rali de Portugal de 1983.
O Rali de Portugal de 1983 foi bastante disputado e só no final a vitória sorriu a Mikkola. A luta entre os pilotos da Audi e da Lancia foi constante ao longo do rali português. Inicialmente, na primeira etapa, foi Rohrl e a Lancia quem dominou os acontecimentos. Os troços eram em asfalto e o Lancia 037 levava vantagem sobre o Audi Quattro neste aspecto. Mas com o início da segunda etapa, com troços em terra, foi a Audi quem assumiu a liderança do rali. Primeiro com Blomqvist (Audi) mas após o acidente deste, foi a vez de Mikkola ascender ao comando do rali. Apesar de a Audi dominar nos troços em terra, a vantagem conseguida sobre a Lancia não permitiu clarificar a situação sobre a vitória final. Houve uma sucessão de furos, quer nos pilotos da Lancia bem como nos da Audi, que manteve a incerteza sobre o vencedor quase até ao final do rali. Foi no troço de Arganil, mais uma vez, que ficou decidido o vencedor. Hannu Mikkola ainda apanhou um susto mas saiu de Arganil com a vitória na mão. No final, Mikkola venceu com Mouton em segundo lugar, ambos em Audi. Nas três posições seguintes ficou a “armada” italiana da Lancia: Rohrl, Alén e Vudafieri.
Esta foi a segunda vitória do ano para Mikkola, na sua caminha para o título de pilotos que venceria com 125 pontos e 4 vitórias: Suécia, Portugal, Argentina e Mil Lagos.
Hannu Mikkola, nasceu a 12 de Maio de 1942 na Finlândia. Foi campeão finlandês de Ralis em 1968 (Volvo) e 1974 (Ford Escort). Em 1978 ganhou o campeonato britânico de Ralis com um Ford Escort. O único título mundial de ralis aconteceu em 1983 com a Audi. Foi vice campeão por 3 vezes: 1979 (Ford, Mercedes, Porsche e Toyota), 1980 (Ford e Mercedes) e 1984 (Audi). Em 1993 fez o seu último rali no mundial, precisamente no Mil Lagos onde em 1974 conseguiu a sua primeira vitória. Mikkola venceu 18 ralis do mundial.

06 novembro 2007

Lancia 037 - C. Bica - C. Junior (Rali de Portugal de 1986)

Esta miniatura pertence à colecção Os Nossos Campeões de Ralis.
Em 1986, o campeonato português de ralis teve a presença de um dos mais belos carros de ralis do Grupo B: o Lancia 037 Rally. A equipa Duriforte adquiriu à Abarth um Lancia 037 para Carlos Bica, que assim substituía o “velho” Ford Escort RS. O Renault 5 Turbo de Joaquim Moutinho passava a ter um concorrente de peso mas que não seria o único. Isto porque a Diabolique dispunha agora do novo Ford RS200 para Joaquim Santos. Joaquim Moutinho era o campeão em título e os dois novos carros presentes no panorama nacional de ralis deixava antever uma feroz luta pelo título de campeão de 1986.
Contudo, o que se previa não se concretizou. Em parte porque o novo RS200 sofreu alguns problemas de juventude e porque Carlos Bica também levou algum tempo para conhecer o Lancia 037. Claro que perante as dificuldades dos adversários, Joaquim Moutinho não deixou de aproveitar para vencer um campeonato que se esperava bem mais difícil que o anterior. Moutinho ainda apanhou um susto quando o seu Renault 5 Turbo ardeu no Rali de S. Miguel. Mas a Renault Sport emprestou à Renault Portuguesa o Renault 5 Turbo (que pertencia a Jean Ragnotti) para Moutinho poder continuar a defender o título que viria a revalidar.
Carlos Bica nasceu a 6 de Março de 1958. Conquistou 4 títulos de campeão nacional de ralis: de 1988 a 1991, sempre com modelos do Lancia Delta. No ano de 1986 ficou em segundo lugar no campeonato nacional de ralis mas foi nesse ano que conseguiu a melhor classificação no Rali de Portugal.
Esta miniatura que hoje apresento é a do Lancia 037 que Carlos Bica utilizou no Rali de Portugal de 1986.
O Rali de Portugal de 1986 era esperado com grande expectativa dada a lista de inscritos e devido às equipas oficias presentes no rali: Audi, Lancia, Peugeot, Ford, MG e Citroen. Contudo um acidente, envolvendo um piloto nacional e o público, logo no inicio do rali motivou o abandono das equipas oficiais da prova. Como sabemos, este acidente, juntamente com outros que viriam a acontecer, contribuiu para que a FIA tomasse a decisão de proibir os carros do Grupo B no fim de 1986. Assim o rali passou a ser disputado quase exclusivamente por pilotos nacionais e equipas privadas.
A discussão pela vitória ficou praticamente entregue a Joaquim Moutinho no Renault 5 Turbo. Carlos Bica ainda tentou dar alguma luta a Moutinho mas o desconhecimento do Lancia 037 não lhe permitiam grandes comedimentos. A par disso ainda teve dificuldades com falta de material sobresselente. O italiano Gianni Del Zoppo num Fiat Uno Turbo ainda causou algumas dificuldades a Bica na discussão pela segunda posição mas Bica acabaria por impor o Lancia ao Fiat. E foi deste modo que Joaquim Moutinho venceu tranquilamente o trágico Rali de Portugal de 1986 e Carlos Bica se classificou na segunda posição com o Lancia 037.