23 setembro 2010

Fiat Ritmo 75 - A. Bettega - M. Perissinot (Rali de Monte Carlo de 1979)

Esta miniatura pertence à colecção Rallye Monte-Carlo - Os Carros Míticos – Fasc. nº 46.
A Fiat esteve ou está quase sempre envolvida nos ralis, umas vezes empenhada em vencer nas categorias principais das provas como foi com o Fiat 131, outras vezes indirectamente com a outra marca do grupo (Lancia) e em outras ocasiões apenas numa determinada categoria que não a principal. Houve, no passado, outras situações em que a Fiat colocou, ao mesmo tempo, no Mundial de Ralis não só equipas com carros para atacar o objectivo principal como equipas com carros de menor expressão competitiva para competir com veículos de igual capacidade de marcas rivais (Ford, Renault, Peugeot e Volkswagen). Um desses momentos da Fiat foi em finais da década de 70 com o Fiat Ritmo do Grupo 2.
O Fiat Ritmo, lançado no Salão de Turim de 1978, serviu de base para a marca italiana desenvolver uma versão de competição para os ralis e assim disputar o Grupo 2 contra o Ford Fiesta, o Renault 5 Alpine, o Volkswagen Golf GTi e o Peugeot 104 ZS. Como sempre a Fiat deixou ao cargo da Abarth para desenvolver a versão de competição.O Fiat Ritmo marcou na marca o momento em que se deixou de designar os modelos por números optando pelos nomes. Outra mudança verificada relaciona-se com a sua estética que era diferente do que se concebia na altura pela Fiat: “mais radical com novas linhas, muito diferentes das formas clássicas da marca italiana”. In fasc. nº 46 da colecção Rallye Monte-Carlo.
Apesar de ser diferente do que se concebia na marca italiana, o Fiat Ritmo teve a sua carroçaria montada sobre a plataforma do 128. O motor era um 4 cilindros em linha, colocado na frente em posição transversal, com 1498 cc. A versão desportiva debitava 165 cv às 7600 rpm. A tracção era dianteira com uma caixa de 5 velocidades. Como era um veículo de tracção dianteira mais leve e mais manobrável adaptava-se bastante bem em condições de aderência precárias.
A estreia do Fiat Ritmo aconteceu na Volta à Itália de 1978, com o objectivo de preparar o carro para o Rali de Monte Carlo de 1979. Como curiosidade, nesta estreia do Ritmo participaram piloto da F1, como Riccardo Patrese e Jody Scheckter. Patrese venceu o Grupo 2 e terminou em quinto da classificação geral. In fasc. nº 46 da colecção Rallye Monte-Carlo.
A miniatura representa o Fiat Ritmo do Grupo 2 no Rali de Monte Carlo de 1979. O piloto foi o italiano Attilio Bettega; um outro Ritmo foi entregue ao sueco Per Eklund.
A luta pela vitória no Grupo 2 incluía também os Renault Alpine e os Ford Fiesta, veículos com menos de 1600 cc e de tracção dianteira. Infelizmente para os homens da Fiat os dois Ritmo não terminaram esta edição do Monte Carlo. Attilio Bettega desde o início se viu confrontado com problemas de aquecimento no motor e acabou por abandonar com a junta da cabeça queimada, por outro lado o seu colega de equipa, Per Eklund, andou muito perto do líder do Grupo 2 (Guy Fréquelin num Renault 5 Alpine) mas também acabou por ser vítima de problemas no motor que ditaram a sua desistência. Attilio Bettega voltaria participar no Rali de Monte Carlo de 1980 e de 1981 com o Fiat Ritmo: em 1980 terminou a prova em 6º lugar e em 2º do Grupo 2 (o vencedor do Grupo 2 foi Per Eklund num Volksvagen Golf), em 1981 não terminou o rali.
Attilio Bettega nasceu em Itália a 19 de Fevereiro de 1953. A sua estreia foi em 1972 mas a primeira prova do mundial foi no Rali de Sanremo de 1978 com um Lancia Stratos. Bettega sempre esteve ligado ao Grupo Fiat, como tal ao longo da sua carreira apenas conduziu carros da Fiat e da Lancia: Fiat 131, Fiat Ritmo, Lancia Stratos e Lancia 037. Attilio Bettega nunca venceu nenhum rali do mundial mas era tido como uma das esperanças do desporto automóvel italiano e mundial. Participou em apenas 26 ralis do mundial tendo obtido como melhor resultado um segundo lugar no Rali de Sanremo de 1984 ao volante do Lancia 037. Foi, também, ao volante de um Lancia 037 que Attilio Bettega viria a sofrer um grave acidente na Volta à Córsega de 1985 que infelizmente o vitimaria a 2 de Maio de 1985. Para além do segundo lugar obtido no Sanremo de 1984, Attilio Bettega registou na sua curta carreira mais 5 terceiros lugares. A sua melhor classificação no Campeonato do Mundo foi o 5º lugar em 1984 com 49 pontos.

17 setembro 2010

Saab 96 - E. Carlsson - G. Palm (Rali de Monte Carlo de 1963)

Esta miniatura pertence à colecção Rallye Monte-Carlo - Os Carros Míticos – Fasc. nº 47.
O Saab 96 foi apresentado em 1960 e a sua produção prolongou-se até 1980. Como é de calcular, ao longo desses 20 anos, o Saab 96 foi sofrendo alterações que o mantiveram em comercialização.
Concebido a partir do chassis do Saab 93, este modelo foi o responsável pela internacionalização da marca Saab. Isso ficou a dever-se ao facto do Saab 96 ter sido o primeiro modelo da Saab a ser importado para a Grã-Bretanha e ao seu sucesso desportivo.
Inicialmente, o Saab 96 vinha equipado com um motor de 750 cc de três cilindros que debitava 38 cv de potência. Posteriormente outras motorizações foram montadas no Saab 96 e em 1967 o modelo passou a designar-se 96V4 uma vez que recebeu o motor do Ford Taunus V4. In
http://en.wikipedia.org/wiki/Saab_96 A miniatura que apresento é o Saab 96 do Rali de Monte Carlo de 1963. O piloto é o sueco Erik Carlsson. Segundo o fascículo que acompanha a miniatura, o Saab 96 desta edição do Monte Carlo, dispunha de um motor de 841 cc de 3 cilindros em linha, com um carborador Solex e debitava 70 cv de potência. Com um peso de apenas 815 kg e um bom comportamento em estrada, o Saab 96 mostrou ser uma boa opção na época e as vitórias comprovam-no: Erik Carlsson venceu o RAC em 1960, 1961 e 1962 e o Rali de Monte Carlo em 1962 e 1963. A sua robustez e fiabilidade foram fundamentais na conquista destes sucessos e na construção da reputação dos carros da Saab.
Erik Carlsson venceu o Rali de Monte Carlo de 1963, uma edição da prova que se realizou com neve e gelo. Carlsson teve como grandes trunfos a robustez e fiabilidade do seu Saab 96, beneficiando das penalizações dos mais favoritos. A escolha dos pneus para uma prova com estas características também foi determinante na vitória de Erik Carlsson. Em segundo lugar terminou o Citroen ID 19 de Pauli Toivonen e em terceiro ficou Rauno Aaltonen num Mini Cooper.

12 setembro 2010

Peugeot 106 - Sébastien Loeb (Rallye Jeunes de 1996)

Esta miniatura pertence à colecção Rally Collection – Fasc. nº 20.
Este Peugeot 106 representa o início da carreira de Sébastien Loeb (francês), aquele que é o melhor piloto da actualidade e possivelmente um dos maiores senão o maior piloto de toda a história dos ralis.
Para Sébastien Loeb tudo terá começado no Rallye Jeunes em 1995. Aos 21 anos, Loeb tomou conhecimento do Rallye Jeunes, que mais não era do que uma operação para descobrir novos talentos do volante. Organizado por Jacques Régis, que posteriormente veio a ser o presidente da Federação Francesa do Desporto Automóvel, com o apoio promocional da Peugeot (que viu na prova uma boa acção de marketing uma vez que o carro utilizado era o Peugeot 106), o Rallye Jeunes era uma prova automobilística para jovens entre os 18 e os 25 anos, onde os candidatos eram testados em várias provas de selecção, eliminando-se os piores até se chegar a uma final com apenas seis concorrentes. O vencedor era contemplado com uma temporada na estrutura do Rallye Jeunes da Peugeot.
O Rallye Jeunes começou por se realizar em 1994 mas Sébastien Loeb só na edição de 1995 é que participou. Loeb foi realizando as provas, sendo sempre dos melhores e chegou à final, que acabou por perder para o francês Nicolas Bernardi. No ano seguinte, em 1996, Sébastien Loeb voltou a participar no Rallye Jeunes. Novamente, Loeb foi ultrapassando as eliminatórias até à final. E novamente voltou a perder: na última prova, quando liderava uma travagem falhada e um pião ditaram a sua derrota. Em 1997 Sébastien Loeb voltou ao Rallye Jeunes e como nos anos anteriores foi dos melhores candidatos e chegou novamente à final. Mas desta vez não compareceu porque já tinha conseguido um programa muito mais emocionante para 1998. O resto é história…
A miniatura representa o Peugeot 106 que Sébastien Loeb utilizou no Rallye Jeunes de 1996.
O Peugeot 106 dispunha de um motor com uma cilindrada de 1360 cm3, de 4 cilindros em linha, com uma potência de 75 cv às 4000 rpm. O motor está colocado na dianteira transversalmente. A tracção é dianteira e dispõe de uma caixa manual de 5 velocidades. A velocidade máxima é de 175 km/h.

Fonte: fascículo nº 20 da colecção Rally Collection
No site oficial de Sébastien Loeb, em 1997 não participa no Rallye Jeunes e sim está já integrado no "Volant 106"; em 1998 participa no Citroen Saxo kit-car Cup onde se classifica em 6º lugar.

05 setembro 2010

4 Anos de 4Rodinhas: John Surtees

E passou mais um ano deste humilde blog. Faz hoje quatro anos desde que iniciei o 4Rodinhas.
Assim para assinalar a data resolvi efectuar algumas alterações no blog (que espero que gostem) e decidi fazer um post ligeiramente diferente do habitual. O tema do post será o piloto inglês John Surtees porque foi o único piloto que foi Campeão do Mundo nas motos e na F1, isto é, nas duas e quatro rodas.
Como sempre, quero agradecer a todos os que visitaram e visitam o 4Rodinhas.

As miniaturas apresentadas deste piloto inglês são as seguintes: a moto MV Agusta 500 de quatro cilindros com a qual John Surtees se sagrou Campeão do Mundo de 500 cc em 1956 (da Colecção Grandes Motos de Competição da Altaya), o Cooper T53 de 1961 (Colecção Mitos da F1 da RBA) e o Ferrari 158 do GP de Itália de 1964 (Bruum), ano em que John Surtees venceu o campeonato do mundo de F1. Só para acrescentar refiro que a miniatura da MV Agusta não pertence à minha colecção.
John Surtees nasceu em Catford (Inglaterra), a 11 de Fevereiro de 1934. Talvez não seja de estranhar que John Surtees tenha enveredado pelo desporto se vos disser que o seu pai era um fã de sidecars, que o seu irmão também era um apaixonado pelas motos e que a sua irmã praticava atletismo, julgo mesmo ter sido campeã. Foi então neste meio familiar que desde muito cedo Jonh Surtees tomou contacto com o motociclismo, aos 17 anos, com uma mota, Vincent HRD, comprada pelo seu pai. Em 1952 Surtees trocou esta mota por uma Norton e começou a competir em provas nacionais. Em 1954 obteve um excelente 5º lugar no Grande Prémio de Ulster na categoria de 500 cc, prova que venceria no ano seguinte com uma NSU. Com mais alguns resultados expressivos, nomeadamente vitórias em Brands Hatch e Silverstone, John Surtees começa a despertar as atenções no meio do motociclismo, principalmente a Domenico Agusta. Como seria de prever, Domenico Agusta, convida John Surtees para efectuar alguns testes com a MV Agusta em Monza e Modena. Nessas sessões de testes o piloto inglês dá provas da sua categoria e ao longo das voltas vai fazendo acertos na MV Agusta que acabaram por lhe permitir bater o recorde do circuito. Assim Surtees consegue um contrato para guiar pela MV Agusta. Em 1956, ao volante da MV Agusta 500 de quatro cilindros, que John Surtees conquistou o seu primeiro título de campeão do mundo, neste caso Campeão do Mundo de 500 cc. (3 vitórias). Ainda nesse ano participa no campeonato de 350 cc.
Em 1957 é apenas 3º classificado no Campeonato do Mundo de 500 cc (1 vitória). Nos anos seguintes, de 1958 a 1960, John Surtees domina as provas de 350 cc e 500 cc, sagrando-se sempre campeão do mundo nas duas categorias. E sempre com a MV Agusta. Para termos uma melhor noção do seu domínio nos dois campeonatos aqui fica o registo das suas vitórias: em 1958 venceu 6 das 7 provas em ambos os campeonatos; em 1959 venceu todas as provas em que participa nas duas categorias (6 vitórias em 350 cc e 7 vitórias em 500 cc) e em 1960 conquista novamente os dois campeonatos com 2 vitórias em 350 cc e 5 vitórias em 500cc. Neste ano encerra a sua actividade nas motos com o impressionante registo de 7 títulos de campeão do mundo (4 títulos em 500 cc e 3 títulos em 350 cc).
Foi também em 1960 que o seu interesse na competição em quatro rodas foi concretizado. A sua primeira participação oficial foi em Godwood, na Formula Júnior, com um monolugar de Ken Tyrrel. O resultado foi uma vitória. Quem lhe permitiu a estreia na Formula 1 foi outra personagem carismática do meio: Colin Chapman. A estreia aconteceu no GP do Mónaco de 1960 ao volante de um Lotus 18. No seu segundo GP, em Inglaterra, quase vence a corrida terminado em segundo lugar. A sua primeira pole-position acontece ainda em 1960, no GP de Portugal. Para o ano de 1961, John Surtees deixou a Lotus e assinou com a equipa Yeoman Credit, que utilizava os Cooper T53. No entanto foi neste ano que entrou em vigor o novo regulamento na F1, que limitava a cilindrada dos monolugares a 1500 cc. Apesar de o Cooper ter sido um carro inovador ao introduzir o motor central traseiro na F1, os resultados obtidos por Surtees foram fracos, uma vez que o Cooper, campeão em 1959 e 1960, foi ultrapassado pela Ferrari. O melhor que John Surtees conseguiu nesse ano com o Cooper T53 foi terminar duas vezes em sexto lugar. O ano seguinte foi passado a desenvolver o chassis Lola na equipa Bowmaker. Apesar de ter estado perto de vencer um GP os resultados também não foram animadores, contudo John Surtees conseguiu um contrato para correr pela Ferrari para o ano de 1963. Foi então na Ferrari que John Surtees obteve a sua primeira vitória na F1, no GP da Alemanha de 1963. Nesse ano ainda vence mais uma prova e termina o campeonato no 4º lugar. Em 1964 vence mais dois GP’s e chega à última prova do campeonato, no México, com hipóteses de se sagrar campeão, o que veio a acontecer depois de os seus rivais ficarem afastados da luta pelo título. Em 1965 ainda consegue alguns resultados positivos com o Ferrari 158 (modelo do ano anterior) mas o desenvolvimento do motor impediu o piloto inglês de feitos dignos de um campeão do mundo (foi apenas 5º no campeonato). Além da F1, John Surtees também participava em algumas provas de sports pela Ferrari, e foi nos 1000 Km de Nurburgring que sofreu um grave acidente que lhe limitou a temporada de 1965. No ano seguinte ainda efectua duas provas pela Ferrari mas as divergências com a direcção da equipa agravam-se e Surtees opta por deixar a Ferrari acabando o resto do campeonato na Cooper. Ainda foi a tempo de vencer o último GP do ano ficando em 2º lugar no campeonato. John Surtees aceita o desafio da Honda e esta foi a sua equipa nos dois anos seguintes: em 1967 consegue mais uma vitória (a sua última na F1) e é 4º no final do campeonato; em 1968 não há vitórias a registar e é apenas 7º no campeonato. Durante esse dois anos John Surtees tentou evoluir o Honda mas no final de 1968 muda de equipa novamente. A BRM foi a sua nova aposta para 1969 mas a equipa já se encontrava numa fase menos boa: os tempos em que a BRM lutava pelos títulos já pertenciam ao passado. Os resultados são fracos e como tal, em 1970, John Surtees opta por criar a sua própria equipa de F1. Até 1972 mantêm-se como piloto da sua equipa mas depois disso decidiu-se apenas pela direcção da mesma. A equipa Surtees esteve em actividade até 1978. Contudo os resultados não foram brilhantes, isto é, sem vitórias, apenas regista dois pódios e 3 melhores voltas nos anos de 1972 e 1973. Ao longo dos tempos John Surtees foi aparecendo em eventos históricos das duas e quatro rodas. Muito recentemente John Surtees sofreu um duro golpe com a perda de um filho, Henry, num acidente numa prova de Formula 2 em Brands Hatch. John Surtees sagrou-se Campeão do Mundo de 350 cc em 1958, 1959 e 1960 (15 vitórias), também foi Campeão do Mundo de 500 cc em 1956, 1958, 1959 e 1960 (22 vitórias), estes títulos foram conquistados sempre na MV Agusta.
Na Formula 1, John Surtees foi Campeão do Mundo em 1964 pela Ferrari e vice campeão em 1966. Ao longo de 111 GP’s, distribuídos por 14 temporadas, conquistou 6 vitórias, 8 pole-positions e 11 melhores voltas (180 pontos).

Fontes:
Colecção Mitos da Formula 1 (RBA)
Colecção Grandes Motos de Competição (Altaya)
http://www.statsf1.com/
http://en.wikipedia.org/wiki/John_Surtees