28 dezembro 2007

Minardi M189 - Pierluigi Martini (1989)

Esta miniatura é da marca Onyx.
O Minardi M189 de Pierluigi Martini de 1989 foi a terceira miniatura que adquiri, juntamente com o Lotus 101 e o Ferrari 250 LM, na tal papelaria que já referi nos posts sobre essas duas miniaturas.
A equipa Minardi partiu, em 1989, para a sua quinta temporada na Formula 1 com o carro do ano anterior. Os engenheiros responsáveis pelo novo Minardi M189 foram Aldo Costa e Nigel Cowperthwaite mas o M189 só ficou pronto para a 4ª corrida do ano, no México. O motor foi o mesmo do ano anterior, o Ford Cosworth. Assim como se manteve o fornecedor dos pneus, a Pirelli. Quanto aos pilotos, manteve-se a mesma dupla de pilotos de 1988, o italiano Pierluigi Martini e o espanhol Luís Perez Sala. Apenas com uma pequena alteração, o piloto italiano Paolo Barilla substituiu Martini no GP do Japão.
Em 1988, a Minardi tinha conseguido os primeiros pontos do seu historial. E seria no ano de 1989 que a Minardi obteria um pequeno momento de glória na sua história. Foi no GP de Portugal que Pierluigi Martini e a Minardi chegaram pela primeira vez à liderança de um GP, foi apenas uma volta. Até 2005, ano em que a Minardi “fechou as portas”, nunca mais nenhum Minardi voltou a liderar uma corrida na Formula 1, nem Martini voltaria a ocupar o primeiro lugar durante um GP.
A Minardi ficou em 10º lugar com 6 pontos, Pierluigi Martini ficou em 14º lugar com 5 pontos e Luis Perez Sala foi o 26º com 1 ponto.
Pierluigi Martini nasceu a 23 de Abril de 1961. Martini participou em 118 GP na Formula 1. Estreou-se na Formula 1 no GP do Brasil em 1985 juntamente com a sua equipa de sempre, a Minardi. É o piloto da Minardi com mais Gp’s. Martini fez 102 corridas pela Minardi e 16 pela Dallara. Conseguiu 18 pontos (16 pela Minardi e 2 pela Dallara). Os melhores resultados foram dois quartos lugares. Não fez nenhuma pole-position mas partiu uma vez da segunda posição da grelha de partida (EUA em 1990). A última corrida aconteceu em 1995 no GP da Alemanha.

1989 – O Campeonato (continuação)
No GP da Alemanha, Ayrton Senna (McLaren) vence mas o seu colega de equipa e rival Alain Prost fica na segunda posição, minimizando as perdas para o brasileiro.
No GP da Hungria, Nigel Mansell (Ferrari) volta a vencer, depois da vitória no primeiro GP do campeonato. Senna fica em segundo lugar e Prost é apenas o quarto.
A McLaren obteve a sua quarta dobradinha da temporada ao vencer na Bélgica. Senna foi o primeiro e Prost o segundo. Senna vinha a recuperar a desvantagem pontual para Prost mas os GP’s seguintes seriam fatais para as aspirações do brasileiro na tentativa de chegar ao título.
Efectivamente, os dois GP’s seguintes, Itália e Portugal, foram nefastos para Senna que somou duas desistências, enquanto o seu rival, Prost, conseguiu uma vitória (Itália) e um segundo lugar (Portugal). O austríaco Gerhard Berger (Ferrari), que ainda não tinha pontuado até essa altura, conseguiu um segundo lugar em Itália e venceu o GP de Portugal. Ayrton Senna desistiu em Portugal devido a um polémico acidente entre Nigel Mansell… e isto após ter sido mostrada a bandeira preta a Mansell, que se manteve em pista várias voltas até ao momento em que provocou um acidente quando tentava ultrapassar Senna… Nesta altura as relações entre Senna e Prost já tinham atingido um tal ponto de saturação que o francês já tinha manifestado a sua intenção de deixar a McLaren no fim do campeonato e já se sabia que iria para a Ferrari para fazer equipa com Mansell, enquanto que Berger fazia o caminho contrário, rumo à McLaren.
Devido a estes acontecimentos, Ayrton Senna via-se obrigado a vencer as restantes corridas para se sagrar campeão pela segunda vez. Senna venceu o GP de Espanha, Berger foi o segundo e Prost o terceiro.
A duas corridas para o fim do campeonato, no GP do Japão, aconteceu aquilo que todos já sabem e que fez gastar rios de tinta. Senna fez a pole-position mas foi Prost quem assumiu a liderança da corrida. Os dois McLarens andaram sempre juntos, a diferença entre eles não chegou a ser mais do que 5 segundos. Até que à 46ª volta, Senna, ao chegar á ultima chicane do circuito, tenta passar Prost mas o francês fecha a porta e os dois McLarens colidem e ficam parados nas escapatória da pista. Prost abandona o seu McLaren enquanto o brasileiro ficou à espera dos comissários, que ao empurrarem o carro para o tirarem da situação perigosa em que se encontrava, aproveita o balanço e põe o motor a trabalhar e parte novamente para a pista. Entretanto o italiano Alessandro Naninni (Benetton) tinha assumido a liderança mas Senna ainda foi a tempo de parar nas boxes para reparar o bico o carro, recuperar a primeira posição e cortar a linha de chegada na liderança. Contudo, Senna foi desclassificado porque deveria ter entrado na pista pelo local onde saiu e não ter seguido em frente. E com isto, gerou-se a controvérsia... que dura até hoje! A manobra de Prost foi premeditada ou não? Acho que ninguém sabe até hoje, os fãs de Senna dizem uma coisa e os fãs de Prost dizem o contrário…o que ficou definido nesse momento foi a conquista do título por parte de Alain Prost. Foi o seu tri-campeonato. Bem, já me esquecia, Alessandro Naninni foi declarado o vencedor e assim venceu pela primeira vez na Formula 1. Riccardo Patrese e Thierry Boutsen, ambos em Williams, ficaram em segundo e terceiro, respectivamente.
O GP da Austrália serviu para cumprir calendário. Com os títulos já decididos, a corrida foi disputada debaixo de chuva e foi novamente Thierry Boutsen (Williams) quem saiu vencedor, tal como no Canadá. Nannini foi o segundo e Patrese o terceiro.
Prost venceu o campeonato com 76 pontos (4 vitórias) e Senna ficou em segundo lugar com 60 pontos (7 vitórias). A McLaren venceu o campeonato de construtores com 141 pontos (11 vitórias) seguida da Williams com 77 pontos (2 vitorias)

Os pilotos do Minardi M189 em 1989 foram: Pierluigi Martini, Luís Perez Sala e Paollo Barilla.
Vitórias: 0
Pole-position: 0
Melhor volta : 0

26 dezembro 2007

Lotus 101 - Satoru Nakajima (1989)

Esta miniatura é da marca Onyx.
Num anterior post, mencionei umas miniaturas que comprei numa das papelarias da cidade onde vivo. Nesse post o tema foi sobre uma dessas miniaturas: Ferrari 250 LM.
Hoje venho falar noutra dessas miniaturas: o Lotus 101 de 1989. Esta miniatura é alusiva ao Lotus de Satoru Nakajima. Infelizmente encontra-se um pouco degradada, como é possível ver pelas fotos.

Os responsáveis pelo Lotus 101 foram os designers ingleses Frank Dernie e Mike Coughlan. Exactamente, o Mike Coughlan que esteve envolvido no caso de espionagem que recentemente abalou o “circo” da Formula 1. Em 1989 Frank Dernie, ex-Williams, substituiu Gerard Ducarouge (francês) na Lotus como Director Técnico e Mike Coughlan, que já pertencia aos quadros da Lotus, foi promovido a Chefe dos Designers.
Infelizmente, a equipa Lotus já se encontrava com dificuldades financeiras e em declínio desportivo. O ano de 1988 tinha sido fraco em resultados e Ducarouge foi substituído. A dupla de pilotos foi mantida, Nelson Piquet (brasileiro) e Satoru Nakajima (japonês).
Nesta fase de transição entre os motores turbo para os motores aspirados, a Lotus perdeu o fornecimento dos motores Honda tendo que procurar um novo fornecedor. Assim os motores que passaram a equipa os Lotus foram os Judd.
O ano de 1989 foi a confirmação dos resultados do ano anterior. Apesar de ter um excelente piloto, Nelson Piquet, a Lotus realizou uma das piores épocas dos últimos anos. Tal como o ano anterior não venceu nenhum GP mas pior que isso não obteve nenhum pódio. No ano anterior ainda tinha conseguido 3 pódios. Definitivamente este Lotus 101 foi um péssimo carro.
O único resultado digno de registo que conseguiu foi uma melhor volta e que fica para a história como a última da Lotus conseguida num GP. Esse feito aconteceu no último GP do ano, em Adelaide, e o seu autor foi o piloto japonês Satoru Nakajima. Piquet terminou o ano em 8º lugar com 12 pontos e Nakajima em 21º com 3 pontos. A Lotus ficou em 6º entre os construtores, com 15 pontos.


1989 – O Campeonato
Este ano voltou a ser marcado pelo domínio da McLaren e dos seus pilotos (Alain Prost e Ayrton Senna). Embora esse domínio não tivesse sido tão esmagador como no passado ano, a McLaren não deixou margem para dúvidas sobre qual era a melhor equipa.
Contudo no início do campeonato ainda se pensou que as forças na Formula 1 estivessem mais equilibradas devido à vitória da Ferrari e de Nigel Mansell. O piloto britânico tinha deixado a Williams e agora pilotava pela Ferrari.
Mas depressa a McLaren tratou de impor a sua força. Nos 4 GP’s seguintes (Imola, Mónaco, México e EUA) obteve 4 vitórias: Senna venceu os três primeiros e Prost venceu nos EUA.
No GP do Canadá, disputado à chuva, a Williams regressa às vitórias depois de um ano sem conseguir vencer. E logo com uma “dobradinha”. Desde o México de 1987 que não vencia um GP. Depois da saída de Mansell, Frank Williams contratou o piloto belga Thierry Boutsen para fazer equipa com o italiano Riccardo Patrese. E foi assim que Boutsen conseguiu a sua primeira vitória na Formula 1.
Nos dois GP’s seguintes (França e Grã-Bretanha) a McLaren voltou novamente às vitórias através de Alain Prost.
Decorrida a primeira metade do campeonato, Alain Prost liderava o campeonato de pilotos com 47 pontos (apenas não pontuou no Canadá) e Senna era o segundo com 27 pontos (relativos às suas três vitórias, não tendo pontuado em mais nenhum GP). A McLaren era a líder com 74 pontos, seguida pela Williams com apenas 35 pontos.
(continua)

Os pilotos do Lotus 101 em 1989 foram: Nelson Piquet e Satoru Nakajima.
Vitórias: 0
Pole-position: 0
Melhor volta : 1 (S. Nakajima: 1)

21 dezembro 2007

Ford Sierra RS Cosworth - F. Peres - R. Caldeira (Rali de Portugal de 1992)

Esta miniatura pertence à colecção Os Nossos Campeões de Ralis.
Num post anterior já falei sobre este Ford: o Ford Sierra RS Cosworth 4x4 de François Delecour de 1991.
Hoje volto a postar um Ford Sierra RS Cosworth 4x4 mas de um piloto nacional: Fernando Peres. A diferença entre estes dois Sierra reside no facto de o Sierra de Delecour pertencer ao Grupo A, enquanto o Sierra de Peres pertencia ao Grupo N (reservado a carros de Produção).
Basicamente a diferença entre estas duas categorias (Grupo A e Grupo N) está no facto de que os carros do Grupo N (Produção) são os mais parecidos em relação aos modelos de série, isto é, as modificações são mínimas e são necessárias 5.000 unidades para homologação. Enquanto no Grupo A são permitidas modificações mais profundas e são necessárias 2.500 unidades para homologação. Por exemplo: a suspensão pode ser modificada assim como quase toda a parte mecânica do carro. Em 1997 surgiu a classe WRC que derivava do Grupo A.
Esta miniatura, como disse em cima, representa o Ford Sierra RS Cosworth 4x4 que Fernando Peres utilizou no Rali de Portugal de 1992.
Fernando Peres encarou o Rali de Portugal de 1992 de uma forma muito pragmática, o objectivo principal era terminar o rali. Compreendendo bem, desde o inicio, que a concorrência (principalmente dos pilotos estrangeiros) no Grupo N era superior, Peres decidiu arriscar o menos possível e contar com os erros dos adversários. E assim foi. O piloto argentino Carlos Ménen era o favorito no Grupo N com o Lancia Delta HF Integrale e naturalmente impôs-se à restante concorrência. Mas se a vitória do argentino foi incontestada também a estratégia de Fernando Peres lhe deu a segunda posição no Grupo N. Efectivamente, Peres soube aproveitar os erros e azares da concorrência no Grupo N: o piloto espanhol Fernando Capdevilla (Ford Sierra RS Cosworth 4x4) teve problemas mecânicos e acabou em 15º da geral (5º do Grupo N), o belga Gregoire De Mévius (Nissan Sunny) cometeu um erro e terminou em 13º da geral (3º do Grupo N). Fernando Peres terminou na 12ª posição geral e ficou em 2º no Grupo N, o que lhe rendeu preciosos pontos para o nacional de ralis. Entre os portugueses, Fernando Peres apenas foi o quarto melhor, atrás de Joaquim Santos (Toyota Celica), José Miguel (Ford Sierra) e Carlos Bica (Lancia Delta) todos com carros do Grupo A.
Ah…, a vitória final coube a Juha Kankkunen (finalndês) num Lancia Delta.

Fernando Peres nasceu a 12 de Março de 1965 no Porto (?). Peres foi Campeão Nacional do Grupo N em 1991 e 1992 com o Ford Sierra RS Cosworth 4x4. Em 1994 vence pela primeira vez o Nacional de Ralis com o Ford Escort RS Cosworth, título que mantém nos dois anos seguintes, sempre com o Escort. O tri-campeão nacional só volta a vencer um título em 2004, novamente no Grupo N com o Mitsubishi Lancer Evo 7. No Rali de Portugal, a sua melhor classificação foi o 5º lugar conseguida em 1994 com o Ford Escort RS Cosworth. Outras vitórias internacionais em ralis portugueses que pertencem ao Europeu de Ralis: em 1996 venceu o Rali da Madeira (Ford Escort RS Cosworth); em 1998 venceu o Rali dos Açores (Ford Escort WRC); em 2003, 2004 e 2005 venceu o Rali Sata Açores nos seguintes carros: Ford Escort RS Cosworth, Mitsubishi Lancer Evo 7 e Evo 8, respectivamente. Em 2004 termina o Campeonato Europeu de Ralis (Divisão Oeste) na 2ª posição. Actualmente, embora não tenha a certeza, julgo que ainda participa nos ralis…

19 dezembro 2007

Audi Quattro - H. Mikkola - A. Hertz (Rali de Portugal de 1983)

Esta miniatura pertence à colecção Os Nossos Campeões de Ralis.
Em 1983 a Audi, campeã do ano anterior, era a equipa favorita a vencer os dois títulos do Campeonato Mundial de Ralis: o de pilotos e o de construtores. Contudo havia que contar com a Lancia e os seus pilotos.
A Audi dispunha do Audi Quattro com tracção às quatro rodas que lhe dava vantagem nos ralis com troços em terra. Mas no asfalto o Lancia 037, apenas de tracção traseira, ainda conseguia fazer frente ao Quattro.
A Audi manteve a sua equipa de pilotos: a francesa Michelle Mouton, o sueco Stig Blomqvist e o finlandês Hannu Mikkola. A Lancia contratou o Campeão do Mundo de Ralis de 1982 à Opel, o alemão Walter Rohrl, que se juntou a Markku Alén (finlandês), Attilio Bettega (italiano) e Adartico Vudafieri (italiano).
Os campeonatos foram discutidos pela Lancia e Audi e os pilotos das duas equipas. As vitórias foram repartidas e como tal no fim do ano os dois títulos também foram repartidos: a Lancia venceu o campeonato de construtores e um piloto da Audi venceu o de pilotos (Hannu Mikkola). Aliás como já descrevi aqui.
A Lancia venceu o campeonato com 118 pontos e 5 vitórias: Monte Carlo (Rohrl), Volta à Córsega (Alén), Acropolis (Rohrl), Nova Zelândia (Rohrl) e Sanremo (Alén). A Audi ficou em segundo lugar com 116 pontos e 4 vitórias: Portugal (Mikkola), Argentina (Mikkola), Mil Lagos (Mikkola) e RAC (Blomqvist).
Esta miniatura representa o Audi Quattro que Hannu Mikkola utilizou na vitória alcançada no Rali de Portugal de 1983.
O Rali de Portugal de 1983 foi bastante disputado e só no final a vitória sorriu a Mikkola. A luta entre os pilotos da Audi e da Lancia foi constante ao longo do rali português. Inicialmente, na primeira etapa, foi Rohrl e a Lancia quem dominou os acontecimentos. Os troços eram em asfalto e o Lancia 037 levava vantagem sobre o Audi Quattro neste aspecto. Mas com o início da segunda etapa, com troços em terra, foi a Audi quem assumiu a liderança do rali. Primeiro com Blomqvist (Audi) mas após o acidente deste, foi a vez de Mikkola ascender ao comando do rali. Apesar de a Audi dominar nos troços em terra, a vantagem conseguida sobre a Lancia não permitiu clarificar a situação sobre a vitória final. Houve uma sucessão de furos, quer nos pilotos da Lancia bem como nos da Audi, que manteve a incerteza sobre o vencedor quase até ao final do rali. Foi no troço de Arganil, mais uma vez, que ficou decidido o vencedor. Hannu Mikkola ainda apanhou um susto mas saiu de Arganil com a vitória na mão. No final, Mikkola venceu com Mouton em segundo lugar, ambos em Audi. Nas três posições seguintes ficou a “armada” italiana da Lancia: Rohrl, Alén e Vudafieri.
Esta foi a segunda vitória do ano para Mikkola, na sua caminha para o título de pilotos que venceria com 125 pontos e 4 vitórias: Suécia, Portugal, Argentina e Mil Lagos.
Hannu Mikkola, nasceu a 12 de Maio de 1942 na Finlândia. Foi campeão finlandês de Ralis em 1968 (Volvo) e 1974 (Ford Escort). Em 1978 ganhou o campeonato britânico de Ralis com um Ford Escort. O único título mundial de ralis aconteceu em 1983 com a Audi. Foi vice campeão por 3 vezes: 1979 (Ford, Mercedes, Porsche e Toyota), 1980 (Ford e Mercedes) e 1984 (Audi). Em 1993 fez o seu último rali no mundial, precisamente no Mil Lagos onde em 1974 conseguiu a sua primeira vitória. Mikkola venceu 18 ralis do mundial.

09 dezembro 2007

McLaren MP4-4 - Alain Prost (1988)

Esta miniatura é da marca Minichamps.
O fabuloso McLaren MP4-4 permitiu que a equipa de Ron Dennis dominasse uma temporada de Formula 1 (1988) como nunca antes nenhuma equipa o tinha conseguido… e nem nos anos seguintes, até aos dias de hoje, tal domínio voltou a ser igualado ou superado.
O McLaren MP4-4 tinha um chassis em monobloco de fibra de carbono e kevlar, o motor era o Honda Turbo que debitava cerca de 700 cv (2,5 bar) às 13.800 rpm.
O domínio exercido nesse ano pelo MP4-4 foi avassalador, para isso muito contribui também o facto da equipa McLaren ter contratado o piloto brasileiro Ayrton Senna (ex-Lotus) para ser colega do francês bi-campeão Alain Prost, tornando-se numa das mais poderosas duplas de pilotos que a Formula 1 já teve.
A Honda fornecia motores a duas equipas, a Lotus e a McLaren, mas o desempenho das duas equipas bastante diferente. A determinada altura do campeonato, a Lotus manifestou aos japoneses da Honda a sua desconfiança em relação aos motores. Ao que a Honda respondeu que não havia favorecimento à McLaren em detrimento da Lotus e como tal dava à Lotus a oportunidade de ser a primeira a escolher os motores. Mas nem mesmo assim os Lotus conseguiram voltar aos níveis demonstrados nos anos anteriores.
Mas para falar sobre o McLaren MP4-4 resolvi postar o texto que vinha na Turbo nº85 de Setembro de 1988, nas pág. 74 e 75.

“O inacessível McLaren MP4-4”

“«Para ser bem sucedido na Formula 1 é necessária a conjugação de cinco factores: chassis, motor, pilotos, pneus e uma boa organização. Se algum destes elementos falhar é impossível chegar a uma posição de relevo». Quem o afirma é Gordon Murray, responsável pelo «staff» técnico da McLaren desde 1987 depois de ter permanecido durante dezassete anos ao serviço da Brabham. Embora o chassis MP4-4 tenha a assinatura de Steve Nichols todas as directrizes do projecto foram estabelecidos por Murray. O projectista sul-africano atribui todo o sucesso do projecto à organização da equipa britânica, comandada superiormente por Ron Dennis, a qual permitiu desenvolver toda a capacidade criativa dos dezassete homens que integram os diversos sectores do departamento técnico da equipa sediada em Woking. «Na McLaren para cada projecto temos um responsável, coordenando eu todo o conjunto. É preciso não esquecer os outros engenheiros, de quem nunca se ouve falar, e sem os quais este carro não teria nascido». Mas qual é o segredo do MP4-4, um carro que não têm permitido quaisquer veleidades aos seus adversários desde a prova inaugural do campeoanto? Para Murray, o primeiro chassis totalmente novo construído pela McLaren desde 1983 apresenta um «cockpit» de soluções clássicas (à excepção da posição de condução e da caixa de velocidades) mas com ideias inovadoras. Fundamental para o domínio exercido são ainda o baixo posicionamento do motor e a caixa de velocidades utilizada (de origem Weissmann) o que permitiu obter um centro de gravidade mais baixo. Da experiência colhida com a concepção do Brabham BT55, o carro da discórdia e que precipitou a sua saída da equipa de Ecclestone, Murray sabia que o baixo posicionamento do piloto tinha consideráveis vantagens em termos aerodinâmicos, aliás amplamente comprovados no McLaren MP4-4 o que desde logo viabilizava o seu anterior projecto… A juntar a todos estes componentes há ainda que ter em conta a prestação de dois pilotos de excepção e a utilização do motor sobrealimentado Honda RA 168-E nas suas várias versões dispondo de uma ampla curva de potência utilizável.Uma questão poderá desde já levantada: também a Lotus dispõe de um motor idêntico e de um piloto que dá pelo nome de Piquet. «Também nós não conseguimos perceber esta diferença de comportamentos dos dois carros. Não há dúvida que a aerodinâmica do McLaren é diferente mas a distribuição de pesos é semelhante. É difícil de explicar…» garante Murray acerca de um carro que, poderia dominar durante mais dois ou três anos o panorama da Formula 1, mas que passará à história no final desta temporada face à regulamentação vigente nesta disciplina a partir de 1989.”

Para se melhor compreender o avassalador domínio da McLaren, deixo-vos alguns números que o MP4-4 alcançou em 1988:
- Vitórias: 15 (Senna 8 e Prost 7) em 16 GP’s (93,75%);
- Pole-positions: 15 (Senna 13 e Prost 2) em 16 GP’s (93,75%);
- Os seus pilotos ocuparam por 12 vezes a primeira linha da grelha de partida (75%);
- Melhores voltas: 10 (Prost 8 e Senna 2) em 16 GP’s (62,5%);
- Das 32 partidas que o MP4-4 fez, terminou 28 vezes e apenas abandonou 4 vezes (87,5%);
- A McLaren conseguiu 199 pontos dos 240 possíveis (82,92%); todos os pontos das restantes equipas (201) superavam os da McLaren por apenas 2 pontos.
- Conseguiu 10 dobradinhas em 16 possíveis (62,5%);
- O McLaren MP4-4 liderou 97,28% (1003 voltas) das voltas do somatório de todos os GP’s (1031 voltas).
Esta miniatura que hoje apresento é relativa ao McLaren MP4-4 de Alain Prost, vice-campeão de 1988.

1988 – O Campeonato (continuação)
O GP da Alemanha foi disputado à chuva e os dois pilotos da McLaren voltaram a dominar o fim-de-semana. Ayrton Senna venceu a corrida com Prost na segunda posição. O austríaco Gerhard Berger, da Ferrari, foi o terceiro.
Na Hungria, Senna e Prost travam um belo duelo mas é o brasileiro que sai vitorioso. Prost ficam com o segundo lugar. Thierry Boutsen (Benetton) ficou em terceiro lugar.
No GP da Bélgica, Senna obtém a sua 7ª vitória da época e pela primeira vez chega ao primeiro lugar do campeonato, apesar de Prost ter o mesmo número de pontos (66) mas apenas 4 vitórias. Na corrida Prost também ficou em segundo lugar. O piloto da “casa”, Boutsen conseguiu uma excelente terceira posição final.
Em Italia houve uma surpresa e aconteceu aquilo que não se esperava… a McLaren não venceu a corrida. No entanto os McLaren voltaram a exercer o seu normal domínio sobre os adversários. Mas o imprevisto aconteceu, Prost já tinha abandonado quando perto do final da corrida, Senna que parecia caminhar para uma nova vitória comete um erro ao ultrapassar um piloto atrasado e os dois colidem provocando o abandono do brasileiro da McLaren. Quem a aproveitou foi a Ferrari que conseguiu a única vitória e dobradinha da época. Foi o delírio para os milhares de “tifosi” que vibraram com a vitória “caseira” da Ferrari. Berger foi o primeiro seguido de Michelle Alboreto (italiano). O americano Eddie Cheever conseguiu um afortunado terceiro lugar para a Arrows.
O GP seguinte era disputado em Portugal e foi no nosso país que eventualmente terá acontecido o primeiro desentendimento entre Alain Prost e Ayrton Senna. Prost venceu a corrida de forma categórica mas quando ultrapassou Senna, na segunda volta, o brasileiro ao defender-se “apertou” Prost contra o muro das “boxes”. Senna foi apenas 6º devido a problemas de consumo. O italiano Ivan Capelli (March) efectuou uma excelente corrida e foi a grande surpresa do fim-de-semana ao ficar no segundo lugar. Thierry Boutsen coleccionou mais um terceiro lugar para a Benetton.
No GP de Espanha, Prost voltou a vencer e Senna voltou a ter problemas com o consumo de combustível e foi apenas quarto. Nigel Mansell (inglês) conseguiu levar o Williams até à segunda posição e Alessandro Nannini (italiano) foi o terceiro num Benetton. Prost já a descontar pontos, apenas amealhou 3 dos 9 pontos da vitória. Por outro lado, Senna estava a uma vitória de se sagrar campeão do mundo pela primeira vez, e isto apesar de Prost ter 84 pontos e Senna 79 pontos.
O GP do Japão foi o momento de consagração para Senna. Com a vitória Ayrton Senna conseguia o seu primeiro título na Formula 1. A performance de Senna foi fantástica. No início atrasou-se ao falhar o arranque mas efectuou uma recuperação soberba até ao primeiro lugar. Prost ficou em segundo lugar mas teve que descontar todos os pontos devido à regra das 11 melhores classificações. Boutsen ficou em terceiro lugar.
O GP da Austrália, que se disputou já com a questão dos títulos decidida, a McLaren foi novamente e sem surpresa a dominadora. Prost terminou em primeiro e Senna foi o segundo, obtendo a McLaren a 10ª dobradinha da temporada. O piloto brasileiro Nelson Piquet (Lotus) ficou com o último lugar do pódio, amenizando assim uma fraca temporada do tri campeão mundial. E esta foi a última vez em que um motor turbo participou na Formula 1.
Senna sagrou-se campeão com 90 pontos (8 vitórias) contra os 87 pontos de Prost (7 vitórias). A McLaren venceu o campeonato de construtores com 199 pontos (15 vitórias) e a Ferrari ficou em segundo lugar com 65 pontos (1 vitória).

Os pilotos do McLaren MP4-4 em 1988 foram: Alain Prost e Ayrton Senna.
Vitórias: 15 (A. Senna: 8; A. Prost: 7)
Pole-position: 15 (A. Senna: 13; A. Prost: 2)
Melhor volta : 10 (A. Senna: 2; A. Prost: 8)

04 dezembro 2007

Benetton B188 - Alessandro Nannini (1988)

Esta miniatura é da marca Minichamps.
O elegante Benetton B188 foi uma concepção do designer inglês Rory Byrne para o campeonato de 1988. O motor utilizado continuou a ser o Ford mas o Cosworth DFR aspirado, um V8 de 3492 cc com uma potência média de 600 cv às 11.000 rpm. O chassis era em monobloco de fibra de carbono e kevlar.
A dupla de pilotos da Benetton sofreu uma alteração em relação ao ano de 1987, foi contratado o piloto italiano Alessandro Nannini (ex-Minardi) para substituir Teo Fabi (italiano) e manteve-se o piloto belga Thierry Boutsen. A equipa Benetton que tinha começado a sua carreira na Formula 1 em 1986, quando adquiriu a equipa Toleman, iniciava a sua terceira temporada na Formula 1 em 1987. A primeira e única vitória tinha acontecido em 1986 e apesar de no ano anterior não ter conseguido nenhuma vitória os resultados vinham em crescendo: em 1986 tinham terminado o ano na 6ª posição (19 pontos) entre as equipas e em 1987 tinha ficado na 5ª posição (28 pontos). O ano de 1988 continuaria a ser um ano sem vitórias mas o mesmo se poderia dizer de quase todas as equipas… tal foi o domínio da McLaren.
A Benetton terminaria o ano na terceira posição (39 pontos) com 7 pódios conquistados pelos seus pilotos e uma melhor volta no GP da Alemanha conseguida por Alessandro Nannini.


1988 – O Campeonato
Como este seria o último campeonato da Formula 1 em que os motores turbo iriam participar, a FIA introduziu maiores restrições para as equipas que iriam utilizar os motores turbo: a pressão dos turbos baixou dos 4 para 2,5 bar, consequentemente a potência baixou de 1000 para 670 cv; o consumo de combustível permitido baixou dos 195 litros para os 150 litros; e os carros com motor turbo pesavam mais 40 kg que os com motor atmosférico. A FIA pensou que com estas limitações a diferença entre os motores turbo e os aspirados não seria relevante, aliás estariam convencidos de que os motores turbo perderiam competitividade.
Uma grande parte das equipas deixou de utilizar os motores turbo, apenas a McLaren, a Lotus, a Ferrari, a Arrows, a Zakspeed e a Osella optaram por continuar a usar os turbos. No final do ano os turbos seriam proibidos e o campeonato do ano seguinte seria disputado apenas por motores aspirados como tal as equipas que utilizassem agora os motores aspirados teriam, teoricamente, a vantagem de um ano sobre as equipas que se mantiveram ainda com os motores turbo.
O Campeão do ano anterior, o brasileiro Nelson Piquet deixou a Williams para assinar pela Lotus. Por sua vez, Ayrton Senna (brasileiro) deixou a Lotus para correr pela McLaren. Nesta troca de pilotos, a equipa mais prejudicada foi a Williams que ficou sem o motor Honda. Piquet foi para a Lotus e a Honda manteve o fornecimento à equipa inglesa. Senna foi para a McLaren e levou com ele o contrato para a Honda fornecer os motores à equipa de Ron Dennis. Frank Williams teve que recorrer aos motores Judd aspirados.
A Brabham, após dois anos de péssimos resultados, iria estar ausente todo o ano, a primeira ausência desde 1962, ano da sua fundação.
A primeira corrida do ano, no Brasil, teve um vencedor muito conhecido pelo público brasileiro. O piloto francês Alain Prost (McLaren) liderou as voltas todas e venceu o GP pela quinta vez desde 1982. Apenas falhou duas vezes (1983 e 1986). Senna, que foi o pole-position, foi desclassificado na 31ª volta por ter trocado de carro na volta de aquecimento e quando efectuava uma bela recuperação. O piloto austríaco da Ferrari, Gerhard Berger, foi o segundo e Nelson Piquet (Lotus) o terceiro.
No GP de San Marino, novamente um McLaren domina de ponta a ponta. Mas desta vez coube ao brasileiro Ayrton Senna a vitória. Alain Prost ficou na segunda posição e Nelson Piquet é novamente o terceiro.
No GP do Mónaco, Aytron Senna (McLaren) exerce o seu domínio nos treinos ao garantir a terceira pole-position consecutiva. Na corrida o piloto brasileiro lidera até 12 voltas do fim. Quando tinha a vitória quase garantida e com uma confortável vantagem sobre Prost, Senna comete um erro e “dá” a vitória ao seu colega de equipa. Prost é o primeiro e a Ferrari completa o pódio, com Berger seguido de Michele Alboreto (italiano).
A corrida seguinte é uma repetição dos GP’s anteriores. Começa a ser evidente que a McLaren não terá oposição na conquista dos títulos. Assim a corrida mexicana foi completamente dominada por Prost que liderou as voltas todas. Senna ficou em segundo lugar e Berger foi o terceiro.
Numa primeira fase do GP do Canadá, o domínio pertenceu a Alain Prost mas à 19ª volta Senna passa o francês e nunca mais larga a primeira posição. Thierry Boutsen (belga), pilotando um Benetton B188, fez uma óptima prova e cedo se instalou na terceira posição que soube manter até ao final da corrida.
Em Detroit, Ayrton Senna vence o GP americano pelo terceiro ano consecutivo. Pertenceu-lhe a liderança das voltas todas. O pódio foi uma repetição do GP anterior: Prost foi novamente o segundo classificado e Boutsen o terceiro.
Finalmente no GP de França, Alain Prost consegue bater Ayrton Senna na qualificação e faz a pole-position na sua terra natal, após 6 pole-positions consecutivas do brasileiro. O domínio da corrida foi repartido entre os dois pilotos da McLaren. Prost foi o primeiro a liderar, depois foi a vez de Senna mas 20 voltas do fim Prost consegue ultrapassar o brasileiro e vencer em “casa”. Senna ficou com a segunda posição e Alboreto foi o terceiro.
No GP da Grã-Bretanha acontece a primeira situação “anormal” após 7 GP’s. Não há nenhum McLaren na primeira linha da grelha de partida. No seu lugar estão os dois pilotos da Ferrari, respectivamente Berger e Alboreto. Na corrida acontece a segunda situação “anormal”: pela primeira vez neste campeonato um GP é liderado por um carro que não é um McLaren! Efectivamente, a McLaren tinha conseguido a proeza de liderar todas as voltas de todos os GP’s até aí decorridos! Não sei se é inédito mas é um feito assinalável. Esta situação durou até à 13ª volta, altura em que Berger (Ferrari) perde a primeira posição para Senna, que liderou o resto da corrida. A prova foi disputada debaixo de chuva e Alain Prost optou por abandonar voluntariamente (primeira desistência do francês). Mansell consegue o primeiro resultado digno de registo para a Williams nesse ano ao ficar em segundo lugar. O piloto italiano Alessandro Nannini fica em terceiro lugar com o Benetton B188, naquele que foi o seu primeiro pódio na Formula 1.
Após 8 GP’s, Alain Prost era o primeiro com 54 pontos, Senna o segundo com 48 pontos e Berger o terceiro com 21 pontos. Nas equipas, a McLaren liderava com 102 pontos e a Ferrari era segunda com apenas 34 pontos.
(Continua)

Os pilotos do Benetton B188 em 1988 foram: Alessandro Nannini e Thierry Boutsen.
Vitórias: 0
Pole-position: 0
Melhor volta : 1 (A. Nannini: 1)

01 dezembro 2007

McLaren MP4-3 - Alain Prost (1987)

Esta miniatura é da marca Minichamps.
Após 6 anos de colaboração na McLaren como designer (desde 1981 até 1986), John Barnard deixou a equipa de Ron Dennis para assinar pela Ferrari. John Barnard foi responsável pelos fabulosos McLaren MP4-2, e suas evoluções, que dominaram nos anos de 1984 e 1985 e que conquistaram 5 títulos para a McLaren: 3 de pilotos (Lauda em 1984 e Prost em 1985 e 1986) e dois de construtores (1984 e 1985). Para o lugar de Barnard, a McLaren contratou o engenheiro norte-americano Steve Nichols. A escolha de contratar Nichols era a mais natural para a McLaren. Steve Nichols trabalhou na Hercules, empresa americana de foguetões, que desenvolveu o chassis de fibra de carbono para a McLaren no início da década de 80. Aliás foi nessa altura que Barnard conheceu Steve Nichols. Por isso a escolha de Dennis para substituir Barnard foi a mais lógica.
No entanto, quando Steve Nichols chega à McLaren em 1987, veio encontrar um projecto já esgotado e ultrapassado pela Williams-Honda. Nichols sabia que, apesar de Alain Prost ter conquistado o título de pilotos em 1986 mas que aconteceu em parte devido à “guerra” entre os dois pilotos da Williams (Nelson Piquet e Nigel Mansell), tinha que construir um novo carro para a temporada de 1987. Outra dificuldade que surgia era o facto de se saber já que a Porsche não iria desenvolver mais o motor TAG que equipava o McLaren e que no final do ano deixaria de fornecer os motores à equipa de Ron Dennis.

Assim nascia o McLaren MP4-3 que seguia as linhas orientadoras do anterior MP4-2C. Uma das diferenças mais visíveis era ao nível dos flancos e da parte posterior. De resto a frente do MP4-3 era muito semelhante à dos seus antecessores. O motor, como referi em cima, continuava a ser o TAG-Porsche.
Outra alteração na equipa foi a contratação do piloto sueco Stefan Johansson, que vinha da Ferrari, para substituir o finlandês Keke Rosberg, que por sua vez tinha abandonado a Formula 1.
Mas mesmo sabendo que iria ser uma dura batalha contra os Williams-Honda de Piquet e Mansell, a McLaren e Alain Prost conseguiram um pequeno prémio na segunda metade do campeonato.

1987 – O Campeonato
A McLaren, ao contrário do que seria de esperar, teve um início de campeonato bastante prometedor. Alain Prost conseguiu vencer a corrida e bateu Nelson Piquet (Williams) em casa, que ficou em segundo. Stefan Johansson, que fazia a sua primeira corrida na McLaren, ficou num excelente terceiro lugar.
Nigel Mansell (Williams) venceu o GP de San Marino e beneficiou da desistência de Prost. Ayrton Senna foi o segundo classificado num Lotus. Nelson Piquet sofreu uma grave acidente durante a qualificação e como precaução não correu no domingo. Segundo se consta, Piquet terá ficado afectado com esse acidente e terá perdido alguma da sua natural rapidez…
No GP da Bélgica, a McLaren consegue uma surpreendente “dobradinha”, com Prost em primeiro seguido de Johansson, e tendo aproveitado as desistências dos seus mais directos adversários. Com esta vitória, Alain Prost igualava o record de 27 vitórias de Jackie Stewart.
Nos dois GP seguintes, Mónaco e Estados Unidos, o vencedor e o segundo classificado foram sempre os mesmos, Ayrton Senna (Lotus) e Nelson Piquet (Williams), respectivamente. Aliás, Piquet voltaria a ser segundo classificado nos dois GP’s (França e Grã-Bretanha) que se seguiram e que foram vencidos pelo seu colega de equipa Mansell.
Os quatro GP’s seguintes (Alemanha, Hungria, Austria e Itália) foram dominados pela Williams. Piquet venceu 3 destes 4 GP’s e após 5 segundos lugares finalmente venceu pela Williams. Mansell venceu na Austria.

No GP seguinte, em Portugal, Alain Prost voltava às vitórias, 8 GP’s após a sua última vitória no GP da Bélgica. Nessas 8 provas, Prost apenas tinha conquistado 13 pontos e viu-se afastado da luta pelo título. Contudo esta vitória em Portugal foi um pequeno prémio para Prost, é que a partir desse momento, o francês tornava-se no piloto com mais vitórias na Formula 1: 28 vitórias. Estava finalmente superado o record de 27 vitórias de Jackie Stewart que durava desde 1973 (13 anos).
Nos GP’s de Espanha e do México, Mansell obtêm as duas vitórias e mantêm as esperanças de alcançar o seu colega de equipa, Piquet, no campeonato. Piquet foi 4º em Espanha e 2º no México.
Faltavam duas provas para o fim do campeonato, Japão e Austrália, e tudo iria ser decidido entre os pilotos da Williams, Piquet e Mansell. Ficou tudo decidido no Japão, no regresso da Formula 1 ao país do sol nascente ao fim de 10 anos de ausência.
Nos treinos da 6ª feira, Nigel Mansell sofreu um aparatoso acidente que o impediu de participar na corrida. Nelson Piquet sagrava-se campeão do mundo pela terceira vez.
Essas duas últimas corridas do ano, foram vencidas pelo piloto austríaco Gerhard Berger num Ferrari.
Piquet sagrou-se campeão com 73 pontos (3 vitórias) e Mansell foi o vice-campeão com 61 pontos (6 vitórias). A Williams venceu o campeonato com 137 pontos (9 vitórias) e a McLaren ficou em segundo lugar com apenas 76 pontos (3 vitórias).

Os pilotos do McLaren MP4-3 em 1987 foram: Alain Prost e Stefan Johansson.
Vitórias: 3 (A. Prost: 3)
Pole-position: 0
Melhor volta : 2 (A. Prost: 2)